Comércio - Comportamento

O valor por trás do preço da FNAC

23/05/2009 14:32

Por: Rodrigo Maruxo

De repente, tarde da noite, a loja online por engano coloca o valor de R$ 9,90 em produtos caros. A notícia se espalha na internet e um monte de gente vai correndo comprar notebooks e TVs antes que consertem. Está certo isso?

Não sei se ficou sabendo, mas o caso se espalhou rapidamente na internet e até na TV: na madrugada de 20/05/09 o braço virtual da FNAC colocou toda loja a R$ 9,90. Macbooks, filmadoras, TVs de Plasma, todo site a nove-e-noventa! Mas que beleza.

Caso tenha sentido uma dor aguda no peito por não ter aproveitado este momento mágico do e-commerce nacional, acalme seu coração. Não era uma promoção relâmpago no estilo “passo o ponto” ou “deu a louca no gerente”. Nem ache que a FNAC deu início a uma reformulação em seu objetivo comercial focando agora na caridade, fazendo este mundo melhor doando TVs de plasma para internautas insones e sortudinhos.

A notícia se espalhou rapidamente pelo Twitter e o site foi bombardeado por pedidos desonestos. Sim, desonestos. Não tenho outra palavra pra definir um cidadão que compra um notebook de última geração a R$ 9,90 e em nenhum momento questiona a própria consciência se isto é correto, se isto não é tirar proveito do erro de alguém.

Pra mim, o que aconteceu virtualmente é o mesmo que acontece fora da internet, quando um caminhão tomba na estrada e o pessoal, ao invés de parar para ajudar, saqueia a mercadoria. Ou ainda, quando existe um quebra-pau generalizado, a turma começa a quebrar vitrines e saquear as lojas. Ou quando o Manuel da padaria sem querer dá um troco maior do que deveria e o cidadão fica quietinho e finge que não é com ele…

- Vamos todos!!! O caminhão da FNAC tombou! Leva tudo o que puder carregar!

Sic! (…)

Mas de tudo se tira uma lição e não há como não aplaudir a atuação da FNAC no episódio, que agiu de forma impecável para gerenciar esta crise.

Ela errou? Claro que sim!

Mas agiu rápido: naquela mesma madrugada admitiu publicamente sua falha. Criou e publicou um procedimento para o consumidor saber o que seria feito a respeito. Posicionou-se como empresa séria e explicou até onde ia sua responsabilidade sobre o erro.

E tudo isso com o apoio do Procon e da lei, que estão aí para garantir que não ocorram desvios numa relação comercial. Em ambos os lados.

Não importa o preço anunciado. Importa, sim, os valores por trás disso tudo. [Webinsider]

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Sobre o Autor

<strong>Rodrigo Maruxo</strong> (rodrigo.maruxo@gmail.com) é editor do blog <strong><a href="http://www.rodrigomaruxo.com" rel="externo">Rodrigo Maruxo</a></strong>, especialista em e-commerce e consultor de marketing e varejo eletrônico.

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    Publicada em: 23/05/2009 14:32
    Impresso em: 28/11/2009
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