Carreira

O surfista diante da onda: como encarar a mudança

08/05/2009 1:17

Por: Eduardo Zugaib

Estar naqueles poucos centímetros à frente da superfície da água que se desloca faz a grande diferença entre quem aproveita a onda, quem se afoga nela e quem a observa de longe.

A história humana se divide em ondas e cada uma representou mudanças. Reviravoltas que nos obrigaram a sairmos da zona de conforto e entrarmos em processo de revisão pessoal e coletiva, percebendo, com mais senso crítico e lucidez, o que estava ruim e era preciso melhorar e o que estava bom e poderia ser ainda mais aperfeiçoado.

Entender essa dinâmica da vida e da história faz uma grande diferença na digestão das mudanças. A vida e o
mar têm tudo a ver entre si. Num dia ele estão calmos, serenos. Sutilmente, começam a se agitar. Quando menos se espera, tornam-se revoltos, jogando pra lá e pra cá tudo aquilo que neles está imerso. Dependendo do tamanho da onda, ela nos engole.

A onda está para o mar o que a mudança está para a vida. Se nos pega despreparados, sem fôlego ou habilidade alguma para com ela lidar, ela nos sacode, nos joga contra as pedras, nos esfola contra a areia. A inocência, em meio à mudança, pode ter efeito drástico, quando não fatal para a nossa auto-estima. A inocência em meio à uma grande ressaca também traz grandes prejuízos para quem é pego desprevenido.

O comportamento de um surfista nessa hora ajuda e muito. Entender a mudança como uma onda requer, em princípio, visão de futuro. Primeiro se analisa o presente, que pode ser de calmaria, desenvolvendo a capacidade de perceber a mudança se processando, muitas vezes ainda leve, superficial.

Ao invés de fugir, dirige-se à ela, para posicionar-se corretamente. Chega então a hora de remar forte, para alinhar-se com a onda e colocar-se no ponto certo, no “ponto G”. É ali que a curvatura e a velocidade se combinam como em nenhum outro ponto da onda. Vem então a hora extrema: mobilizar toda sua força para ser um pouco mais rápido que a onda para, enfim, usar a energia dela como um impulsionador do seu próprio desenvolvimento.

Estar a meio metro atrás desse ponto significa, no jargão, tomar um caldo, uma “vaca” e, provavelmente, engolir água ou se esfolar. Estar a dois metros atrás desse ponto significa olhar a mudança pelas costas. Mesmo compreendendo que ela está logo dali, neste ponto não dá para fazer nada além de observar o deslize de outros.

Estar muito à frente da mudança pode até representar uma visão apurada de futuro, mas fisicamente é preciso recuar para aproveitar o momento certo. Estar naqueles poucos centímetros à frente da superfície da água que se desloca faz a grande diferença entre quem aproveita a onda, quem se afoga nela e quem a observa de longe. [Webinsider]

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Sobre o Autor

<strong>Eduardo Zugaib</strong> (falecom at eduardozugaib.com.br) é profissional de comunicação, escritor e palestrante em criatividade aplicada ao crescimento pessoal. Mantém o site <strong><a href="http://www.eduardozugaib.com.br" rel="externo">Eduardozugaib</a></strong>.

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    Publicada em: 08/05/2009 1:17
    Impresso em: 28/11/2009
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