Especialista ou generalista: faça sua escolha
31/03/2009 21:10Por:
Fazer de tudo um pouco ou focar em um nicho? Normalmente os designers deixam a vida os levar e esta questão nem sempre está na pauta. Vale mais a pena abrir o leque ou é melhor aperfeiçoar o seu quadrado?
É uma discussão que nem sempre está na pauta dos designers. Vale mais a pena ser um faz-tudo ou ficar no seu quadrado?
O que leva a um caminho ou outro é uma escolha do profissional? Observo que uma minoria age firmemente em direção à especialização ou generalização, com ênfase na primeira opção. É um esforço coordenado e consciente, não sendo apenas fruto do acaso, porque a tentação de fazer um pouco de tudo é muito grande.
Na graduação somos apresentados às várias áreas do design, mas dificilmente saímos da superfície, o que gera dúvida e às vezes uma falsa percepção de que “gostamos de tudo”. Pode-se gostar, mas você sabe fazer, dá conta? Como se diz por aí, tudo é muita coisa.
Normalmente, o profissional caminha para ser um especialista na medida em que determinados projetos alcancem sucesso e rendam outros dentro do mesmo escopo. Surge um nicho onde o designer se destaca, e aí passa se dedicar exclusivamente a ele.
E há o outro lado, quando somos procurados para um trabalho fora de nosso habitat natural. Nessa situação, pesar os prós e contras e controlar a vaidade são imprescindíveis: recusar um projeto que não é sua especialidade não o torna um profissional incompleto, apenas focado.
O que não esperamos é a dificuldade de abrir o leque de atuação quando temos nosso nome ligado a um tipo de projeto. Como seres humanos, naturalmente dividimos tudo em categorias e criamos uma resistência quando o que já está formado em nossas cabeças é questionado. Aí vem a pergunta: “ué, mas você faz isso também?”. É, lidar com gente não é fácil…
A favor dos generalistas, há o argumento de que um projeto tem uma metodologia que pode ser aplicada em qualquer situação. Mas essa metodologia ainda tem muito das primeiras escolas de design e hoje em dia o mundo ficou mais complexo. Cada tipo de job — um site ou a sinalização de um hospital, por exemplo — requer conhecimentos específicos que dificilmente um profissional dá conta sozinho. São raros os que nasceram para isso e transitam com desenvoltura entre as diversas demandas da atividade.
A abrangência pode ser justamente seu trunfo, seu diferencial. Porém, como já diz o ditado, a união faz a força, e os generalistas presentes no mercado, em sua maioria, são os escritórios de design e não o profissional autônomo. Ou seja, há uma estrutura que atende diversos tipos de projeto. E mesmo assim, não é todo escritório.
Agora, há um perfil melhor do que outro? Não acredito. É necessário que o profissional se conheça para saber como pode desempenhar melhor. E identificar oportunidades, seja para se ampliar sua área de atuação ou se dedicar com mais afinco a seu quadrado.
Todos temos o desejo de abraçar o mundo, mas é importante saber qual mundo conseguiremos abraçar. [Webinsider]
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