Criação

Toda boa ideia nova tem um pouco de ridículo

17/03/2009 11:15

Por: Eduardo Zugaib

Quando o ego relaxa, a criatividade goza. Mas quando ele desperta, faz de tudo para limpar a aparente bagunça que é o processo criativo, inclusive varrendo as novas ideias para baixo do tapete do esquecimento

As melhores ideias surgem nos momentos mais inusitados, de abstração. Hora em que nosso ego, ou seja, a nossa auto-censura, relaxa. É quando o nosso hemisfério cerebral direito sente-se livre para criar novas conexões entre os pedaços do nosso conhecimento. Dessas associações surgem as novas ideias.

Naturalmente, quando estamos regidos pelo hemisfério esquerdo do nosso cérebro, que é o racional, tendemos a dar ao mundo respostas mais lógicas, cartesianas, previsíveis. E em boa parte do nosso dia é isso que o mundo espera da gente. O problema é que, por passarmos muito tempo dentro dessa ditadura racional, os momentos em que precisamos recorrer à imaginação tornam-se desgastantes demais, já que nossa mente criativa está trancada, muito provavelmente com um cadeado enferrujado.

Daí a necessidade de manter a mente sempre em estado de curiosidade, fazendo perguntas cada vez melhores, abusando do “e se” e do “e por que não?”. Agindo assim, mesmo que sejamos obrigados, pelas circunstâncias da vida, a permanecer dentro de um estado de espírito racional durante as melhores horas do nosso dia, ao menor sinal de guarda baixa do ego, a nossa mente vai tratar de apresentar sua produção silenciosa, fazendo as ideias virem à tona.

Não são raros os momentos em que, sentado no banheiro, surge uma boa ideia. Ou então, fazendo a barba ou tomando banho. Ao adormecer ou acordar também, já que o nosso ego demora um pouquinho mais que nós para despertar, deixando-nos por alguns minutos num estado de semi-êxtase, antes e após o sono.

Lendo algum livro por distração, fazendo exercícios físicos, fazendo algum trabalho manual, durante um sermão na igreja ou uma reunião chata também são momentos propícios para a criatividade manifestar-se, já que o ego distrai-se e as deixa escapar do cercadinho do medo do ridículo.

Quando nova, toda boa ideia, que é aquela que realmente promove mudanças, tem um pouco do “ridículo” na sua essência, já que a noção do ridículo faz parte das ferramentas de controle do ego. O importante nessa hora é ter por perto algo que permita registrar a nova ideia – caneta, papel, gravador, etc – para poder refiná-la mais tarde.

Quando o ego relaxa, a criatividade goza. Mas quando ele desperta, faz de tudo para limpar a aparente bagunça que é o processo criativo, inclusive varrendo as novas ideias para baixo do tapete do esquecimento. [Webinsider]

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Sobre o Autor

<strong>Eduardo Zugaib</strong> (falecom at eduardozugaib.com.br) é profissional de comunicação, escritor e palestrante em criatividade aplicada ao crescimento pessoal. Mantém o site <strong><a href="http://www.eduardozugaib.com.br" rel="externo">Eduardozugaib</a></strong>.

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    Publicada em: 17/03/2009 11:15
    Impresso em: 28/11/2009
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