Tecnologia

TV digital no ar: recepção ou decepção!

18/03/2009 12:52

Por: Paulo Roberto Elias

A transmissão de sinal digital terrestre irá silenciar a transmissão analógica correspondente. Conhecer a DTV e como recebê-la ajudará a diminuir ou eliminar o trauma desta mudança.

Existe um apelo intrínseco na recepção de televisão digital, seja lá em que sistema for: chama-se HDTV.

Mas, a migração da transmissão analógica terrestre para a digital envolve um outro aspecto, de natureza estratégica: a transmissão analógica vai acabar em algum momento do futuro.

No Brasil, ainda resta muito tempo, mas em outros países, como, por exemplo, os Estados Unidos, a parada recente da TV analógica transmitida por algumas emissoras deixou muita gente sem ver televisão, o que é profundamente injusto, quando se considera que as áreas sem cobertura de sinal digital por lá ainda são muitas.

No Brasil, estima-se existir cerca de 96% de domicílios com pelo menos um aparelho de televisão, na região sudeste, e cerca de 88 a 94% nas outras regiões. Isso, somado ao baixo poder aquisitivo de uma parcela significativa desta mesma população, tornará o processo de migração do analógico para o digital um problema de proporções consideráveis.

A mudança da transmissão analógica para a digital exige também a aquisição e instalação de um conversor, para todos os aparelhos de televisão que não estiverem equipados com o circuito de sintonia e o decodificador de sinal digital. Este conversor é na realidade um receptor completo, dotado de circuitos demoduladores e demultiplexadores, e potencialmente capaz de transformar o sinal original em algum sinal prontamente utilizável pelo usuário, de acordo com o tipo de televisão que ele tem.

O sinal digital transmitido vai ao ar modulado analogicamente em UHF (Ultra High Frequency), ocupando as faixas de frequência que vão do canal 14 ao canal 69 (470 a 806 MHz), mas somente 6 MHz são destinados a uma dada emissora, que poderá usar esta faixa para transmitir um único ou vários sinais combinados, naquilo que é chamado de “multiprogramação”.

O sinal que sai da emissora tem o mesmo formato do sinal digital que sai de um DVD ou outra mídia parecida: a imagem é misturada (multiplexada) com o áudio, e ambas essas informações vão ao ar na forma de um único bitstream. Dentro do conversor, este sinal é separado (demultiplexado) e processado para ser entregue nas saídas de vídeo e de áudio do mesmo.

Na tentativa de tornar a instalação de um conversor a mais prática possível, eu compilei informações que o leitor irá ler abaixo, e que foram colhidas por mim de pessoas das áreas de engenharia de transmissão, de antenistas, de diversos suportes de fabricantes de antenas e de conversores, às quais eu ainda juntei a minha própria experiência e troca de informação com amigos, da instalação propriamente dita.

Para fazer isso, eu tive que suar a camisa (literalmente), no calor de verão do Rio de Janeiro, subir no telhado e montar uma antena adequada, e depois ligá-la a um conversor que eu comprei para este fim.

Trouxe comigo uma vantagem no fato de morar numa área próxima aos transmissores (que no Rio de Janeiro ficam no Morro do Sumaré), porém cercada de montanhas que me impedem ter uma visão direta. Tal fato me permitiu tirar algumas conclusões, que de outra forma não seriam possíveis, e que o leitor verá relatadas a seguir.

Note que a instalação de antenas deverá estar preferencialmente nas mãos de um profissional habilitado. As informações a seguir são, entretanto, para guia de etapas que qualquer usuário pode fazer em casa e/ou para ajudar o leitor a entender o que está se passando.

Escolha e instalação da antena

Para instalar um conversor de sinal digital, o primeiro passo é escolher a antena adequada. Devido à incipiência de conhecimento das condições de recepção do sinal digital, particularmente numa cidade cheia de acidentes geográficos, como é o Rio de Janeiro, o mais prudente e aconselhável é escolher uma antena UHF externa, com bom ganho e direcionalidade.

Porém, é preciso ficar claro para o leitor que não existe fórmula mágica nem antena que sirva duas pessoas ao mesmo tempo, em nenhum lugar deste país. Isso, na prática, quer dizer que a antena que funcionou muito bem na casa do seu vizinho do prédio do lado não irá funcionar necessariamente igual ou melhor na sua!

A escolha da antena deve ser feita com a orientação de alguém (revenda, fabricante ou antenista) que já tenha tido alguma experiência reunida nesta área. A antena mais apropriada para a recepção digital seria, em princípio, do tipo chamado de “toda a banda”, ou seja, ela é capaz de receber todos os canais de UHF em uso, ao mesmo tempo.

As antenas passivas (não amplificadas) são infinitamente mais baratas e, dependendo da construção, com rendimento elevado, principalmente nas áreas de sinal forte. Antenas com ganho de 14 dB costumam dar um excelente rendimento e nada impede que o usuário possa depois ligar a ela um amplificador que aumente este ganho.

A colocação da antena externamente ao local de moradia (telhado ou laje) aumenta as chances de sucesso na recepção. A antena deve, preferencialmente, apontar para a direção dos transmissores, mesmo que a linha de visão esteja bloqueada.

O sinal digital é mais fácil de captar que o analógico, porém ele sofre com a presença de qualquer obstáculo à sua frente (como árvores ou prédios). Os antenistas notam que, às vezes, o aumento do tamanho do mastro para elevar a antena pode significar a diferença entre receber ou não o sinal digital com eficiência. O que se consegue com isso é apenas eliminar obstáculos entre a antena e os transmissores.

Aqui ainda cabe uma advertência: todas as emissoras ainda estão em transmissão experimental neste momento. Isto quer dizer que o usuário, diante de alguma dificuldade de recepção, pode, num futuro próximo, ver esta mesma dificuldade contornada, quando as emissoras aumentarem o chamado “espalhamento” do sinal, que é na verdade o aumento da área de cobertura que a emissora alcança. Isto vai ser conseguido com o uso de “relays” (repetidoras), tal qual se observa hoje com a telefonia celular.

Escolha do receptor

A escolha do receptor exige mais paciência e mais prudência. A entrada deste produto no mercado é muito recente, e por causa disso não é incomum se achar erros de programação nos software internos (firmwares) desses aparelhos. Se o leitor quiser escolher sozinho o seu receptor, eu o aconselho a procurar as marcas que dão um bom suporte pós-venda, particularmente no que se refere a defeitos ou dificuldade de manuseio e à atualização do firmware.

No mercado brasileiro a fabricação de conversores se deu muito na base do OEM (um fabricante faz para o outro). Marcas como Semp-Toshiba, Philips, Aiko-Evadin, Zirok e outras, são todas baseadas no Zinwell ZBT-620, que também vende com a sua própria marca. Entretanto, as implementações variam de acordo com a marca e o modelo, e por isso é possível que marcas diferentes possam apresentar performance diferentes, apesar do hardware ser o mesmo. Seja qual for a marca, a atualização do firmware pode significar a diferença entre uma recepção correta e outra não existente, para alguns canais. Portanto, toda a atenção deve ser dada a este quesito, antes que o usuário conclua que não fez uma boa compra!

Escolha e instalação do cabo coaxial

O sinal captado pela antena desce num cabo coaxial de 75 ohms. Esses cabos são classificados de acordo com uma graduação que remonta a época da segunda guerra mundial, feita pelos militares, mas, que apesar de obsoleta, ficou em uso até hoje. O grau de qualidade é notado por RG (“Radio Grade”), seguida de um número de catálogo. Os tipos que mais comumente se aplicam ao sinal digital são o RG-59, RG-6 e o RG-11, com perdas menores nos dois últimos. Mas, na construção do cabo coaxial, existe uma malha externa, que leva o sistema ao terra (pólo negativo) e protege o sinal contra interferências ambientais, do tipo eletromagnéticas. A quantidade de malha é especificada pelo fabricante, e é de suma importância para a qualidade do cabo. Um bom cabo coaxial terá em torno de 67% de malha, enquanto que um de má qualidade terá algo em torno de 40%, por exemplo. Usar cabos desse tipo é jogar dinheiro fora.

O sinal capturado perde força, tão logo ele saia da antena. Os antenistas preferem usar cabos RG-6 ou RG-11, cuja perda é insignificante, para evitar perdas derivadas da extensão do cabo. Esta perda se faz notar nos canais de freqüência mais alta (entre 60 e 69).

Cabos RG-6 e RG-11 são bons, mas isto não quer dizer que um cabo RG-59 não possa nunca ser usado. Nos locais onde o sinal é forte, esta perda não é significativa, e nos casos onde os conduits são estreitos, o uso do RG-59 se torna particularmente útil.

Se a perda de sinal pelo cabo precisar ser evitada a qualquer custo, a melhor solução é usar um cabo RG-C 6, usado em telefonia celular.

Instalação do receptor

Uma vez o cabo conectado ao receptor, e com a antena numa posição inicial como a indicada acima, deve-se inicializar o módulo de detecção de sinais, porque, como vem de fábrica, o receptor estará com a memória das estações totalmente zerada. Este módulo é normalmente acionado no menu principal do receptor, com o rótulo de “instalação”. O receptor varre toda a banda de UHF, procurando sinais digitais exclusivamente.

Note que o receptor pesquisa e armazena na memória os canais achados, de acordo com o canal efetivo de transmissão (canal físico), mas a emissora pode usar o que se chama de “canal virtual”. A Rede Globo, no Rio de Janeiro, por exemplo, usa o canal virtual 4, mas ela transmite de fato no canal 29. O objetivo disso é apenas facilitar a seleção do canal pretendido pelo usuário, que se acostumou com o número do canal analógico. Se o receptor não anular o número do canal virtual, é ele que fica valendo para o usuário, na hora de escolher o canal, e pode ser identificado quando se aciona o módulo de lista de canais no remoto.

Cada canal transmitido pode ser dividido em mais de um subcanal, de acordo com o uso da banda de 8 MHz usada pelas emissoras. Todos os subcanais são notados com um ponto seguido de um número. Normalmente, o primeiro subcanal de cada emissora é o “.1”, e portanto, seguindo o exemplo acima, a Globo fica no subcanal “4.1”. Se a emissora transmite apenas em um subcanal, os dígitos “.1” ou “.2”, etc., não precisam ser teclados no controle remoto, o receptor faz isso automaticamente.

Depois de armazenados todos os canais pela sintonia automática, é possível que outros canais novos apareçam. Nestas circunstâncias, é preferível adicioná-los pelo módulo de sintonia manual do receptor.

No modo manual, o usuário seleciona o canal físico desejado (e não o virtual) e o receptor indica dois tipos de informação, com o uso de gráficos de barra:

1 – a força do sinal recebido: esta barra mostra a quantidade de sinal captado pela antena, somado à perda do mesmo pelo cabo coaxial. Via-de-regra, quanto maior for este sinal, menores são as chances de problemas na recepção. Quando o receptor mede a força em percentagem, fica mais fácil avaliar a situação de cada canal. Geralmente, valores menores do que 50% tornam a recepção crítica e assim deixam de ser detectadas pelo receptor.

Os receptores possuem um circuito chamado de controle de ganho automático (AGC ou Automatic Gain Control). Pequenas diferenças na força do sinal são compensadas por este circuito, porém isto tem um limite, e neste caso o ganho do conjunto antena + cabo pode ser manipulado pelo usuário.

Nos locais mais distantes, o uso de um reforçador de sinais (“booster”) pode ser a solução para uma recepção satisfatória, mas em locais mais próximos das torres, o reforço de sinal poderá saturar o AGC, a ponto de a recepção ser interrompida. Uma solução intermediária seria o uso de um reforçador com sinal variável, que pode ser controlado pelo usuário, próximo ao receptor.

2 – a qualidade do sinal: o sinal transmitido esbarra em obstáculos, antes de chegar na antena, e isso pode significar a deterioração do mesmo. O erro de recepção se reflete principalmente na interrupção ou não reconhecimento de partes do bitstream, e isto é medido como taxa de erros de bits ou “BER” (Bit Error Rate). Quanto maior for a BER, menor será o valor indicado na barra e pior a qualidade do sinal. Valores percentuais muito baixos de qualidade do sinal impedem a recepção do sinal, mesmo que a força do mesmo esteja alta. Note que, em alguns casos, erros de bits são transmitidos pelas emissoras, e nestes casos o usuário nada pode fazer, a não ser esperar que o sinal seja regularizado.

O sinal de DTV usado no Brasil é muito robusto e inclui algoritmos que fornecem as chamadas informações redundantes, que são bits que podem ser usados pelo sistema de correção de erros do receptor. Acontece, porém, que existe uma tolerância nesta correção, e se ela ultrapassar um certo limite, a imagem começa a apresentar artefatos digitais, tais como a pixelização, o som fica mudo, e depois a tela fica preta, porque o receptor aciona um “muting” automático, que impede a transmissão de ruído.

O modo de sintonia manual, com esses medidores, também é muito útil para se reorientar a antena ou inserir módulos de amplificação na linha.

I-Plate e EPG

I-Plate (ou Information Plate) é uma espécie de crachá da televisão digital. Ao acionar “Info” pelo controle remoto, ou ainda quando uma emissora é inicialmente selecionada, o I-Plate é mostrado na tela, com informações captadas pelo receptor e outras fornecidas pelas emissoras.

Algumas dessas informações são úteis para o usuário, como por exemplo, a resolução da imagem transmitida pela emissora. Outras informações são de responsabilidade de cada emissora, como o horário e o nome do programa, o tempo decorrido do mesmo, etc.

No I-Plate se toma conhecimento do padrão de transmissão usado até agora pelas emissoras: o “FTA” ou “Free to Air”, que é a TV aberta e gratuita. A transmissão também poderia ser o tradicional “PPV” (Pay Per View), mas no caso brasileiro isto só será possível com a implementação do software de interatividade, do canal de retorno, e da autorização do governo.

O EPG (Electronics Program Guide) é um serviço prestado pelas emissoras, contendo a grade de programação. Futuramente, poderá ser usado para gravação de programas, mas nos modelos atuais, esta implementação vai depender da atualização do firmware.

Qualidade da imagem

O usuário lê no I-Plate a resolução nativa da transmissão. Aqui no Rio, neste momento, todos os canais terrestres conhecidos estão transmitindo digitalmente em 1920 x 1080 pixels (1080i), e um canal alternativo, o Ideal SD, em 720 x 480 pixels (480i).

O sinal nativo de 1080i é de alta definição (HDTV), porém a emissora é quem decide se vai fazer uso desta qualidade ou não. Ela pode transmitir sinais de qualquer resolução abaixo dessa, em 16:9 ou 4:3, sem que o usuário precise ajustar nada na TV ou no receptor.

O sinal nativo de 480i (resolução standard) pode ser transmitido em 16:9, mas se for em 4:3, o usuário de tela 16:9 deve fazer uso do ajuste de formato de tela do receptor, e se necessário, da TV. No canal Ideal SD, por exemplo, o ajuste que eu fiz foi para “Pillar Box” (barras laterais pretas) no conversor.

O sinal de vídeo do conversor é melhor aproveitado em telas de resolução alta. O mínimo recomendado é 720p (ou WXGA), chamada de “HDTV ready” pelos fabricantes. Telas em 1080p (“Full HD”) receberão o sinal de HDTV (1080i) e farão ajustes para o desentrelaçamento da imagem (“i” é sinal entrelaçado). Neste ponto, tanto faz o usuário usar cabos de vídeo componente ou HDMI, tudo vai depender da qualidade do processador interno da TV. O cabo HDMI tem a vantagem de carregar áudio e vídeo, simplificando a instalação.

Com um bom processador interno na TV, a diferença de qualidade deverá ser insignificante ou nenhuma. Mesmo assim, o usuário deve escolher qual será a resolução de saída do receptor, que nada tem a ver com a resolução nativa da transmissão. Se a TV em uso for mais moderna, deve-se começar com 1080i e depois ir baixando para 720p e 480p. Em aparelhos de TV mais antigos, é bastante provável que o sinal aceito seja de 480i, e neste caso, não será útil usar cabos de alta resolução, como vídeo componente ou HDMI, mesmo que o fabricante liberasse 480i nessas saídas.

Qualidade do áudio

Não adianta chorar, porque o áudio multiplexado no padrão brasileiro é o HE-AAC (AAC+) e os conversores, por enquanto, se furtaram em implementar um algoritmo que transcodifique a saída digital para alguma coisa útil, como Dolby ou DTS!

Alguns dias atrás, um executivo da Rede Globo declarou à imprensa que a emissora aproveitou o carnaval e alguns jogos de futebol para testar o som 5.1 surround, junto com as imagens HDTV. O mesmo executivo ressaltou, porém, que o esforço não foi aproveitado por ninguém, por causa da ausência de hardware adequado.

As emissoras transmitem em mono a maior parte do tempo. Além disso, no conversor que eu usei, o áudio é subjugado ao controle de volume do receptor, inclusive na saída digital, o que torna o transporte do sinal para um processador externo (amplificador ou receiver) totalmente inútil! Na saída digital do meu conversor, tanto faz escolher AAC ou PCM, que tudo vai acabar como PCM na entrada do receiver, e note que eu me refiro à SPDIF (coaxial) e não HDMI.

A implementação do transcodificador de áudio nos receptores atuais é possível por uma atualização de firmware. Mas, deve existir uma contrapartida das emissoras, caso contrário este esforço vai ser inútil. Como é inútil a presença da opção MPEG-2 na saída de áudio do receptor que eu usei, já que este codec só está em uso no DVB-T Europeu.

Considerações finais

Com tão pouco tempo no ar, é natural que problemas técnicos tanto no lado do consumidor, quanto principalmente das emissoras, apareçam em profusão.

É preciso levar em consideração que estamos lidando com um sinal de alta qualidade, porém de natureza entrelaçada. Por causa disso, não deve causar espanto a presença de artefatos de movimento, ou artefatos digitais diversos, tão conhecidos de quem usa DVD há mais de dez anos. As telas de LCD ou plasma recentes são capazes de minimizar estes tipos de artefatos, através de processadores cada vez mais velozes e versáteis, mas mesmo nesses casos existe um limite de desempenho, que pode ser notado.

Os artefatos de movimento são bem mais visíveis quando objetos na tela se movem lateralmente. Este é o motivo pelo qual várias emissoras norte-americanas preferem transmitir eventos esportivos com sinal de 720p, ao invés de 1080i. Em princípio, o sistema brasileiro poderia transmitir em 720p também, mas ainda não existem indícios da viabilidade técnica ou do interesse das emissoras em fazer isso.

No lado das emissoras, todos esses problemas são ainda mais complexos, por causa da alternância entre sinais de baixa e alta resolução, tanto na fonte geradora, quanto na transmissão. Existem momentos em que o sinal de câmera chega à casa do usuário em 16:9 e 480i, com uma qualidade bem pior do que a de um DVD, mesmo sem upscaling. Esses são ajustes que os técnicos vão fazendo aos pouquinhos.

A imagem padrão (480i, 4:3) da televisão do ar analógica é muito melhor recebida com o uso da transmissão digital. Em alguns casos, quando a emissora usa câmeras de melhor qualidade, a diferença chega a ser gritante. E o usuário pode notar isso, particularmente no contorno das figuras exibidas na tela.

No quesito áudio, neste momento, e com os conversores disponíveis, a transmissão digital perde de 10 a 0, na minha opinião, para as emissoras de TV a cabo ou satélite, que usam PCM 48 kHz e Dolby Digital (2.0 ou 5.1) nativos.

Uma limitação deste momento bastante drástica na televisão digital brasileira é a ausência de opções de transmissão e programação. Espera-se que pelo menos parte deste problema seja sanada, com a introdução da multiprogramação (um mesmo canal, transmitindo outros programas, em subcanais diferentes).

Mas, à multiprogramação, se junta outro problema, felizmente mais fácil de corrigir: o da multiplicidade de transmissores. Isto pode ser evitado, com o uso do chamado “operador de rede”, que é uma entidade capaz de receber sinais de várias emissoras e de transmiti-los através de um sistema só. Consegue-se uma economia grande, o que é importante para emissoras de pequeno porte, e se facilita a recepção para o espectador.

Eu creio que o caminho lógico para a DTV deste país é alcançar um público maior e diversificado, e isto somente se consegue com uma abertura e uma maior variedade da grade de programação. Esse objetivo está presente nas TV’s por assinatura, que oferecem um maior número de canais, incluindo canais internacionais, mas isso vem com um custo elevado, para o padrão de consumo da população brasileira. Com a DTV o custo disso seria zero, mas se esbarra em problemas políticos e administrativos, que, convenhamos, não são fáceis de resolver.

As emissoras públicas (TV Câmara, TV Senado, TV Justiça) ocuparão canais superiores (60 e acima) e serão subjugadas ao operador de rede, conforme protocolo do governo federal, publicado em 28/11/2008.

Já a TV Brasil, que é administrada de outra maneira, irá operar no canal 41 no Rio de Janeiro, da mesma forma que as emissoras comerciais, ocupando a banda completa de 6 MHz, e com sinais de alta definição. Neste momento, tudo o que eu sei é que os transmissores começam a ser montados em futuro imediato, com término previsto para daqui uns dois meses.

Engenheiros da emissora acreditam que tudo estará terminado (estúdio mais transmissores) em torno de setembro deste ano. A operação da TV Brasil é importante, na minha opinião, para oferecer programação alternativa e potencial qualidade cultural, em relação à programação comercial das outras emissoras. [Webinsider]

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Sobre o Autor

<strong>Paulo Roberto Elias</strong> é professor aposentado da Faculdade de Medicina da UFRJ, hobbyista em áudio e vídeo, Mestre em Ciências (M.Sc.) e Ph.D. em Bioquímica. Manteve, até recentemente, o site Miragem, cujos artigos podem ser <strong><a href="http://webinsider.uol.com.br/index.php/artigos/tags/arquivo-miragem/">lidos aqui</a></strong>.

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    Publicada em: 18/03/2009 12:52
    Impresso em: 28/11/2009
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