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Sobre design, interação e o poder da comunidade

12/02/2009 21:26

Por: Amyriz Fernandez

O cliente tem sempre razão? O pessoal do Drupal resolveu fazer um projeto de redesign e aceitou contribuições da comunidade. Pode ter sido meio complicado, mas valeu a pena e deixou algumas lições.

Uma das frases mais repetidas há alguns anos atrás era: “o cliente tem sempre razão”. Acontece que os profissionais de qualquer empresa, em qualquer mercado, sabem que isso nem sempre é verdade.

Para evitar descompassos de comunicação entre as partes (é, parece texto de advogado), foi preciso criar políticas claras, onde a empresa deixava claro até onde iam os direitos do cidadão.

Trazendo tudo isso para o trabalho de criação de interfaces, trata-se sempre de uma sequencia (quase) linear de passos, com iterações (vulgo consertos) esporádicas, na medida do budget e tempo do projeto.

Não dá para fazer todos os testes, em diversas fases do projeto, como querem os puristas. Não há dinheiro que chegue e o tempo é sempre o recurso mais escasso. Resultado, eventualmente se faz um teste, em algum momento do projeto, com um número limitado de participantes. Sendo assim, os designers e demais profissionais envolvidos no projeto não dividem o projeto com a sua comunidade.

Ouvindo o público interessado

Agora, imagine colocar seu novo projeto de interface para discussão tendo como apoio:

Pois é… o pessoal da Drupal.org fez isso. Para quem não está familiarizado, Drupal é um sistema de gerenciamento de comunidades, com código aberto, à imagem e semelhança do modelo Linux.

Seu primeiro site foi criado em 2001. Em 2005, foi modificado apenas com os inputs internos (que é chamado de gerenciamento por comitê). Em 2008, os dois líderes do projeto de redesign do site da comunidade Drupal - Mark Boulton e Leisa Reichelt - resolveram fazer o redesign solicitando os inputs da comunidade (gerenciamento por comunidade).

Chocado? Bem, então eu convido o leitor para visitar o blog e ler os inputs da comunidade desde o início do projeto. Há coisas ótimas, criativas, que parecem ter o claro propósito de contribuir para o bem da coletividade.

Entretanto, há sinais claros de imaturidade de alguns dos participantes. É como se essas pessoas não se dessem conta que o tom de voz transparece em cada palavra escrita, e agride. Não contribui, não ajuda e, em parte, desestimula outras pessoas a continuar a ler e contribuir.

Tive a oportunidade de conversar com a Lisa Reichert recentemente. Segundo ela, em algumas situações ela se sentiu muito mal por causa desses comentários. Porém, num dado momento do projeto, algumas coisas ficaram claras:

Particularmente, creio que é uma grande ideia, muito bem executada, mas pode não servir para projetos onde sigilo e surpresa são parte do negócio.

Ah! Um último ensinamento da Lisa: “design não é democracia, seja dono do seu projeto!” [Webinsider]

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Sobre o Autor

<strong>Amyriz Fernandez</strong> (amyris@usabilityexpert.com.br) é especialista em linguagem mobile e games e comportamento do consumidor diante de tecnologias e inovação. Doutora em comunicação e mestre em comércio eletrônico, dirige a <strong><a href="http://www.usabilityexpert.com.br" rel="externo">Usability Expert</a></strong>.

Url original: http://webinsider.uol.com.br/index.php/2009/02/12/sobre-design-interacao-e-o-poder-da-comunidade/
    Publicada em: 12/02/2009 21:26
    Impresso em: 28/11/2009
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