Por que a pirataria desagrada uns e alegra outros?
09/04/2009 12:55Por:
A digitalização dos conteúdos facilita a livre cópia e distribuição de conteúdos. Sem entrar na questão do direito autoral, a derrocada do modelos top of the pop traz uma descentralização positiva.
Quais os efeitos da distribuição de conteúdo e de entretenimento gratuitos hoje em dia? Em qual ferida se está mexendo quando lidamos com esse assunto e quais estruturas são abaladas com essa nova experiência que vivenciamos?
Passamos por um período pop bem no estilo capitalista de ser, onde os mais populares eram ditados por ranking da mídia, os chamados tops - Top 10, Top 40, top isso e aquilo. O importante era ser top de alguma coisa para ter credibilidade e sucesso. Os tops eram frutos do que a mídia queria vender naquele momento e os formadores de opinião simplesmente colocavam goela abaixo os interesses próprios. Os famosos hits.
Com a quebra da tirania dos hits, o efeito cauda longa e a web 2.0 ocorreram mudanças significativas no modelo do mercado atual. Ou melhor, as mudanças ocorrem a todo instante, em um rumo novo que re-adequa a estrutura de negócios em muitos aspectos. Uma delas é a questão da livre escolha de consumo, que reflete nas listas e curvas dos itens mais comprados.
Se antes tínhamos os tops, os hits, os hots e os mais-mais, agora esta influência perde o sentido, deixando os produtos menos pasteurizados e mais direcionados a nichos específicos. Isso é cauda longa.
Tá, mas o que isso tem a ver com pirataria?
Tudo, pois uma vez que os produtos não são mais vendidos e sim distribuídos gratuitamente ou vendidos a baixíssimo custo, o consumidor não precisa mais seguir a onda do modismo. Sempre que quiser algo, ele vai lá e busca, compra conforme seu gosto.
O modelo de best-selers torna-se cada vez mais capenga. Não ligamos mais para os campeões de audiência e a pasteurização segue em níveis muito baixos. Por que o Jornal Nacional perdeu audiência nos últimos 10 anos? Não foi a qualidade do jornalismo que caiu, foi?
Realmente não, o jornal pode estar até melhor. O fato é que o conteúdo que antes era quase que obrigatório por falta de opção agora é um pouco menos relevante, ou seja, a procura por assuntos mais relacionados ao usuário torna se uma realidade e desvia a audiência para conteúdos de nicho.
Antes um filme se tornava almejado porque foi indicado ao Oscar, hoje ele vai ao Oscar porque foi muito almejado.
Então a pergunta que não quer calar: independente das questões legais, por que a pirataria não agrada aqueles que vivem da pasteurização dos produtos e serviços consumidos?
Aqueles que controlam os índices de popularidade se veem agora com um abacaxi para descascar do tamanho do próprio negócio, que estava acomodado neste sistema antiquado. Ou seja, ou remodelamos o próprio negócio de forma a atender nichos e ganhamos no longo prazo com produtos específicos ou assistimos o percentual das vendas caindo dia a dia com a nova tendência do mercado. [Webinsider]
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