Negócios

Porque o Chrome seria um mau passo para o Google

07/09/2008 22:04

Por: Edison Morais

Nosso amigo considera o lançamento do Chrome, o browser do Google, um rompimento com a proposta da empresa e um sinal de expansão e monopólio. Você concorda?

O Chrome é o navegador do Google lançado na semana passada, com a promessa de ser rápido nas páginas que executam muitos JavaScripts. O assunto aqui não é discutir a qualidade do produto em si, mas apenas discursar em como o fato de o Google lançar um browser pode ser prejudicial para ele mesmo, pois aponta incongruências no perfil da empresa.

1. Não se encaixa na missão do Google

A missão do Google declaradamente é organizar a informação do mundo. Um browser não faz nada disso como serviço. Já se notava um desvirtuamento dessa função, pela compra e lançamento de mais serviços. Um serviço como o Google Maps se enquadra em sua missão, pois está fazendo a organização cartográfica do mundo, mas quando o serviço é o Google Docs, não há muito sentido comprar uma empresa que já faz o serviço para transpô-lo nos servidores do Google.

2. Chama a atenção para o seu monopólio

O Chrome não esbanja recursos. É leve e por isso não vai ter as extensões do Firefox nem outras funcionalidades, como leitor de RSS integrado. Isso porque o Chrome foi desenhado para privilegiar aplicações web, em especial as cheias de JavaScript como as do Google. É possível até criar um atalho no desktop para o Gmail ou Google Calendar, por exemplo.

Já é possível passar quase todo o seu tempo online navegando nos servidores do Google. Uma checada nos e-mails do Gmail, depois as notícias do Reader, conferir no Google Agenda o horário de uma reunião e o endereço de destino no Google Maps. Um software (browser) para navegar preferencialmente nessas aplicações só reforça essa idéia.

3. Deixa sem sentido a parceria com a Mozilla

O Google sempre ajudou a Fundação Mozilla, a instituição por trás do Firefox. O espírito de parceria e cooperação entre as duas empresas fica um pouco estranho após o lançamento do Chrome.

Mesmo sabendo que o Chrome se apóia em plataformas e tecnologias do Firefox e do Safari, e também que foi renovado até novembro de 2011 o contrato de cooperação da Fundação Mozilla com o Google, parece óbvio que os esforços em inovação do próprio Google serão mais direcionados para o seu navegador próprio.

O Firefox, mesmo com grandes ações de marketing voluntário de sua comunidade, pena para conseguir mercado. E o Google lança um navegador para complicar a história.

Não estou certo se o Chorme é um concorrente direto do Firefox. Mas fugir do seu core-business para lançar um produto concorrente ou substituto de um empresa com a qual coopera está um pouco longe do mote Don’t be Evil (não seja malvado) da empresa.

4. Privacidade

O Chrome segue a linha de usabilidade dos serviços web que resulta em uma interface limpa e intuitiva. Tudo claro para o usuário final, como o histórico mais fácil de acompanhar com data e hora. Mas não fica claro onde estão sendo armazenados esses dados.

O foco para web apps, a falta de uma documentação mais completa, e a similaridade com o Web History (online) aumentam a preocupação com a privacidade no Chrome.

Isso sem contar as partes estranhas do Termo de Serviço do Chrome.

5. Vem planejando há tempos

Quem acompanha os lançamentos de serviços do Google, como o Gmail, e o Google Calendar (ou Google Agenda) sabe que primeiro ele lança o serviço em inglês e depois adapta em outros idiomas, inclusive com tutoriais no YouTube em outros idiomas. Só que dessa vez o lançamento foi mundial e em vários idiomas. Somando com o tempo de desenvolvimento de um navegador, isso já estava nos planos do Google há um bom tempo.

Quando é um software, como o Google Talk, e o Google Desktop, normalmente ele é divulgado no Google Labs, e não na home do Google.

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É reamente raro e estranho esse tipo de divulgação para um produto novo e tão polêmico. Para aparecer o link de divulgação em uma das páginas mais acessadas da internet, o Google deve ter grande fome por uma fatia no mercado dos navegadores.

Conclusão

Na minha opinião, com um navegador o Google rompe de vez com sua missão e seu mote. Se por ventura o Google mudar algum desses itens para se adequar a seu novo posicionamento, é difícil e dá medo pensar no que pode vir. [Webinsider]

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Sobre o Autor

<strong>Edison Morais</strong> (contato@edisonmorais.com) é um entusiasta da internet. Pesquisador de SEO, mídias sociais e também do impacto que a internet e a tecnologia têm nas vidas das pessoas, mantém o blog <strong><a href="http://conexoes.edisonmorais.com/" rel="externo">Conexões</a></strong>

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    Publicada em: 07/09/2008 22:04
    Impresso em: 28/11/2009
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