Redação, edição - Comportamento - Redes sociais

Duas ou três coisas que faltava dizer sobre o Twitter

12/09/2008 14:48

Por: Edison Morais

Na prática, em vez de relatar “o que estou fazendo”, as pessoas passaram a sintetizar “o que estou pensando”, o que faz muita diferença. Entenda outros usos que você pode fazer do microblog.

Faz pouco mais de um mês que Juliano Spyer fez aqui mesmo no Webinsider um artigo sobre o Twitter. Muito tenho a concordar com ele, mas acredito que posso complementar alguns pontos que observei e tornar a discussão um pouco mais rica.

O Twitter é uma ferramenta de microblog, ou seja, de blogs cujos posts são em formato reduzido de 140 caracteres. Tudo bem, mas isso não explica o serviço. O Twitter é algo tão difícil de entender para quem está de fora, e ao mesmo tempo tão difícil de explicar.

Talvez o maior engano das pessoas, quando se fala de (micro)blog, é pensar que vai entrar em uma página do Twitter e encontrar um assunto. Assim como há blogs sobre tecnologia de automóveis, há microblogs de carros no Twitter. Mas não é o uso mais comum e o visitante fica sem entender o que é aquele tanto de arrobas seguidos de nomes entre outras coisas.

Abaixo divido em categorias alguns aspectos do Twitter para ficar de compreensão mais fácil.

Conteúdo

É importante entender que o Twitter em si não é a mensagem, é o meio. Ou melhor, não é conteúdo, é uma ferramenta. O conteúdo é o contexto que estamos vivendo, mas com a diferença que os posts são altamente subjetivos e assim refletem a vida de quem escreve.

Se seguirmos alguém que estuda redes sociais, teremos a observação da realidade sob o filtro de um pesquisador do assunto, que vai fazer posts diferentes de um jornalista.

Muita gente não entrou no Twitter por um certo preconceito com a proposta inicial do serviço, que é responder a frase “O que você está fazendo?”. Em tese, seria um serviço fútil, uma perda de tempo entre outras coisas. Acontece que as pessoas fazem o uso da ferramenta da forma que acham melhor - e já fazem isso.

Ao invés de “o que estou fazendo”, percebo que as pessoas respondem “o que estou pensando”. Algo mais profundo que permite conhecer a pessoa por um prisma mais rico.

Imediatismo

Acho que atualmente nada pode representar melhor que o Twitter a cultura do imediatismo. Os posts são na linguagem mais informal e enxuta possível e não há a preocupação em desenvolver uma linha de raciocínio complexa. São drops de pensamento soltos por aí. Às vezes vemos um pouco a relação blog com microblog - quando o que se quer mostrar ao mundo é algo simples, mas relevante, é melhor lançar o material logo no Twitter e depois, se preciso, desenvolver um raciocínio no seu blog.

O conteúdo é momentâneo e reflete o período que estamos passando. Isso justifica a possibilidade de postar do celular e a cobertura de eventos com as hashtags (#). Olhar os posts do Twitter do ano passado só é válido para fins históricos, como olhar o primeiro e-mail recebido na caixa de entrada; a relevância é quase nula.

Cultura

Acredito que o Twitter deu certo pois foi lançado na época certa. No início da internet, por exemplo, suas chances de sucesso seriam mínimas.

Quem acompanha o Twitter já tem os olhos treinados para várias mensagens curtas de fontes diferentes. É provavelmente a pessoa que lê títulos de outdoors e placas de rua rapidamente sem bater o carro, um reflexo de nossa adaptação ao excesso de informação que vivemos.

Sociabilidade

Eu costumo dizer que só participando por um tempo é que o novato irá sentir o espírito do Twitter e desenvolver conversações.
Antes de entrar no serviço, olhava as páginas individuais e pensava que se quisesse acompanhar, era só pegar o feed RSS da página da pessoa. Estava enganado.

Embora seja possível acompanhar por feeds, você não está naquela rede, não pode receber respostas (o arroba antes do nome). Com o tempo, interagindo, é que se começa a ver um sentido naquilo tudo.

O Twitter é a ferramenta e o conteúdo é o resultado do conjunto diferente de personas (os perfis podem ser personagens) que você segue. Logo, a experiência com o Twitter será única. É uma experiência individual, ainda que de caráter coletivo.

Normalmente, quem entra no Twitter é porque conhece alguém e só segue essa pessoa. Aí fica chato. É praticamente como ler o RSS. É preciso seguir mais pessoas, mesmo que não conheça, para sentir uma conversação entre as pessoas ocorrendo.

No Twitter você não pode só ouvir, você tem que dizer, acrescentar à conversação global.

Principais usos do Twitter

Como dito, cada um faz do Twitter o uso que desejar, mas é possível distinguir alguns usos comuns:

O Twitter é definitivo?

Difícil dizer. O conceito tende a se popularizar e possivelmente vamos utilizar cada vez frases mais curtas como forma de expressão. Mas quanto aos concorrentes, o Twitter teve muitos problemas de estabilidade e os participantes até começaram a procurar alternativas, como o Jaiku e o Plurk, que ainda não vingaram.

Primeiro pela massa crítica. É muito difícil acontecer de todos os seus contatos do Twitter decidirem migrar para a mesma plataforma alternativa na mesma época.

Em segundo lugar, também surgiram muitos serviços e mashups usando a API do Twitter - e migrar para um serviço que ainda não tem essas possibilidades é perder boa parte da graça do serviço.

E finalmente, Twitter já virou sinônimo do tipo de serviço de microblog, assim como Bic para caneta e Gilette para lâmina de barbear.

Espero que com esse artigo o espírito que tornou o Twitter popular tenha ficado mais claro - e que você dê uma chance a ele, se ainda não deu. [Webinsider]

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Sobre o Autor

<strong>Edison Morais</strong> (contato@edisonmorais.com) é um entusiasta da internet. Pesquisador de SEO, mídias sociais e também do impacto que a internet e a tecnologia têm nas vidas das pessoas, mantém o blog <strong><a href="http://conexoes.edisonmorais.com/" rel="externo">Conexões</a></strong>

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    Publicada em: 12/09/2008 14:48
    Impresso em: 28/11/2009
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