Comportamento - Criação

Errando na mosca: quando o outro não entende nada

27/06/2008 9:44

Por: Eduardo Zugaib

Mais que acreditar em uma idéia nova, é fundamental encontrar os argumentos que as tornam críveis, de forma a acelerar a percepção daqueles a quem as submeteremos.

Idéia inovadores, que promovem quebra de valores e revoluções na vida das pessoas comuns, costumam sofrer, num primeiro momento, a reação de um ceticismo que pode ser assustador. Mais que alinhar a mente ao vetor da criatividade, buscando sempre novas idéias, é fundamental também aprimorá-las e, principalmente, encontrar argumentações fortes para defendê-las.

A razão dessa reatividade? A zona de conforto e o medo de mudanças em que todos nós, cedo ou tarde, nos metemos. E o pior: muitas vezes sem percebermos. Aceitar pequenas alterações na nossa forma de pensar e agir já é algo trabalhoso. Que diremos de aceitar grandes mudanças, aquelas capazes de transformar a vida e alterar o ritmo das coisas ao nosso redor. Muitas vezes, quem se deixa levar pela reação ao novo, pode acabar errando na mosca.

Voar com máquinas mais pesadas do que o ar é inviável e insignificante, se não impossível”. Acredite se quiser, mas tal frase foi pronunciada por um astrônomo famoso à sua época, Simon Newcomb, em 1902.

Harry Warner, um dos Warner Brothers, em 1927 também julgou premeditadamente e errou feio quando perguntou “quem diabos iria querer ouvir um ator falar”, num momento em que, por pura falta de tecnologia, ainda imperava o cinema mudo.

Thomas Watson, presidente da IBM em 1943, tinha lá suas razões para afirmar que “no mundo não haveria mercado suficiente para mais que cinco computadores”. Tudo bem… a época era um tanto limitada em se tratando de informática. Mas o que dizer da afirmação de Ken Olsen, presidente da Digital Equipment Corporation, já em 1977: “Não há qualquer razão para as pessoas terem um computador em casa”.

Em 1962, John, Paul, Ringo e George saíram cabisbaixos da Decca Records, ao ouvirem de um dos seus principais executivos que “os grupos com guitarras já estavam acabando. Obrigado e passar bem!”. Já imaginou se os Beatles desistissem ali, e cada um procurasse seu canto, para ocupar-se com uma atividade que não lhes rendesse prazer?

Em tempos de I-pod, MP3 players e outras tecnologias, é também no mínimo curioso saber que, em 1808, um dos grandes inventores do mundo subestimou a capacidade de sua própria idéia. Tomas Edison, o “gênio da lâmpada”, após criar o fonógrafo, deprimiu-se ao constatar que tal aparelho não tinha valor comercial.

Mais do que criar, é preciso acreditar. Mais que acreditar, é fundamental encontrar, ainda hoje, os argumentos que tornam nossas idéias críveis, acelerando a percepção daqueles a quem as submeteremos. Pode ser que, quando estiverem prontos para entendê-las, alguns dias, meses ou anos já tenham se passado. [Webinsider]

.

Sobre o Autor

<strong>Eduardo Zugaib</strong> (falecom at eduardozugaib.com.br) é profissional de comunicação, escritor e palestrante em criatividade aplicada ao crescimento pessoal. Mantém o site <strong><a href="http://www.eduardozugaib.com.br" rel="externo">Eduardozugaib</a></strong>.

Url original: http://webinsider.uol.com.br/index.php/2008/06/27/errando-na-mosca-quando-o-outro-nao-entende-nada/
    Publicada em: 27/06/2008 9:44
    Impresso em: 28/11/2009
[editor] vtardin@webinsider.com.br