Redação, edição - Carreira

Jornalismo online: me engana que eu gosto

13/03/2008 11:41

Por: Bruno Rodrigues

Para os jovens profissionais a idéia de fazer jornalismo online é atraente. Mas a realidade dos salários não é.

Ao participar como palestrante do Seminário ‘O Mercado e O Ensino do Jornalismo Online’, promovido pelo site ‘Jornalistas da Web’ há alguns dias, fiz o papel do que precisa trazer para o mundo real aqueles que querem tapar o sol com a peneira.

Para mim, não é tarefa fácil. Tenho vocação para bonzinho, sou visto como paciente, gosto de ver sempre o bom lado de tudo e quando o assunto é internet, minha tendência é falar e endeusar as vantagens da web. Mas há 1) um limite, 2) o lugar certo e 3) o público certo para minha persona ‘especialista em informação para a mídia digital’ agir.

Frente a frente a um público de jovens adultos, a maioria entre 20 e 30 anos, e também sabendo que estava falando, ainda que a distância (webcast), por um imenso público da mesma faixa etária espalhado pelo Brasil e pelo mundo, não era a hora, nem o lugar.

Minha missão, ali, como conhecedor do mercado e quarentão, era alertar o público, chamar atenção para o lado bom e o péssimo de um mercado que funciona igualzinho a qualquer outro, não é privilégio da Comunicação.

Para um auditório calado (e visivelmente incomodado), expliquei que existem dois aspectos no Jornalismo online: as características do trabalho e a situação do mercado.

Sobre como o dia-a-dia do jornalista web funciona, vale a pena participar de seminários e listas de discussão, devorar livros sobre o tema e ouvir o que especialistas ao redor do planeta têm a dizer sobre uma área que ainda está em sua infância. Até aí, tudo é lindo, e é parte da rotina de quem deseja ficar em dia com um conhecimento que evolui a cada mês, literalmente.

Se deixar, fica-se congelado a vida inteira neste lado da história. Você faz graduação, MBA, mestrado, doutorado e nunca encara o mercado de trabalho. São poucos, em mídia digital, que abraçam a vida acadêmica por vocação. Muitos têm – sinto dizer - é medo, mesmo.

Medo de encarar um mercado que, embora novo, é restrito no mundo inteiro. No Brasil, conta-se nos dedos os noticiosos online que periodicamente criam vagas – vagas, não uma vaga de vez em quando - que consigam absorver as centenas de recém-formados (ou até experientes) que as perseguem todo santo ano.

Além disso, a tendência, de 2006 para cá - todos sabemos - é a fusão das redações tradicionais com as online, e neste processo todos são treinados a lidar com ferramentas de multimídia – edição de áudio e vídeo, utilização de publicadores, noções de webwriting, usabilidade e arquitetura da informação, orientação sobre blogs e criação de comunidades, lições de como lidar com o jornalismo participativo e outras ‘cositas más’.

A um público cada vez mais tenso e silencioso, toquei na ferida: dinheiro. Muitos dos que me ouviam serão, daqui a alguns anos, pais e mães de família, terão que pagar a escola do filho, a prestação da casa própria, o plano de saúde. Ninguém vive para sempre na casa dos pais e, para a maioria, morar sozinho é uma fase que dá e passa, naturalmente.

E, todos sabem, as redações brasileiras não são exatamente o Eldorado em relação a salários. Fosse a realidade apenas das
redações offline (enquanto elas ainda existem à parte), poderíamos ir em frente tranqüilamente, mas o mundo do jornalismo online brazuca paga mal, igualzinho ao que acontece com nossos irmãos mais velhos.

A saída? Perceber que o bom salário está:

Dei meu recado e passei a bola para o palestrante seguinte, quase podendo ‘tocar’ no silêncio do auditório. Fechei o papo dizendo que ‘passamos muito tempo falando do nosso filho feio e burro, é a hora de colocar na roda o filho bonito e inteligente’.

E lá fomos nós todos, palestrantes e platéia, animadíssimos, falar sobre o fantástico admirável mundo novo do Jornalismo online pelo resto da noite… [Webinsider]

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Para você, duas boas dicas de cursos:

- Quem quiser ficar por dentro dos segredos da redação online e da distribuição da informação na mídia digital, é só entrar em contato pelo e-mail extensao@facha.edu.br ou ligar para 0xx 21 2102-3200 (ramal 4) para obter mais informações sobre meu curso ‘Webwriting & Arquitetura da Informação’. As aulas da próxima turma, que terá início em 01/04, serão ministradas no Rio de Janeiro, ao longo de seis terças-feiras à noite, em Botafogo.

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Sobre o Autor

<strong>Bruno Rodrigues</strong> (bruno-rodrigues@uol.com.br) é autor do livro 'Webwriting' e consultor da Petrobras.

Url original: http://webinsider.uol.com.br/index.php/2008/03/13/jornalismo-online-me-engana-que-eu-gosto/
    Publicada em: 13/03/2008 11:41
    Impresso em: 28/11/2009
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