Movidos pela informação e pelas não-atividades
14/02/2008 14:15Por:
Nossa amiga foi ao Campus Party e ficou de enviar um relato para nós que não pudemos ir. Resultado: procrastinou bastante, viu a imprensa como um peixe fora d'água e finalmente escreveu umas coisinhas.
Parar tudo para escrever para o Webinsider mais do que os 140 caracteres permitidos pelo meu blog é uma tarefa árdua nesta primeira edição do Campus Party Brasil. A sociabilidade amável contagia de tal forma cada um dos participantes do que é difícil dedicar mais do que dois minutos a cada tarefa. Freqüentemente somos interrompidos por um contato novo, um flashmob ou um repórter de televisão.
Entre uma foto ou outra, de um concurso de bolada na cara ou um almoço sem graça bem corrido, o tempo para pensar e registrar este evento de modo apropriado e é inexistente.
Em nome da rapidez, acabamos por deixar os peixes no aquário dos jornalistas da mídia tradicional e antiquada nos retratar do modo que melhor vende seus jornais: superficialmente e à uma distância antropológica. Sentimo-nos euforicamente injustiçados quando tratados como objeto de estudo. No entanto, quando deixar esta deliciosa procrastinação de lado para o registro mais duradouro do que é o Campus Party? É para isso que estamos aqui, não é? Para sentir o que acontece aqui?
O ritmo das não-atividades é intenso, mas por vezes fugaz. Dependemos da direção do evento e de alguma sorte em esbarrar em algo interessante. Enquanto temos a super aguardada e divulgada palestra de Ronaldo Lemos sobre Direito Digital, Heather Champ, Community Manager do Flickr, conversa descontraidamente com blogueiros nos puffs.
Ou enquanto nos acomodamos para as primeiras atividades do Barcamp, um grupo promove uma coletiva relâmpago sobre anti-monetização nos blogs.
Seja o que mais estiver acontecendo nas outras baias ao longo do segundo andar do prédio da Bienal, não poderemos registrar tudo da melhor forma ou do jeito mais completo, mesmo utilizando todas as melhores ferramentas disponíveis de compartilhamento de informação.
E há várias prontas para isso. Praticamente todos são blogueiros, twitteiros e possuem contas no Flickr, ou no mínimo são espertos o suficiente para aprender uma nova ferramenta de interação rapidamente. Não é de fato o objetivo de cada um aqui. O relevante aqui é o que é divertidamente polêmico ou ainda menos que isso.
Somos tão sedentos de informação que basta estar aqui para ficar feliz, por mais que o perrengue organizado tente derrubar a moral do grupo. Da mesma forma que saímos andando caçando um bom ponto de wi-fi, andamos por aí absorvendo todo tipo de informação sensorial. Mais do que por motivação, somos todos aqui movidos à informação. [Webinsider]
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