Branding

Tribos de brand e reposicionamento das marcas

11/02/2008 1:10

Por: Fábio Sousa

Chega desse negócio de homem/mulher, 20 a 30 anos, classe B é consumidor da marca X. Se a pessoa tem o recurso em mãos, ela vai e compra. Está na hora de revermos os nossos (pre)conceitos.

Há algum tempo me deparei com um artigo da Rede Gaúcha de Design sobre reposicionamento de marcas (de autoria de Delano Rodrigues), onde destaco o seguinte trecho:

“Quando uma marca vem a nossa mente, ela desperta um conjunto de vivências e experiências — positivas e negativas — capaz de determinar nossas escolhas de consumo. Ao consumarmos isso, estamos realizando a comunicação com nossas “tribos”, por conta da relação de igualdade estabelecida com um grupo determinado de pessoas. (…) as “tribos” as quais pertencemos são determinadas cada vez menos pela geografia, linhagem, raça ou religião. Para ele [Jean Kapferer], as “tribos” são amplamente definidas pela educação e pelas nossas manifestações a partir do que consumimos.”

É interessante pensar que nós somos tribos de tribos, de tribos… eu, por exemplo, gosto do Ubuntu, que é um sistema operacional livre fácil de usar. Meu tênis favorito é o Converse All Star e acho que o Mac não foi feito para mim. A primeira marca me coloca na tribo dos geeks, enquanto a segunda me insere na tribo dos pseudo-moderninhos e, por fim, a última marca confirma que eu não tenho dinheiro para comprar um Mac (risos).

Diferentemente do conceito original de tribo, que é pertencer a um determinado grupo, as Tribos de Brand colocam o sujeito em N grupos diferentes, formando misturas heterogênias (geek + mordeninhos, por exemplo.) e mostrando a todas as empresas algo fundamental que alguém sempre ignora: os consumidores não podem ser esteriotipados!

Chega desse negócio de homem/mulher, 20 a 30 anos, classe B é consumidor da marca X. Se a pessoa tem o recurso em mãos, ela vai e compra.

Por que é importante conhecer o seu público?

Na época em que eu fui professor de design para web, em um projeto social para jovens de baixa renda, meus queridos pupilos comentaram que as camisetas estavam caras e que só dava para comprar uma. Como eles ganhavam uma “bolsa estímulo” de R$ 150, fiquei espantado com o fato; afinal uma camiseta básica e boa não sai por mais de R$ 30.

Para arregalar ainda mais os meus olhos, descobri o preço da camiseta era por volta de R$ 80. Espere! Como que alguém que não tem dinheiro para ir para o curso, ao receber uma bolsa auxílio, gasta com uma camiseta tão cara? Será que alguém do setor de marketing dessa empresa de camisetas pensou que o seu consumidor, que recebia uma bolsa mensal de R$ 150, iria gastar mais da metade do seu dinheiro em uma camiseta? Olha só quantas oportunidades perdidas…

Complementando o meu artigo anterior, o conhecimento acerca de quem ronda e consome uma determinada marca deveria ser uns dos principais eixos em uma estratégia de gestão de marcas.

Pense comigo: será que se essa marca de camisetas reduzisse o seu preço, ela seria mais consumida? Ou seria banalizada como os produtos da região do Brás ou feiras populares? Cada marca precisa encontrar o seu nicho, estudando-o e o compreendendo a todo instante.

Não está na hora de revermos os nossos (pre)conceitos e fazer isso trabalhar para o bem de todos, seja ele a empresa, o consumidor e a comunidade? [Webinsider]

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Sobre o Autor

<strong>Fábio Sousa</strong> (faso@marcamaria.com) é empresário, blogueiro e bonequeiro. Está a frente do <strong><a href="http://marcamaria.com/" rel="externo">.marcamaria</a></strong>, empresa de criação de personagens e brinquedos e mantém o blog/projeto social <strong><a href="http://mundesign.org" rel="externo">.mundesign</a></strong>.

Url original: http://webinsider.uol.com.br/index.php/2008/02/11/tribos-de-brand-e-reposicionamento-das-marcas/
    Publicada em: 11/02/2008 1:10
    Impresso em: 26/11/2009
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