Faz sentido vender visibilidade em redes sociais?
23/01/2008 10:12Por:
Quero aparecer, onde eu pago? Serviços dessa natureza podem violar nosso desejo pelo conteúdo autêntico - e valorizam a capacidade de julgar para separar o bom do ruim e o falso do verdadeiro.
Serviços de valor agregado comuns em sites como o Linkedin e o Flickr são a base do modelo de sustentação financeira, ou seja, caso os usuários optem por serviços diferenciados, devem pagar por isso. O Flickr permite que todos os seus usuários façam uploads de até 200 fotos por mês, enquanto no plano PRO, pago, esse limite deixa de existir.
O Linkedin mantém uma proposta semelhante, nesse caso, o usuário Premium, também pagante, passa a ter acesso a serviços exclusivos.
Comunidades como o Orkut, Facebook ou Myspace têm a publicidade como drive principal na geração de caixa, embora as dificuldades já sejam conhecidas - associação da publicidade institucional com as mídias geradas por usuários (UGM). O Facebook, por exemplo, já estimava para 2007 um faturamento de U$ 150 Mi, com lucro previsto de U$ 30 Mi.
A Badoo, comunidade com mais de 12 milhões de usuários, popular na América Latina, Espanha e Itália, renova o modelo de serviços com o “raise up” - funcionalidade que possibilita ao usuário aumentar a sua própria audiência. Quando adquirido, permite aos membros da comunidade passarem para o topo da lista de resultados de pesquisa – essa é a aposta da Badoo.
A estimativa é que esse serviço estimule o crescimento da base de usuários de 12 milhões para 150 milhões e, por conseqüência, seu faturamento.
Se pensarmos um pouco, faz sentido vender visibilidade em redes sociais. O varejo tradicional explora esse modelo há bastante tempo, ao vender os melhores espaços em suas gôndolas. Em sites como o Buscapé, isso também não é novidade - uma das suas fontes de receita é cobrar dos varejistas a melhor posição em seu resultado de busca.
Em todo caso, a Badoo é pioneira ao vender suas “gôndolas” para quem quer aparecer.
Modelo de receita baseada no ego
Palco e platéia não faltam, comunidades são um prato cheio para os interessados em mostrar a cara. Antes de continuar, vou ser parcial: querer aparecer não é ruim, vejo com bons olhos a propagação de ideais sociais, ampliação de networking profissional. Nem tudo é só “look at me”.
Aparecer, ser aceito, fazer parte de grupos, ter amigos e ser reconhecido não é novidade. Necessidades “do ego” são, em parte, associadas à auto-estima (sucesso, confiança, preparo etc.); por outra parte, ligadas à reputação (respeito, prestígio, etc.). Essas obrigações sociais não nasceram na internet, embora funcionem bem juntas.
Ninguém quer ser mais um. Todos nós gostamos quando somos reconhecidos. Quem está disposto a pagar por isso?
Virar celebridade e estar perto delas
Enquanto alguns pagam para se tornarem famosos, os que já conseguiram se tornar celebridades usufruem da sua fé publica. Ditam tendências de consumo e comportamento.
O poder de persuasão das celebridades orienta nosso estilo de vida. A Badoo, assim como o Myspace, pretende usar os perfis autênticos das celebridades para prosperar em países aonde eles não são fortes (como Estados Unidos, com apenas 200.000 usuários, e Inglaterra com 140.000).
Segredo do sucesso
Uma comunidade precisa gente, muita gente. Para os que querem se relacionar e para os que querem aparecer. Se formos pragmáticos cobrar daqueles que fazem questão de ver seu rosto aparecer, parece fazer sentido.
Perigos dos enlatados
Assim como o jabá para as rádios, serviços dessa natureza podem violar nosso desejo pelo conteúdo autêntico. Nossa capacidade de julgar ainda será essencial para separar o bom do ruim, o falso do verdadeiro. [Webinsider]
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