Redes sociais

Andrew Keen e a democratização da informação

11/01/2008 21:48

Por: Fabiano Pereira

Nosso amigo discorda radicalmente do pensador inglês que considera o fenômeno da colaboração uma “picaretagem” capaz de nivelar por baixo a produção, piorar a qualidade da informação e ameaçar a cultura. Você concorda?

Este texto é sobre uma entrevista com Andrew Keen publicado na Época, revista semanal brasileira.

As provocações e teorias de Keen, em princípio, são as de alguém que tenta defender uma tese contrária referente a algo considerado “standard” para todos, ganhando, assim, algumas migalhas de fama e o prazer de não ser parte da maioria.

A tese defendida por Andrew Keen diz respeito ao conceito colaborativo da internet, que permite a participação efetiva de todos. Na concepção de Andrew Keen, este aspecto nos levará ao fim da cultura como conhecemos, trazendo à tona informações ruins de pessoas mal preparadas para escrever e refletir sobre os temas atuais.

Andrew Keen, ao que parece, defende a idéia de que precisamos de pessoas preparadas para expressar nossas opiniões, anseios, necessidades.

Segundo ele, não temos preparo intelectual suficiente para nos expressar e somos meramente sujeitos sem conteúdo, sem ter o que dizer e passivamente devemos esperar que jornalistas altamente especializados e experts nas mais diversas áreas do conhecimento nos digam o que fazer, pensar, sentir e como agir.

Isso me fez lembrar daquele grupo de cientistas que, recentemente, anunciou que o aquecimento global é um grande exagero e sequer existe. Pensei na imagem de Bush radiante; enfim, um grande trunfo contra aquela Verdade Inconveniente. Imaginei, também, a mídia tradicional vibrando de emoção com o livro The Cult of the Amateur, enfim os blogs tomariam um soco no estômago!

A (r)evolução é urgente, necessária e está em pleno curso. Tentar freá-la é impossível, os modelos tradicionais de produção e disseminação de informação e cultura caíram por terra, o conteúdo colaborativo é um fato. Necessita de ajustes e melhorias, porém sua solidificação é inevitável, a idéia do “povo falando por si” é forte demais para ser ignorada.

Houve um tempo em que o povo realmente precisava de pessoas intelectualmente preparadas para protestar, mostrar sua realidade. Os pequenos-burgueses, com seus violões, iam à favela, ao morro, chegavam na periferia e, arrebatados de uma grande dó, cantavam essa realidade em suas bossas, em seus sambas sofisticados, salvando (ou tentando salvar) o povo da miséria, da falta de expectativas.

Depois de algum tempo, o povo descobriu que poderia se manifestar, seja por meio dos sambas populares, dos acordes furiosos do punk rock ou da batida forte do rap. Descobriu que era o mais adequado para expressar suas opiniões sobre situações reais, já que vivenciava aquilo tudo no seu dia-a-dia.

Traçando um paralelo, acredito que a a social media, ou web 2.0, como queiram, traz a mesma possibilidade para vários e distintos públicos, seja qual for a área de conhecimento. Você pode criar um blog sobre um tema específico, sobre uma visão de vida, sobre opiniões e posicionamentos. Não precisa esperar que algum jornal te descubra, que algum programa te entreviste ou que a TV te apresente como o mais novo talento.

Como em tudo na vida, é necessário separar o joio do trigo. Com certeza nem tudo o que está em blogs e gerenciadores de notícias deve ser levado em consideração e sempre haverá a real necessidade de se comparar dois pontos de vista diferentes, o “mainstream” (grande mídia) e o “underground” (mídia independente, blogosfera), utilizando o ceticismo saudável, na busca pela informação real ou a opinião mais relevante. [Webinsider]

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Sobre o Autor

<strong>Fabiano Pereira</strong> (bipereira@gmail.com) é designer, professor de web (Microcamp-SBC), músico e mantém um <strong><a href="http://fabianopereiradesigner.blogspot.com" rel="externo">blog</a></strong>

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    Publicada em: 11/01/2008 21:48
    Impresso em: 28/11/2009
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