Pequenas empresas - Gestão

Em busca do contrato perfeito 4: o escopo

11/12/2007 12:43

Por: Carlos Nepomuceno

Tenha em mente que você não está fazendo um site ou um sistema, mas cumprindo um contrato. O escopo define bem o que será entregue ao cliente, na maior quantidade possível de detalhes.

O primeiro passo para realizar o escopo é definir exatamente como determinada idéia ou desejo do cliente pode ser quantificada.

Para isto, é preciso, antes de tudo, “congelar” tudo aquilo que será feito.

Não adianta ter a melhor tabela de preços, capaz de calcular o esforço para o desenvolvimento, se não estiver bem definido o que será entregue ao cliente.

Assim, a especificação do serviço, com a maior quantidade possível de detalhes, é a peça chave.

Lembre que vendemos vento!

Note a diferença:

Assim, o escopo é uma das partes mais difíceis.

O cliente pode, por motivos diversos, não querer detalhar esta etapa, pois mais na frente terá margem de manobra para querer mais alguma coisa pelo mesmo preço.

Tenha em mente que você não está fazendo um site ou um sistema, mas cumprindo um contrato.

O contrato deve andar sempre na sua pasta, laptop, PDA e deve ser consultado a cada momento por você em caso de dúvida. E para o cliente em momentos críticos.

E que qualquer item que seja pedido fora do escopo inicial deverá entrar como item adicional ao contrato, com valor correspondente.

A empolgação dos jovens empreendedores para agradar ou se empolgar faz com que o projeto deixe de ser o cumprimento apenas do contrato - e você se perde dentro dele e aí é que mora o perigo!

Escopo mal feito:

Escopo bem feito:

Sistema de mala direta, que permitirá ao cliente:

O primeiro escopo é algo que pode levar dez vezes mais tempo que o segundo. No escopo o importante é demonstrar que compreendeu a real necessidade do cliente.

Mais um exemplo de um escopo mal redigido:

Veja a alternativa:

No primeiro exemplo não se quantifica o trabalho. O cliente pode ampliar o tamanho do serviço. No segundo, há delimitação do que será entregue.

Quanto maior o projeto, mais difícil é definir o escopo. Em ambos os casos é preciso pecar pelos detalhes.

Relacione os valores ao escopo

Feito o escopo, é necessário agora relacioná-lo a valores.

Para a realização do serviço acima descrito, cobraremos:

  • Cada texto: R$ 1.000,00;
  • Total dos 10 textos: R$ 10.000,00.
  • Assim, se o cliente resolver solicitar mais dois textos, já terá unidade para que possa encomendar. E se quiser se basear em documentos que não seja o de “Recursos Hídricos”, um adendo será necessário para que o projeto prossiga.

    Na verdade, o valor a ser cobrado deve ser vinculado à alguma unidade, hora ou unidade de serviço, no caso página de texto.

    Assim, o projeto de website deve ter:

    Ou seja, tudo tem unidade, transformando o desejo em algo concreto e palpável. Sim, nem sempre é fácil precisar estes itens.

    É melhor chutar valores, do que ser chutado depois.

    Prazos

    Vincule o prazo ao depósito do sinal, que sempre deve ser cobrado. É uma forma de comprometer o cliente e dar o fôlego inicial para possíveis contratações, diminuindo, assim, o risco de calote.

    Envio da minuta

    Com a entrega da minuta, através de e-mail simples, entregue geralmente 24 (vinte e quatro) horas da entrevista realizada, a chance de fechar negócio aumentará, pois você demonstrará uma eficiência que a concorrência talvez não tenha.

    Após a entrega da minuta, ligue no dia seguinte para saber se receberam e se há dúvida; em caso de não conseguir falar pelo telefone, envie e-mail.

    Ambas as mensagens, tanto da minuta como o do pedido de confirmação, devem ser marcadas com a ferramenta pedir confirmação dos programas de correio eletrônico.

    Garanta, com certeza de 100%, que o cliente recebeu a minuta!

    Se tudo correr bem, chegaremos ao contrato, que apresenta os itens que regerão as ações do projeto a ser desenvolvido. É o próximo capítulo. [Webinsider]

    …………………
    A série toda:
    Em busca do contrato perfeito: um livro em capítulos
    Em busca do contrato perfeito 1: tipos de contrato
    Em busca do contrato perfeito 2: a entrevista
    Em busca do contrato perfeito 3: a minuta
    Em busca do contrato perfeito 4: o escopo
    Em busca do contrato perfeito 5: itens do documento
    Em busca do contrato perfeito 6: como cobrar
    Em busca do contrato perfeito 7: o detalhamento
    Em busca do contrato perfeito 8: nomear a entrega
    Em busca do contrato perfeito: considerações finais

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    Sobre o Autor

    <strong>Carlos Nepomuceno</strong> (nepomuceno@pontonet.com.br) é professor, pesquisador e co-autor do livro <strong><a href="http://www.campus.com.br/script/CpsMontaFrame.asp?pStrCodSessao=456D1141-5DBC-4385-907E-9E5E6415DD8E&pIntCodProduto=0&pIntCodParceiro=0" rel="externo">Conhecimento em Rede</a></strong> (Editora Campus), coordenador do <strong><a href="http://www.ico.org.br" rel="externo">ICO</a></strong>, Instituto de Inteligência Coletiva e diretor da <strong><a href="http://www.pontonet.com.br" rel="externo">Pontonet</a></strong>. Mais dele no blog <strong><a href="http://cnepomuceno.wordpress.com/" rel="externo">CNepomuceno</a></strong> e no <strong><a href="http://twitter.com/cnepomuceno" rel="externo">Twitter</a></strong>.

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        Publicada em: 11/12/2007 12:43
        Impresso em: 28/11/2009
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