Tecnologia

Super Audio CD merece apoio

02/11/2007 11:11

Por: Paulo Roberto Elias

A indústria de áudio e vídeo muitas vezes pressiona por formatos que não são os melhores - nem em tecnologia e nem pelo interesse do consumidor. É o caso do SACD.

Durante anos a fio, me vi diante de gente com tecnofobia quase paranóica ou com tolerância zero para bate-papo de cunho tecnológico. É triste dizer isso, mas até no ambiente acadêmico, onde militei por mais de trinta anos, esta intolerância reina.

Quando a internet começou na UFRJ, por exemplo, ainda em ambiente de texto, eu, como já tinha endereço de e-mail, trazido do exterior onde aprendi conceitos de rede, me propus a fazer uma palestra sobre o assunto. Pois bem: tive colegas, na época, que por falta de clareza, se negaram a assistir o seminário, dizendo que “aquilo não era para eles”. Somente depois que a universidade obrigou todo mundo a ter e-mail é que mudaram de postura. Hoje, ninguém de lá vive sem e-mail, é claro.

Mas o consumidor de áudio e vídeo tem características distintas. Os de áudio são em número bem menor, e normalmente a massa não se detém, em aspectos técnicos desta natureza. É o que explica a incrível falta de aceitação de formatos ímpares, como DVD-Audio e Super Audio CD, o SACD.

No caso deste último (SACD), a situação ainda é mais dramática, porque se trata de um codec com alta virtude técnica e, no entanto, capaz de ser armazenado num disco comum, na maioria das vezes, no formato híbrido, isto é, junto com um CD, no mesmo disco.

A proeza tecnológica é muito grande, principalmente se considerarmos que hoje em dia, para se ter codecs de áudio avançados numa mídia de disco é preciso recorrer ao espaço de memória generoso dos discos de alta definição. Mas isso nunca sensibilizou o público, ou mesmo os estúdios de gravação, e a gente até hoje não sabe o motivo.

Eu não tenho a menor dúvida de que o usuário final é, na grossa maioria das vezes, o menos culpado, na cadeia de processos de formação de opinião e de consumo tecnológico.

Se formatos interessantes, como o SACD, nunca chegaram a acontecer no mercado ou faliram em praias como a nossa, é porque, em algum escritório ou reunião, executivos com poder de decisão, decidiram pelo não endosso categórico dos mesmos!

E como uma coisa tende a puxar a outra, estúdios e provedores de conteúdo não puxam as vendas dos equipamentos leitores, e vice-versa. Um não sobrevive sem o outro, e no meio deles estão os consumidores que não querem ser enganados, antes de qualquer outra coisa. A hesitação, em qualquer momento, pode decretar a não penetração de qualquer formato de áudio ou vídeo no mercado.

Conhecer a preferência e as exigências dos consumidores é problema da indústria. Desde que se implementaram métodos estatísticos de levantamento de mercado, as chances de existirem produtos mal sucedidos no comércio seriam mínimas, mas na prática não é isso que acontece.

O que a gente continua vendo é uma montoeira de alta tecnologia sendo jogada ralo a baixo, todo ano.

A sobrevivência dos formatos

Idealmente, pelo menos para o usuário entusiasta, todo e qualquer formato com méritos técnicos, deveria ter um mínimo de chance de sobrevivência.

E no campo do áudio, existem vários casos que exemplificam isso: toca-discos analógicos e LPs sobrevivem graças aos Disc Jockeys dos clubes noturnos. O SACD continua sendo editado em quantidade apreciável, porque audiófilos no resto do mundo percebem e investem na qualidade dos mesmos, e estúdios de bom nível respondem a este apelo.

Mas no tocante ao vídeo, as chances são significantemente menores. Não há mais espaço possível para VHS ou laserdiscs (que já sumiram faz tempo) e a tendência é que os discos de alta definição se tornem baratos, ao longo dos anos, de maneira a colocar o DVD como uma opção de mídia e não como mídia predominante.

É até possível que o DVD sobreviva como o VHS de amanhã, mas somente o futuro dirá se isso de fato vai acontecer.

A sobrevivência de formatos passa necessariamente pela informação e pelo interesse do usuário final. Em tese, não deveria ser só a badalação em cima do público sobre um dado produto que deveria se impor como fator de aceitação. Seria bem mais interessante que o consumidor tivesse clareza, antes de decidir pela adoção de algum deles. [Webinsider]

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Sobre o Autor

<strong>Paulo Roberto Elias</strong> é professor aposentado da Faculdade de Medicina da UFRJ, hobbyista em áudio e vídeo, Mestre em Ciências (M.Sc.) e Ph.D. em Bioquímica. Manteve, até recentemente, o site Miragem, cujos artigos podem ser <strong><a href="http://webinsider.uol.com.br/index.php/artigos/tags/arquivo-miragem/">lidos aqui</a></strong>.

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    Publicada em: 02/11/2007 11:11
    Impresso em: 28/11/2009
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