Tecnologia

Armadilhas da alta tecnologia em áudio e vídeo

18/10/2007 16:36

Por: Paulo Roberto Elias

Televisores 1080p estão vendendo bem. Mas são uma boa compra?

Um colega, vendedor de uma das lojas mais conceituadas de áudio e vídeo do Rio de Janeiro, me diz com certo orgulho que as vendas de televisores em “Full HD” (leia-se 1080p) têm aumentado de forma significativa. Transformaram-se em “um item de grande venda”.

E aí eu pergunto se ele tem idéia do destino de uso de um equipamento desses. Claro que ele não sabia, mas evidente que para ter uma idéia mais elaborada a loja precisaria fazer uma tomada de opinião nos consumidores.

A pergunta tem razão de ser. Atualmente, até onde sei, somente discos Blu-ray são capazes de entregar sinais de 1080p nativos para uma TV desta classe. Isso, sem falar que HDTV é um projeto de futuro meio incerto, apesar dos fabricantes estarem colocando “stickers” em alguns modelos, alegando que eles estão preparados para a TV digital brasileira. Estão mesmo? Mas é com DRM ou sem DRM? Ninguém sabe.

As fontes da desinformação

A maioria das pessoas que se interessam por obter alguma informação técnica o fazem junto a lojas ou principalmente junto aos telefones de atendimento ao consumidor, disponibilizados pelos fabricantes.

No caso de áudio e vídeo, não é incomum ligar para telefones deste tipo, esbarrar logo de cara numa pessoa totalmente desinformada, às vezes até mesmo do conteúdo dos manuais. E quando o nosso telefonema é passado adiante, digamos ao setor de engenharia da empresa, dependendo da profundidade técnica da dúvida, ela vai ficar sem resposta.

E este problema é diretamente proporcional ao grau de cultura específica de quem liga e da respectiva falta de preparo ou atualização de quem atende.

Talvez o cerne da questão esteja no fato singular de que o Brasil raramente produz tecnologia própria. Em tempos remotos, empresas, como por exemplo a Philips do Brasil, mantinham laboratórios de pesquisa, nem que fosse para adaptar produtos para uso no país, como aconteceu na época em que o Brasil implementou a televisão em cores no sistema PAL-M.

Não sendo capazes de desenvolver produto para depois produzir, as fábricas se limitam a montar ou importar, dependendo do momento. E como a internet está aí mesmo, para divulgar informação em tempo recorde, é bastante possível que o usuário final que faz do home vídeo um hobby, tenha muito mais conhecimento do produto do que o setor de engenharia da empresa que o vende por aqui.

Exagero ou desperdício

Até que ponto o consumidor tem necessidade de uma televisão com capacidade para reproduzir 1080p nativos? Sob o ponto de vista da tecnologia, é possível perdoar a quem “peca por excesso”, mas não seria bem mais interessante saber o que se está comprando, antes de gastar o dinheiro em produtos que não vão servir para coisa alguma?

A não ser que o consumidor ache que é preciso ter alta definição para assistir ao sinal enganoso das transmissões anunciadas como “digitais”, pelas empresas de TV a cabo ou satélite.

É interessante notar, por outro lado, que o hobbyista de plantão, categoria na qual eu às vezes me incluo, torce para que os formatos que ele adota sejam também adotados pela massa. E isso se explica pela necessidade que o usuário tem de se sentir seguro, de que o formato não vá desaparecer, da noite para o dia, ou vá ser relegado a segundo ou terceiro planos, como bons formatos o foram no passado.

Até conheço pessoas que não se importam se um dado formato vai desaparecer amanhã, mas eu pessoalmente não acho a menor graça jogar coleções de algum formato fora, por falta de apoio de quem provê conteúdo. [Webinsider]

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Sobre o Autor

<strong>Paulo Roberto Elias</strong> é professor aposentado da Faculdade de Medicina da UFRJ, hobbyista em áudio e vídeo, Mestre em Ciências (M.Sc.) e Ph.D. em Bioquímica. Manteve, até recentemente, o site Miragem, cujos artigos podem ser <strong><a href="http://webinsider.uol.com.br/index.php/artigos/tags/arquivo-miragem/">lidos aqui</a></strong>.

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    Publicada em: 18/10/2007 16:36
    Impresso em: 28/11/2009
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