Ninguém vai para frente sem absorver tecnologia
07/06/2007 11:40Por:
Brasil se atrasa por não investir em novas soluções de negócios, optando por quebra-galhos e pelo jeitinho brasileiro, enquanto até mesmo países mais pobres aprendem que, sem tecnologia aplicada, não há competição.
Há uma ampla consciência entre os especialistas de que a capacidade de absorver Tecnologia da Informação demonstrada por uma sociedade ou organização é um indicador seguro de competitividade no mercado.
Importante livro de Amar Bhidé, da Universidade de Columbia (Venturesome Consumption, Innovation and Globalization), mostra como diferentes sociedades/organizações têm capacidades de absorção de TI distintas.
As que apresentam maior capacidade são as que contam com pessoas dispostas a apostar no uso da tecnologia para resolver seus problemas.
Os Estados Unidos, por exemplo, demonstram a maior capacidade dentre todas as sociedades de absorver TI, no que são seguidos de perto pelos Tigres Asiáticos. Não é por acaso que esses países estão entre as sociedades mais competitivas do mundo.
Que fique claro que a capacidade de absorver TI nada tem a ver com a riqueza da sociedade ou organização.
A Índia é um país pobre, mas vem absorvendo TI em ritmo acelerado durante a última década. Hoje ela já exporta cinco vezes mais softwares e serviços de TI (em valor) do que o Brasil, por exemplo, que é um país bem mais rico.
Alguns setores do mercado brasileiro – por exemplo, os bancos – têm procurado absorver o que há de mais moderno em TI e colhem frutos. Mas, infelizmente, os bancos são exceções.
A postura mais freqüente das empresas brasileiras é adiar investimentos e continuar usando tecnologias obsoletas, mas que “quebram o galho”. É o nosso famoso jeitinho brasileiro.
Vejamos um caso concreto. O BPM (Business Process Management ou Gerenciamento de Processos de Negócios) é uma tecnologia que permite às empresas lidar de forma eficiente com seus processos de negócios, especialmente os que fazem uso intensivo de documentos (formulários, etc).
Com o BPM são obtidas: economia da mão-de-obra, mais agilidade operacional e melhoria da qualidade.
O BPM engloba tecnologias como workflow, gerenciamento eletrônico de documentos, processamento de formulários eletrônicos e assinatura digital, dentre outras e, com elas, os processos de negócio tornam-se digitais, eliminado quase totalmente o papel.
Inúmeros casos em bancos, operadoras de planos de saúde, seguradoras, indústrias e serviços comprovam a vantagem dessa tecnologia.
Estudos recentes, contudo, mostram que somente 10% das empresas brasileiras que teriam condições, e também necessidade de usar o BPM, já o utilizam – contra pelo menos 50% nos países desenvolvidos. Ou seja, 90% dessas organizações continuam com padrão habitual das operações, sem perceber a revolução que ocorre à sua volta.
O tão desejado crescimento do Brasil, sem dúvida, depende de medidas macroeconômicas, como redução de juros e impostos. Mas, também depende de empresas que resolvam sair da inércia e investir em tecnologias já disponíveis e testadas.
Sem isto, fica cada vez mais difícil para o Brasil competir nos mercados mundiais. [Webinsider]