Tecnologia

Home Theater começa pela montagem do som

04/06/2007 9:04

Por: Paulo Roberto Elias

Aprenda a montar seu HT e não releve a importância da trilha sonora. Não adianta apenas tirar da caixa e plugar, é preciso entender a diferença entre cabos, equipamentos, saídas e caixas acústicas.

Há décadas que os cineastas e os fãs de cinema se deram conta da importância da trilha sonora no impacto da visualização do filme. O conceito de Home Theater (HT), o cinema em casa, passa necessariamente pela montagem do som.

Existem dois aspectos de conectividade na montagem de qualquer HT, com dificuldades bastante antagônicas: para assistir o vídeo, até um cabo de vídeo composto serve; mas na reprodução do som, a ligação estéreo corta a quase totalidade da qualidade da fonte.

A explicação está no fato de que, quando um filme é feito, os efeitos sonoros e o diálogo são mixados de tal forma que eles passam a fazer parte da narrativa da história descrita no roteiro. Todos os formatos de áudio no cinema pós-1977 têm informações contidas nos canais surround.

A reprodução em estéreo convencional (sem surround) corta as informações sonoras irremediavelmente. Com isso, a exibição do filme perde a maioria das intenções originais dos cineastas.

Quando falamos em reprodução correta do som, a complexidade da instalação ultrapassa os conhecimentos do consumidor não-hobbyista.

Muitos usuários finais adquirem uma boa tela de plasma ou LCD e deixam o som por conta da própria TV. Assim, a montagem do HT fica incompleta e imprecisa. Ao mesmo tempo, também se faz necessário derrubar alguns mitos e explicar as armadilhas do áudio de um bom cinema em casa.

Desde o princípio…

As primeiras instalações dedicadas de Home Theater usavam o som Dolby Surround, que nada mais era que o som Dolby Stereo do cinema, transplantado integralmente para as mídias domésticas. No caso, as fitas de videocassete e videodiscos.

Aquilo era possível porque o Dolby Stereo usa dois canais discretos (separados) para derivar quatro (três canais na frente e um surround), coincidindo assim com o estéreo doméstico, que só tem dois canais.

Durante muito tempo, este arranjo deu ao entusiasta as opções de ouvir o som em apenas dois canais, amplificar para dois canais + um surround, ou para os quatro canais do Dolby Stereo, em cujo caso, deveria-se instalar um decoder Dolby Surround junto com os amplificadores.

O decoder Dolby Surround é eletronicamente passivo e cheio de limitações, mas a sua simplicidade permitiu a implementação até mesmo dentro dos aparelhos de TV. Uma versão mais moderna e mais correta de decoder para o som Dolby Stereo só veio com o uso do sistema Dolby ProLogic, que implementa um microprocessador programado para extrair os quatro canais dinamicamente.

A chegada do DVD no mercado trouxe ainda mais avanços, como a formatação de áudio e vídeo em ambiente digital. Assim, para modernizar a instalação tradicional do HT, o usuário foi obrigado a instalar novos equipamentos e aprender a implementá-los.

Note que o DVD foi projetado para funcionar em qualquer instalação de TV e áudio, mas, para conseguir melhor qualidade além do básico, só com cabos, equipamentos e caixas extras. E aí é que o usuário não-iniciado se perde.

Como não é possível explicar num artigo pequeno todos os detalhes que compõem esta instalação, vamos conhecer detalhes que podem, ao menos, evitar um investimento errado.

Não basta só plugar

Primeiro, é preciso saber que um disco de DVD, para falar de uma mídia moderna, contém áudio e vídeo misturados num único arquivo, e depois separados por vários decoders, que enviam o sinal para os respectivos conectores.

A natureza do sinal transmitido é digital, na forma de um bitstream (fluxo ou corrente de bits). Um reprodutor de DVD pode ter capacidade de transmitir áudio e vídeo ainda digitalmente, para equipamentos que recebem esses sinais e os processam internamente.

Um exemplo disso é a conexão HDMI através de um único cabo. Caso contrário, cada sinal é convertido de digital a analógico, e enviado a equipamentos externos, através de conectores também analógicos.

Vídeo: vídeo composto (para compatibilidade com as TVs antigas); S-vídeo (idem) e vídeo componente (para recepção separada do sinal original do DVD);

Áudio: saída estéreo convencional (para amplificadores de dois canais ou decodificadores Dolby Surround/ProLogic antigos); saída multicanal (para sistemas com entradas multicanal).

No caso do áudio, a popularização do uso de decoders externos (como nos receivers A/V), se recomenda usar um cabo coaxial, para passar o sinal digitalmente, e na ausência deste, um cabo ótico, com a mesma finalidade.

Infelizmente, para a grossa maioria dos usuários sem experiência, se a instalação pretendida for completa, não basta só ligar os cabos para tudo dar certo, porque existe um monte de padrões que carecem de ajustes que normalmente o leigo não entende.

Mas, existem também sistemas que tentam facilitar a vida do usuário que não prefere se meter em coisas técnicas. Um deles é o chamado “home theater in a box”, ou seja, num único produto se encontram todos os módulos, caixas, reprodutores e todos os cabos, com exceção da tela, na maioria dos casos.

Alguns desses sistemas fornecem diretivos, junto com um pequeno microfone, para fazer a tarefa mais complexa, que é calibrar a reprodução das trilhas sonoras.

Existem ainda os sistemas que usam conexões sem fio (wireless) para as caixas surround, aliviando assim o pesadelo de muitos maridos, cujas esposas têm horror de ver fios passando pelos rodapés da casa…

A qualidade de um “home theater in a box” pode ser tão boa quanto a de um receiver com caixas especializadas. Tudo vai depender da construção dos sonofletores usados, e cabe aqui uma dica: caixas pequenas com alto-falantes isodinâmicos (chamados pelo comércio de “ribbon” ou “fita de neodímio”) costumam dar excelentes resultados.

Porém, num sistema desses, a instalação e uso de um subwoofer são primordiais. Caixas pequenas não têm capacidade para reproduzir sons graves, e mesmo que tivessem a quantidade de energia elétrica para tal, é desaconselhável o uso das mesmas. A solução é separar os graves e amplificá-los numa caixa dedicada: o subwoofer.

É muito importante colocar todas as caixas nos seus respectivos lugares. Quanto maior o número de canais, mais importante é a respectiva localização dos alto-falantes. [Webinsider]

Sobre o Autor

<strong>Paulo Roberto Elias</strong> é professor aposentado da Faculdade de Medicina da UFRJ, hobbyista em áudio e vídeo, Mestre em Ciências (M.Sc.) e Ph.D. em Bioquímica. Manteve, até recentemente, o site Miragem, cujos artigos podem ser <strong><a href="http://webinsider.uol.com.br/index.php/artigos/tags/arquivo-miragem/">lidos aqui</a></strong>.

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    Publicada em: 04/06/2007 9:04
    Impresso em: 28/11/2009
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