Redação, edição - Negócios

Por que a web não afeta o mercado editorial?

31/05/2007 17:29

Por: Gilberto Alves Jr.

Iniciativas para novos autores na web não chegam nem perto do que existe para o mercado fonográfico, apesar das iniciativas. As editoras continuam investindo apenas no retorno garantido.

Um interessante artigo, de John Crace (The Guardian), explica porque a web, que abalou tão gravemente a indústria da música, ainda não afetou o mercado de livros.

Crace diz que hoje qualquer banda razoavelmente boa (só isso já reduz muito a quantidade) consegue ser conhecida no mundo todo com uma página no Myspace, disponibilizando suas músicas gratuitamente. A internet democratizou o acesso à música, tirando poder (um pouco, pelo menos) das grandes gravadoras.

Com os livros, não é assim.

Embora haja boas exceções, como João Paulo Cuencas que era blogueiro e foi convidado para publicar um romance e as Motherns que viraram até seriado de TV, continua sendo muito, muito difícil para um escritor estreante ser publicado.

Segundo John Crace, “se você quer saber a quem culpar, não precisa olhar para muito além do mercado literário. Editores e vendedores querem somente investir no que é garantido.”

Há boas novidades, como o site lulu.com, onde qualquer pessoa pode “publicar” seu livro com impressão sob demanda. Mas o custo continua sendo alto em relação à impressão de grandes quantidades. Além disso, há toda uma cultura tátil do livro, de pegar na mão, cheirar, ler a orelha e só depois deste namoro vem a compra - nada disso existe na internet.

O que acontecerá quando os livros deixarem de ser distribuídos em papel, com a popularização de tecnologias como a da tela flexível? O que acontecerá quando o mercado editorial for tão digital quanto é hoje o de música?

Será que provaremos uma verdadeira revolução cultural? Será que, como diz John Crace, esse meio, que costumava ser um trampolim para o radicalismo, pode morrer pelo conservadorismo? [Webinsider]

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Sobre o Autor

<strong>Gilberto Jr</strong> (gilbertojr@gmail.com) é sócio da <a href="http://amanaie.com.br" rel="externo">Amanaiê</a> - startup com foco em OpenSocial - e mantém um <a href="http://prati.ca" rel="externo">blog sobre Web 2.0</a>.

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    Publicada em: 31/05/2007 17:29
    Impresso em: 28/11/2009
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