Tecnologia

DTS vs Dolby Digital: qual é o melhor?

10/05/2007 7:28

Por: Paulo Roberto Elias

O formato AC-3 de áudio disputa a preferência dos audiófilos em qualidade sonora para home theaters, mas tem gente que não gosta. Entenda as diferenças e como funcionam.

Mesmo com o passar dos anos, ainda é possível ouvir ecos de um dos debates mais incipientes e egóicos da história recente dos home theaters. Sem conseqüência prática alguma, “ouvidos de ouro” praticam tiro ao alvo em fóruns de internet na tentativa de macular a reputação do Dolby Labs pelos méritos na implementação do formato AC-3 de áudio.

No final dos anos 90, teve início uma sórdida campanha de entusiastas em fóruns americanos para tentar forçar os estúdios a lançar mais discos com som DTS. Só que, para tal, muita gente fez de tudo para desacreditar a qualidade das trilhas sonoras codificadas em Dolby Digital (AC-3) quando comparadas com as trilhas em DTS.

Como vimos no artigo anterior, o som DTS chegou ao DVD com considerável atraso e, quando chegou, quase não havia decoders para reproduzi-lo. A razão é que a taxa de compressão original do DTS a 1509 kbps, usada no cinema e nos laserdiscs, não poderia ser implementada no DVD sem causar deterioração da qualidade do vídeo, por pura falta de espaço.

AC-3 e DTS, as diferenças - Os primeiros DVDs com som DTS trabalhavam com uma trilha previamente enviada aos laboratórios da DTS, para codificação, fugindo assim ao controle do laboratório de autoração. Então, de lá voltavam com uma qualidade diferente da mesma trilha autorada em AC-3 Dolby Digital.

E foram as primeiras comparações dessas trilhas o estopim para uma guerra suja que durou um bom tempo em fóruns especializados na internet. Aparentemente, ninguém parecia muito preocupado em descobrir o motivo de as trilhas DTS estarem diferente das trilhas Dolby, embora se suspeitasse de manipulação proposital das primeiras.

É fácil entender a suspeita: o ouvido humano é facilmente iludido por diferenças de pressão sonora, ou até mesmo por diferenças de equalização, implementação de certos filtros e assim por diante. Logo, é possível existir uma diferença de percepção abismal entre a masterização 1:1 (direta e sem retoques) e outra com requintes adicionados, sem você saber.

Para os debatedores, entretanto, não fez a menor diferença. O som DTS, segundo os defensores puristas, tem uma resposta de baixa freqüência mais articulada, uma resposta de médios que torna o som transparente e mais definido, a separação entre canais é melhor porque não há “vazamento” entre eles etc. Um resumo dessas alegações, o leitor pode ver nesta página.

A explicação, segundo os entendidos, é amparada na taxa de compressão dos dois codecs: o Dolby Digital comprime o áudio da fita master na relação de 12:1, portanto, perdendo informação de forma excessiva, enquanto o DTS comprime apenas na proporção de 3:1, preservando melhor o som original.

Tirando a prova - Durante um bom tempo, as pessoas não podiam se colocar contra aos “ouvidos de ouro”, sob pena de serem achincalhadas nos fóruns por não conseguirem “ouvir direito”.

Com o devido tempo, porém, certos fatos se mostraram relevantes. Surgiram as primeiras denúncias de que as salas de autoração não tinham nenhum controle sobre as trilhas em DTS; depois, a própria Dolby, cansada de ser taxada de “inferior”, resolveu arregaçar as mangas e colocar o lado prático desta coisa para funcionar.

A Dolby esperou a disponibilidade do encoder DTS modelo CAE-4 e do seu respectivo decoder. Entregou este encoder, junto com os modelos Dolby para autoração a 384 kbps e 448 kbps (padrões no DVD) a alguns estúdios ingleses, para fazer testes com a mesma trilha sonora. Os resultados foram publicados em PDF em um arquivo no site da empresa, mas que pouco tempo depois foi tirado do ar. Trechos do documento ainda podem ser vistos neste link

Na essência, a pesquisa diz ser incorreto fazer comparações auditivas sem a certeza de que as fontes para teste são as mesmas, que foi uma falha imperdoável dos primeiros defensores pró-DTS. Mesmo assim, muita gente não viu com bons olhos a resposta pífia da DTS sobre a pesquisa, que ainda está no ar até hoje.

Não somos prejudicados - O importante de tudo isso é que, hoje, finalmente os entusiastas se sentem na obrigação de explicar, ao usuário normal, que ele não está sendo lesado por comprar um disco que não tem trilha sonora DTS.

Muita gente não percebe que o áudio é subjetivo, e portanto, pessoal e intransferível. A lógica ditaria que se a gente tem bom ouvido e aprecia um bom som, não deve ter preconceito, nem discriminar quem não se interessa por isso. Muitos participantes de fóruns, até mesmo gente da chamada “imprensa especializada”, ajudam a criar mitos que não têm base em medição alguma.

A indignação dos Laboratórios Dolby tem sentido: o AC-3 tem méritos tecnológicos que o DTS não tem. O formato se propõe, essencialmente, a codificar áudio fora do espectro 5.1, o que gera uma economia de bits considerável. Uma fonte master 1.0 ou 2.0, por exemplo, pode ser codificada a 192 kbps, ao invés de 384 ou 448 kbps, sem nenhuma perda de qualidade.

As codificações 2.0 permitem a preservação tanto do estéreo convencional, quanto do estéreo matricial (Lt/Rt). O AC-3 permite ainda a inclusão do LFE (o “.1”) em qualquer um desses formatos (de 1.0 até 5.0). Ele também prevê a normalização automática do diálogo, que é um recurso útil, tanto ao engenheiro de autoração quando ao ouvinte.

E finalmente, o Dolby Digital, por causa da sua versatilidade de implementação, tem grande portabilidade e pode ser usado, sem problemas, em aplicações de broadcasting com a mesma qualidade dos DVDs.

Até onde o usuário típico de home theater pode perceber, não existe nenhum indício visível nas implementações dos softwares nos decoders mais recentes. Mas a melhora de desempenho de qualquer codec é bem sensível. Eu mesmo comentei, alguns artigos atrás, sobre a implementação de upsampling para CD em decoders de alta definição, agora disponíveis a custo baixo em vários equipamentos. (leia aqui)

Dolby e DTS, corretamente instalados, dão ao ouvinte um som de alta qualidade. Se não for assim, a culpa pode ser tanto da autoração do disco, quanto das limitações do seu equipamento de reprodução- que é mais provável. Em breve, tanto Dolby quanto DTS vão surgir em versões HD (High Definition) dos seus softwares. Com elas, não haverá mais compressão alguma. Assim, teoricamente não haverá mais espaço para qualquer tipo de detratação. E se houver, serei um que não estarei lá para conferir. [Webinsider]

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Links para referência:

http://www.dvdreview.com/html/what_makes_dts_so_special_.html, http://www.movielocity.com/d/r.cgi?ID=1108 e http://www.accesswave.ca/~madastar/dvddolby.htm)

Sobre o Autor

<strong>Paulo Roberto Elias</strong> é professor aposentado da Faculdade de Medicina da UFRJ, hobbyista em áudio e vídeo, Mestre em Ciências (M.Sc.) e Ph.D. em Bioquímica. Manteve, até recentemente, o site Miragem, cujos artigos podem ser <strong><a href="http://webinsider.uol.com.br/index.php/artigos/tags/arquivo-miragem/">lidos aqui</a></strong>.

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    Publicada em: 10/05/2007 7:28
    Impresso em: 28/11/2009
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