Áudio DTS: som de cinema para ouvir em casa
06/05/2007 14:48Por:
Saiba mais sobre o Digital Theater Sound, formato digital de alta performance criado para a telona, mas que hoje você pode ter no home theater pelo DVD.
No início do século XX, surgiram as primeiras pesquisas para a colocação de som nos filmes mudos. No final da década de 1920, veio o sistema Vitaphone, que consistia em reproduzir a trilha sonora de um filme (gravada em disco) em sincronismo com o projetor.
O Vitaphone foi usado pela Warner Brothers para lançar o filme The Jazz Singer, com o cantor Al Jolson. Foi o primeiro processo de “som no disco” para o cinema falado, logo depois substituído por outro processo: a gravação do áudio em banda ótica, que era um método de “som no filme”.
No final da década de 1930, a reprodução multicanal em projetor separado (o film-phonograph), com sincronismo eletrônico entre este e o projetor contendo o filme, foi desenvolvido para o filme Fantasia, de Walt Disney. (leia mais sobre Fantasia e Fantasound nas matérias ao lado)
E em 1993, o sistema Digital Theater Sound, que atende pela famosa sigla DTS, foi lançado no cinema com o filme Jurassic Park, de Steven Spielberg. Som digital multicanal, gravado em CD-ROM e posto em sincronismo com o projetor principal através de um timecode.
O timecode do DTS é uma informação ótica, com formato digital, impressa na borda lateral do fotograma 35 mm. Um leitor ótico é montado no topo do projetor e o sinal capturado por ele é enviado a um computador, dotado de três drives de leitura para CD-ROM que vão conter a trilha sonora.
O som DTS multicanal é comprimido com bitrate de 1509 kbps (kilobits por segundo), ou seja, quase dez vezes maior do que a média de bitrate que a gente escuta nas MP3s da vida, se você guarda suas músicas em 128 a 160 kbps. O DTS multicanal pode conter cinco canais de áudio digital e um canal LFE, para efeitos especiais de baixa freqüência, totalizando 5.1 canais.
Um único CD pode conter a trilha sonora de um filme com até duas horas de projeção, mas a mesma trilha pode ser dividida em dois discos- fica a critério do distribuidor. Com isso, os dois primeiros drives do sistema DTS são usados. E o terceiro drive fica de reserva para a alocação de trailers e de outros materiais de áudio, que nem sempre existem.
DTS para home theater
A primeira versão do sistema DTS para uso doméstico foi lançada no meio dos anos 90 e em laserdisc. Ou seja, a trilha DTS em 1509 kbps foi literalmente transcrita para o disco, substituindo a trilha PCM estéreo por completo. Com isso, o usuário só teria duas opções: ouvir o disco em DTS, se ele tivesse o decoder, ou em estéreo analógico.
Os primeiros decoders DTS domésticos propiciaram ainda a introdução do DTS em CD, mas com o advento do DVD, logo a seguir, o sinal de 1509 kbps do DTS perdeu o seu lado prático.
A explicação para isto é a seguinte: o DVD contém vídeo e áudio digitais, transmitidos no mesmo bitstream. Tipicamente, um DVD player transmite este sinal a no máximo 10.08 Mbps. Para se conseguir um sinal de vídeo de boa qualidade, é preciso usar entre 3 a 4 Mbps da faixa passante e cerca de 8 Mbps para a melhor imagem possível. Na ponta do lápis, sobram 2 Mbps para a transmissão do áudio no bitstream. Como o DTS exigiria 1.5 Mbps, a perda prevista na qualidade da imagem é em torno de 13%.
A solução encontrada foi aumentar a compressão, usando um bitrate de 754 kbps. Acontece que o atraso da implementação de um software para esta finalidade praticamente impediu que o DTS se tornasse um codec obrigatório no DVD. Apenas anos depois de lançado no mercado, é que o decoder DTS apropriado se tornou disponível para fabricantes e consumidores.
Evolução do DTS
O DTS trabalha com 5.1 canais, mas os cinemas se modernizaram para 6.1 com a adição do surround central (o “surround back”) no fundo das salas de exibição. O DTS-ES, criado para suprir esta deficiência, também já foi desenvolvido para uso doméstico. A sigla ES vem de Extended Surround.
O DTS-ES contém 6.1 canais nos formatos discreto (todos os canais totalmente separados) e matricial. Neste último, o surround back está contido nos canais surround esquerdo e direito e é derivado para ele com sinais de áudio em fase, presentes simultaneamente nesses dois canais. Para manter a compatibilidade, o DTS-ES matricial é gravado junto com o DTS-ES discreto. Isso permite o uso de DTS-ES em decoders 5.1 convencionais.
Com a chegada dos discos de alta definição (Blu-ray e HD-DVD), será possível implementar um novo codec baseado num sistema “lossless” (sem perda ou sem compressão) chamado de DTS-HD, de High Definition.
As altas taxas de transmissão deste novo codec demandam um espaço extra de memória nesses discos, algo que não será problema pelo menos no Blu-Ray. Decoders para DTS-HD também devem ficar disponíveis, mas a reprodução do codec HD pode ser feita com a decodificação dentro do player e disponibilizada por saída multicanal analógica.
A presença dos codecs DTS no ambiente doméstico gerou, anos a fio, discussões acaloradas entre entusiastas de home theater sobre o mérito desse padrão, mas isto é assunto para um outro artigo. Entretanto, a entrada de codecs de alta definição no ambiente doméstico tende a colocar uma pedra no túmulo da discussão. [Webinsider]