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Mecanismo da Last.fm é uma espécie de rádio ideal

20/04/2007 12:33

Por: Gilberto Alves Jr.

Rádios online usam a inteligência coletiva que considera o movimento dos ouvintes para ajudar cada um a ouvir músicas novas que têm a ver com os artistas e estilos que sempre gostou.

Há algum tempo descobri no iTunes o que eu chamo de “a rádio perfeita”. É o “party shuffle”, que faz uma mistura mais ou menos aleatória de todas as músicas que eu tenho gravadas no computador. O problema desta rádio (ué, não era perfeita?) é que só toca coisas que eu já conheço. E tenho aquele vício por música nova.

Para resolver, eu ouvia duas rádios online: a Last.fm e a Sonora, do Terra. A gringa Last.fm eu ouvia para descobrir novas coisas de música brasileira e a brasileira Sonora para descobrir coisas estrangeiras. Vai entender! Por que será que não tem quase nada de brasileiro num site brasileiro como o Sonora?.

Até que eu percebi que pagava cinco reais pela assinatura do Sonora - que na verdade eu quase não uso, porque só funciona no IE - e não pagava nada pela Last.fm. Resolvi dar uma chance a eles: assinei o serviço pago, três dólares por um mês.

Hoje percebi que há uma rádio ainda mais perfeita que o party shuffle: a rádio de faixas preferidas do Last.fm, que só quem paga tem; e também a rádio pessoal. Estou absolutamente atônito com o poder que o software da Last.fm tem de saber que eu gosto de coisas tão distintas como Caetano Veloso, Camille, Kraftwerk, Nirvana, Koop, Bebel Gilberto (ok, nem tão distintas assim).

Quem ouve (ou tenta ouvir) rádios na internet há vários anos percebe de cara a diferença entre as antigas e a Last.fm. A qualidade do som e o tamanho do acervo são alguns dos principais fatores.

Além disso, a Last que pretendia ser viável financeiramente apenas com publicidade, agora começou a oferecer mais funcionalidades por uma assinatura bem baratinha. É um ótimo exemplo de como conquistar assinantes e vender conteúdo: dê um pouco de graça - e se o usuário gostar, vai querer assinar o serviço pago para aproveitar tudo que você tem a oferecer.

A Last.fm, aproveitando a inteligência coletiva dos milhares de usuários tagueando cada música, consegue definir com certa precisão aquilo que você gosta porque sempre ouve e aquilo que você nunca ouviu, mas vai gostar. O assinante do serviço conhece músicas novas que nunca ouviu mas que certamente tem grandes chances de gostar.

É um bom exemplo da harmonia que vem da web 2.0.

E falando em pagamento, vale lembrar que as rádios online nos Estados Unidos pagam direitos autorais pelas músicas que executam, enquanto as rádios brasileiras pela web não, pois não há aqui legislação definida para o pagamento de direitos autorais sobre execução de músicas pela internet.

Esta semana uma decisão do Copyright Royalty Board nos EUA pode atrapalhar as rádios transmitidas pela internet a partir daquele país, através de um aumento progressivo na taxa que deve ser paga a cada execução de uma música. [Webinsider]

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Sobre o Autor

<strong>Gilberto Jr</strong> (gilbertojr@gmail.com) é sócio da <a href="http://amanaie.com.br" rel="externo">Amanaiê</a> - startup com foco em OpenSocial - e mantém um <a href="http://prati.ca" rel="externo">blog sobre Web 2.0</a>.

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    Publicada em: 20/04/2007 12:33
    Impresso em: 28/11/2009
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