Comportamento - Redes sociais

Web 2.0? Melhor dizer mídia social ou colaborativa

25/03/2007 2:12

Por: Juliano Spyer

O termo Web 2.0 não soa bem quando usado para benefício privado, ao invés de defender os valores por trás do conceito. Sempre existiu a caracteristica que diferencia a internet das mídias tradicionais.

Logo que comecei a ouvir falar em Web 2.0, imaginei uma espécie de condomínio virtual privado – um espaço desenvolvido por mega-corporações, acessível por um canal diferenciado do da internet comum, funcionando como uma plataforma de publicação mais controlada e protegida e oferecendo soluções de e-commerce e vantagens para usuários com acesso rápido. Nada disso.

Na verdade Web 2.0 se refere a uma relação de características que supostamente diferenciam novos sites daqueles que naufragaram com o estouro da bolha da internet na virada do século.

A idéia foi lançada em 2004 pela O’Relly Media, uma editora e empresa de comunicação; se tornou o nome de uma conferência que acontece anualmente nos Estados Unidos e daí se alastrou a ponto de uma busca pelo Google indicar a existência de centenas de milhares de páginas fazendo referência ao assunto.

Defensores do termo dizem que ele identifica sites de networking social, ferramentas de comunicação, wikis e etiquetagem eletrônica (tags), baseados na colaboração e que entendem que a natureza da rede é orgânica, social e emergente. Seguindo essa linha de raciocínio, este livro trata exclusivamente da Web 2.0. Mas pelos motivos apresentados a seguir, optamos – autor e editora – por não adotar o termo.

Como reconheceu o fundador da O´Reilly Media, Tim O’Reilly, “companhias agora estão passando [o termo] adiante como uma palavra de efeito (buzzword), sem terem um entendimento real sobre o que ele quer dizer1”.

Por esse motivo alguns críticos consideram que o nome Web 2.0 vem sendo aplicado indiscriminadamente como sinônimo de originalidade tecnológica para entusiasmar possíveis clientes e investidores. A associação vaga entre “2.0” e a idéia de inovação abre precedente para que, por exemplo, um projeto comum que inclua um blog seja promovido como Web 2.0 pela equipe de vendas encarregada de oferecer a solução.

Ao invés de defender os valores por trás do conceito, o nome passa a ser usado para benefício privado. Há desconfiança de que muitas companhias promovendo essa bandeira estejam desenvolvendo produtos sem modelos de negócio sérios apenas para se aproveitar do aquecimento do mercado2, o que traria junto com a “nova internet” uma “nova bolha”.

Para Clay Shirky, um estudioso dos efeitos sociais e econômicos dessas novas tecnologias, “antes da internet, as diferenças na comunicação entre comunidade e audiência eram fundamentalmente determinadas pela mídia – telefones serviam para conversas de um-para-um mas não serviam para atingir rapidamente um grande número de pessoas, enquanto a TV tinha características inversas. A internet pôs fim à separação oferecendo um mesmo veículo para ser usado para falar com comunidades ou audiências3.”

Essa característica, que permite que aconteça a colaboração online, surgiu junto com a comunicação via computadores em rede nos anos 1970, nos primórdios da internet. (O primeiro sistema de mural de mensagens online, o CBBS, apareceu em 1978 na cidade de Chicago.)

Em meados de 1990, na transição da internet de nicho voltada a entusiastas da computação para a internet acessível ao usuário comum, os sites incorporaram temporariamente características da mídia de massas convencional, mas o estouro da bolha na virada do milênio corrigiu esse desvio de trajetória.

As vantagens do conteúdo gerado em ambientes colaborativos determinaram a sobrevivência de sites como Amazon.com e Craigslist, e produziram a fundação para o desenvolvimento de projetos como Google, Wikipedia, Orkut, YouTube e Second Life.

Considerando a comunicação de duas vias de várias ou muitas pessoas entre si como o elemento diferenciador da internet em relação às tecnologias de mídia precedentes, não houve quebra de paradigma que justifique a denominação Web 2.0.

Mídia social e internet colaborativa descrevem mais precisamente a caracteristica que diferencia a internet das mídias tradicionais. [Webinsider]

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What is Web 2.0, publicado em 2005

Segundo a revista Business 2.0, a se julgar pelo número de companhias que já abriram processo ou indicaram que pretendem abrir capital, 2007 promete se tornar o maior ano em termos de lançamento de novas ações de tecnologia desde o fim da bolha em 2000. Em Tech IPOs: They’re back!, por Michael Coperland, editor senior.

Clay Shirky, Communities, Audiences, and Scale. April 6, 2002..

Sobre o Autor

<strong>Juliano Spyer</strong> (juliano@naozero.com.br), autor do livro <strong><a href="http://www.naozero.com.br/conectado" rel="externo">Conectado</a></strong> e do blog <strong><a href="http://www.naozero.com.br/" rel="externo">NãoZero</a></strong>, é especialista em mídia social e projetos colaborativos na web.

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    Publicada em: 25/03/2007 2:12
    Impresso em: 28/11/2009
[editor] vtardin@webinsider.com.br