Criação - Branding

Uma força que pode vir das agências

12/03/2007 23:38

Por: Guilherme Girão

O tema responsabilidade social ainda não saiu da pauta das empresas e poderia entrar na das agências. São inúmeros os projetos sociais e ambientais desenvolvidos em todo Brasil que não possuem apoio e que merecem contribuição.

Já faz um bom tempo que responsabilidades social e ambiental são temas recorrentes na maioria das empresas e até mesmo o terceiro setor se tornou um excelente negócio para as agências de comunicação. Isto porque a demanda de divulgação, criação de novas peças e de planejamento cresceu junto com o número de organizações que adotaram novas práticas de sustentabilidade (claro que quanto maior o projeto, maior será seu orçamento de marketing para garantir reconhecimento público) ou apenas incluíram algumas ações sociais e ambientais no seu dia-a-dia. Mas, claro, ninguém pode deixar de divulgar isso, já que para os stakeholders (públicos envolvidos no negócio) isso é uma parte importante que uma empresa que visa o lucro pode fazer.

Não, não estou criticando aqueles que usam projetos sociais e ambientais para criar uma imagem positiva e muito menos aquelas empresas que desenvolvem um trabalho que realmente contribuem para melhoria do nível de vida da população ou de pequenas comunidades. Até porque, fazer o mínimo já é um grande começo, pois o governo deixa grandes buracos que a iniciativa privada pode ajudar a tapá-los.

A minha intenção é voltar os olhos para o nosso umbigo, profissionais da área de marketing e de comunicação. Ou seja, é pensar no que poderíamos fazer por organizações não-governamentais sérias, que possuem pouco ou nenhum apoio para desenvolver seu trabalho. Acredito que o mais importante não seja destinar parte do faturamento das agências para estas instituições – já que a maioria não teria condições para isso -, mas sim aproveitar a estrutura já existente da agência para desenvolver um planejamento e execução de ações de comunicação e marketing para contribuir com estas ONGs.

Basta lembrar o poder das ferramentas de comunicação, que desenvolvemos para nossos clientes, para perceber o quanto poderíamos ajudar as instituições carentes a alcançar os objetivos delas. E podemos até ir além, já que lidamos diariamente com fornecedores e empresas que também podem ser inseridos nesse pensamento, contribuindo, por exemplo, na hora de imprimir o material desenvolvido, cedendo espaço de divulgação (mesmo que em curto período), entre outros, e até mesmo ceder produtos e serviços que estejam em seu portifólio e podem melhorar processos ou suprir necessidades básicas.

Não acredito em voluntariado de forma isolada, com ações soltas e que não levam a um resultado esperado. Mas sim em um trabalho sério, sem fins lucrativos, desenvolvido com profissionalismo, que ajude a estruturar organizações não-governamentais (que realmente são carentes) a conseguirem uma base para continuar seus projetos sociais. E isto é possível ser feito por agências de pequeno, médio e grande porte, sendo apenas necessário entender a demanda destas instituições e saber até onde conseguem chegar com a estrutura que possuem.

O tema responsabilidade social ainda não saiu da pauta das empresas e poderia entrar na das agências. Existem ONGs que recebem verbas expressivas de grandes empresas, mas elas fazem parte de uma minoria. São inúmeros os projetos sociais e ambientais desenvolvidos em todo Brasil que não possuem apoio e que merecem contribuição. E é possível ajudá-los, basta apenas força de vontade dos empresários da comunicação. [Webinsider]

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Sobre o Autor

<strong>Guilherme Girão</strong> (guilherme@2inc.com.br) é jornalista, com especialização em marketing pela Fundação Getúlio Vargas.

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    Publicada em: 12/03/2007 23:38
    Impresso em: 28/11/2009
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