Mídia interativa

Pesquisas qualitativas migram para a web nos EUA

26/01/2007 14:41

Por: Gabriela Simionato Klein

Quer fazer pesquisa qualitativa de baixo custo e alto retorno? Esqueça telemarketing e mala-direta, dizem os norte-americanos. Quando os comunicadores brasileiros vão aproveitar este recurso?

Entre as minhas mensagens novas na caixa de entrada do correio eletrônico, recebo o informativo de uma revista feminina americana. Além de chamadas para as principais matérias da próxima edição e notícias recentes postadas no site, aprecio promoções, destaques em produtos vendidos num catálogo eletrônico da própria publicação e um convite para participar de uma pesquisa.

A recompensa, um número para um sorteio de vários kits de cosméticos, é atraente. E lá vou eu seguir o link indicado. Em menos de 10 minutos, e de maneira muito simples, completo o percurso, fornecendo informações valiosas sobre o meu perfil e hábitos de consumo para uma montadora de carros (aposto, pelo teor da pesquisa); além de despejar ali boas idéias sobre o que gostaria de ver publicado, fazendo a festa da equipe editorial em próximas reuniões de pauta; e ainda dando à área comercial da editora dados para justificar preços e adequação da mídia para investidas publicitárias de empresas ligadas ao mercado automobilístico.

Isto tudo sem sair de casa e sem me sentir invadida por telefonemas de operadores de telemarketing que apenas recitam seus scripts ou de cartas-resposta que invariavelmente parariam no lixo. Da mesma forma, a empresa que encomendou a pesquisa reduziu seus gastos e teve acesso a resultados de maneira rápida, provavelmente com a possibilidade de emissão de relatórios diversos a partir da mesma base de dados. Ganha-ganha total, com todo mundo muito feliz (eu mesma, pela experiência, apesar do azar no sorteio).

Vantagens na operação pela rede

E estes são apenas alguns dos benefícios ao se usar a internet como base para aplicação de questionários. Profissionais do meio ressaltam em artigos acadêmicos divulgados pela web as vantagens desta nova forma de fazer pesquisas:

E ainda, ao se optar por esta plataforma, não se concorre com os já saturados meios de pesquisa por e-mail e telefone, que, de tão usados, contam também com vários mecanismos desenvolvidos para impedir o contato, como sistemas anti-spam, binas, secretárias eletrônicas…

Quando o incentivo se une à facilidade de acesso

Dependendo do mercado a ser estudado, e se ele está na internet, é jogo rápido, barato e certo. Tão certo que nos Estados Unidos já existem empresas especializadas somente nestas pesquisas quantitativas via internet. A e-Rewards, que recebeu aporte financeiro do grupo investidor Sutter Hill Ventures, por exemplo, promete resultados aos clientes e recompensas aos afiliados (leia-se: “ratinhos de laboratório” humanos por livre e espontânea vontade).

Misturando conceitos de clube de vantagens e rede de relacionamento, a empresa, através do site, convida pessoas a se cadastrarem. Uma vez com uma conta ativa, você pode definir o quanto quer participar (ou quantos convites para pesquisa por e-mail quer receber). A cada pesquisa respondida, o membro ganha pontos, que variam de acordo com a utilidade dentro da pesquisa. Se for barrado logo nas primeiras perguntas de qualificação, ganha só um agrado pequeno. Respondendo a tudo, enche a carteira digital.

Com os pontos, pode-se fazer “compras” entre as empresas clientes da pesquisadora. Eu, por exemplo, respondi questionários sobre serviços de telefonia e decoração e reverti o meu “trabalho” em locações gratuitas de DVDs na Blockbuster, outra cliente. Além dela, são patrocinadores a Pizza Hut, a rede de locação de automóveis Hertz, o conglomerado Hilton e várias companhias aéreas.

Faça você mesmo

Pipocam também empresas que oferecem desde software a consultoria para realização de pesquisas de opinião pela web. Dê um “Google” em web survey software e veja a popularidade do tema.

São páginas e páginas com links para oferta de produtos com funcionalidades variadas a modelos prontos para mercados e objetivos bem específicos. Não faltam também dicas de como montar a pesquisa por conta própria.

Tudo isto me põe a pensar: com esta discussão toda sobre a revolução que a banda larga trouxe, fazendo a internet tão mais presente na vida das pessoas, estamos nos perdendo muito olhando para o futuro e esquecendo de fazer no presente o básico, de transpor tarefas práticas do mundo real para o virtual?

Ou isto só acontece com os visionários preocupados em serem pioneiros nos novos negócios e o problema com os comunicadores brasileiros é justamente o contrário. Eles estariam se limitando demais ao determinar as regras da publicidade e novo jornalismo na internet e se esquecendo que justamente por ela ser uma via de múltiplas mãos que tanto jornalismo e publicidade perderam seu chão firme em primeiro lugar.

Então comunicadores brasileiros, que tal fazer o exercício diário e se perguntar, que ferramenta nova vou usar/testar através da internet hoje? [Webinsider]

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Sobre o Autor

<strong>Gabriela Simionato Klein</strong> (gaby@mindsell.com) é jornalista, radicada nos Estados Unidos e também escreve no blog <strong><a href="http://www.debaixodaminhapele.blogspot.com" rel="externo">Debaixo da minha pele</a></strong>

Url original: http://webinsider.uol.com.br/index.php/2007/01/26/pesquisas-qualitativas-migram-para-a-internet-nos-eua/
    Publicada em: 26/01/2007 14:41
    Impresso em: 28/11/2009
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