Mobile - Design - Usabilidade e AI

iPhone faz o básico sofisticadamente simples

14/01/2007 18:10

Por: Gilberto Alves Jr.

O novo celular da Apple é telefone, MP3 player, comunicador via internet, leitor de e-books, câmera fotográfica... Com interface sem teclas, utiliza apenas toque dos dedos e traz o Mac OSX embutido.

Mais uma vez a Apple inventou um aparelho que supostamente torna todos os outros aparelhos da categoria obsoletos. É o novo iPhone, sobre o qual você já deve ter ouvido falar. São três aparelhos em um: um iPod widescreen, um revolucionário telefone e um aparelho de comunicação via internet.

O básico, bem feito

O melhor do iPhone é que ele faz o básico, mas faz bem feito. Quando no modo iPod, é ainda mais fácil encontrar e ouvir suas músicas, com o novo sistema de rolagem. Quando no modo telefone torna incrivelmente fácil fazer ligações, inclusive conferência, enviar mensagens SMS e receber recados por voz, podendo escolher qual recado quer ouvir primeiro. Quando no modo internet, é o primeiro telefone que traz um navegador de verdade, o Safari. Quase tudo isso já era possível utilizando smartphones, porém a diferença do iPhone não está no que ele faz, mas como, ou seja, a experiência de uso.

Revolução

A maior revolução que o iPhone traz é a sua interface, com um botão somente: home. Todas as outra operações são feitas com o dedo na tela. A nova tecnologia, chamada multi-touch, permite que você controle o aparelho com gestos. Para aumentar ou diminuir o tamanho de imagens, por exemplo, basta juntar ou separar o indicador do polegar. O aparelho torna absurdamente fácil a tarefa de “rolagem”: basta “empurrar” a interface com o dedo, para cima ou para baixo.

Mas há outras novidades importantes. Muito além dos smartphones, ele roda o poderoso OSX como sistema operacional. Desta forma, o aparelhinho pode executar programas “de verdade”, não versões menores para celular, programas feitos para desktop. O melhor exemplo é o navegador Safari, que mostra websites inteiros no aparelho, exatamente como em um computador normal, não versões wap específicas para celular. Assim como o iPod, o iPhone sincroniza dados com o iTunes, mas vai além das músicas, fotos e vídeos, ele sincroniza contatos, sites favoritos, documentos, etc…

Outro avanço que só o iPhone traz é um sensor que muda a tela conforme a posição do aparelho — se ele estiver na posição vertical, a interface é vertical; se estiver na horizontal, a interface muda e se adequa ao modo widescreen, ótimo para ver fotos, vídeos e ler textos.

O aparelho tem ainda uma câmera de 2 megapixels, que funciona de modo maravilhoso na tela de 3.5 polegadas. Vem em duas versões, uma com 4Gb e outra com 8Gb de espaço.

Parceria com Google e Yahoo

Diversas parcerias foram feitas para tornar o iPhone possível. Uma delas foi com o Google, para uma genial integração do iPhone com o Google Maps, além de trazer o buscador do Google integrado ao navegador Safari. Outra parceria importante foi com o Yahoo, para prover e-mail com a tecnologia “push” IMAP.

Finalmente um ótimo leitor de e-books

Os e-books ainda não são tão populares quando poderiam ser. Isso se deve, entre outras coisas, ao fato de não haver um leitor bom (incluindo aqui o preço) o suficiente. O iPhone tem a capacidade de ler arquivos no formato PDF, no modo widescreen e com sua tecnologia fantástica de rolagem com o dedo, ele parece ser o leitor de e-books ideal, principalmente para quem gosta, como eu, de ler e ouvir música ao mesmo tempo, em qualquer lugar.

Problemas do iPhone

Mas vários analistas têm apontado diversos problemas na novidade. O maior deles seria o fato do telefone funcionar somente com uma operadora, a Cingular, parte da AT&T. Outro problema seria a operação do aparelho no carro ou por usuários com deficiências visuais, já que não é possível sentir as teclas, mas somente a superfície lisa do vidro — cuidadosamente escolhido para esconder marcas de dedo.

Entre a comunidade de desenvolvedores, o maior problema é o fato de que o iPhone é uma plataforma totalmente fechada. Não será possível desenvolver um aplicativo novo para o aparelho, exceto pela própria Apple, é claro. O motivo desta abordagem seria a necessidade de proteger o software do aparelho, para que ele sempre funcione como foi feito para funcionar, e também a rede da Cingular, que, segundo Steve Jobs, poderia “cair” por causa de um único aplicativo do iPhone.

Outro problema, maior para a Apple do que para seus usuários, é o nome. A empresa Cisco, que é dona da marca “iPhone”, está processando a Apple pela utilização do mesmo nome.

No Brasil

O aparelho deve começar a ser vendido somente em junho nos Estados Unidos. Diferentemente de um iPod, o iPhone depende da parceria com uma companhia telefônica para funcionar. Por este motivo, deve demorar bastante até que seja vendido e funcione no Brasil. Representantes da Cingular disseram, no entanto, que o aparelho pode ser destravado, por “caras maus”, para funcionar com outras operadoras.

Eu, que utilizo o celular mais como relógio do que como telefone, não me empolgo muito com as funcionalidades do telefone, mas sim com o iPod vídeo widescreen, internet, e-mail e o leitor de e-books. E você, gastaria tanto dinheiro (US$ 499) com o novo aparelho? [Webinsider]

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Sobre o Autor

<strong>Gilberto Jr</strong> (gilbertojr@gmail.com) é sócio da <a href="http://amanaie.com.br" rel="externo">Amanaiê</a> - startup com foco em OpenSocial - e mantém um <a href="http://prati.ca" rel="externo">blog sobre Web 2.0</a>.

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    Publicada em: 14/01/2007 18:10
    Impresso em: 28/11/2009
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