Mídia interativa - Redes sociais

2006 foi do usuário. 2007 será o ano de quem?

11/01/2007 2:05

Por: Diego Cox

Usuários ganham mais controle porque estão mais engajados e preparados para escolher suas preferências, enquanto grandes players como Yahoo, Google e Microsoft procuram controlar maiores fatias de mercado.

Dois mil e seis ficará marcado na história da internet e da comunicação como o ano em que transformações que vinham ganhando espaço tornaram-se reais. O mercado web provou definitivamente sua relevância pela vasta gama de serviços e utilidades que oferece. O que antes eram promessas e especulações tornou-se realidade. A descrença que acompanhava a internet desde 2000 está mais distante e o mercado começa a colher sucesso e importantes conquistas.

A web 2.0, até então um mito, alavancou o crescimento da rede e molda um novo fluxo comunicativo. Já somos mais de 22 milhões de brasileiros com conexão domiciliar, o PC tornou-se popular e a democratização digital começa a permitir o acesso em escolas públicas para crianças carentes. Este ano mais barreiras sociais serão ultrapassadas.

O mercado online

A Microsoft continua correndo atrás do prejuízo que a web e a pirataria vêm causando ao amplo domínio que mantén no mercado. O novo Windows Vista não obteve a repercussão desejada e o software livre vem ganhando força através do Linux e dos aplicativos open source.

A guerra da Microsoft contra a pirataria se fosse vencida poderia ser um equívoco estratégico, considerando que os usuários buscam a liberdade tecnológica e os baixos custos. As apostas de Bill Gates, que anunciou sua aposentadoria para 2008, ficam focadas na conectividade. Quem sabe a empresa não tente a compra da AOL ou a Yahoo!, que estão perdendo espaço, e assim turbine a briga frente ao Google.

A aquisição do YouTube por 1,6 bilhões de dólares foi até hoje o valor mais alto pago por um negócio deste tipo na internet — e o Google, novo dono, prossegue sua oferta de serviços gratuitos dos mais diversos tipos, para aumentar sua base de usuários e garantir o sucesso dos seus AdSense e Adwords.

O Yahoo! lidera índices de audiência na Web, contudo em vantagem competitiva menor e queda de market share. No final do ano promoveu mudanças no seu corpo executivo, na tentativa de reverter o quadro, diante da ameaça que tira o sono dos principais executivos da empresa.

Em novembro de 2006 o Yahoo! teve sua audiência superada pelo Google em 400 mil usuários. A Microsoft continua na liderança com 501,7 milhões de acessos mensais, considerando as atualizações do Windows no montante.

O ano de 2006 também destacou uma grande batalha entre os browsers Internet Explorer da Microsoft e o Firefox da Mozilla. Mais uma vez a empresa de Bill Gates sofreu uma queda nos índices de uso, enquanto o Firefox prosperou e já detêm quase 15% do mercado. O IE começa 2007 abaixo dos 80%, algo inédito na guerra dos browsers até 2006.

Web 2.0

Muitos apostaram que a web 2.0 seria mais uma bolha a estourar ou desinflar, uma moda “hype” de momento, uma expectativa equivocada, passageira e com prazo de validade. Mas durante o ano de 2006 o fenômeno prosperou.

A cada dia vemos surgir mais e mais serviços web 2.0, dos quais poucos fracassaram até agora. A tríade relacionamento, participação e inteligência coletiva, as principais estruturas de sustentação da web 2.0, foram bem aceitas pelos público e estão produzindo impacto.

O poder outorgado ao usuário foi muito aceito. Em tempos de “we media”, quem não quer ter a chance de se destacar na multidão? A web 2.0 é um grande passo para a democratização da informação e o reposicionamento do fluxo comunicativo.

Publicadores sociais – blogs, fotologs, comunidades e serviços participativos – estão se popularizando rapidamente. O fluxo comunicativo sofre uma transformação, onde o emissor diminui seu poder de “dono da verdade” e o receptor participa da mensagem não apenas como consumidor passivo, mas também como construtor. Se bem explorada, a web 2.0 poderá ser a “Prensa de Gutemberg” do século XXI.

Outras tendências e conjunturas

O Orkut é um sucesso ou um fracasso? Como comunidade de discussões densas certamente fracassou. Como um espaço social para encontrar amigos ou espionar a vida alheia é um sucesso. Com o “Efeito Katilce” o Orkut provou seu poder de viralidade.

O modelo do Myspace mostrou-se muito mais eficiente que o do Orkut, principalmente fora do Brasil. Até mesmo outros sites focados em redes sociais como o Linkedin, del.icio.us, digg, iLike e Flixter superam o modelo do Orkut. A receita de instalar uma comunidade partindo do caos foi reprovada. Hoje acredita-se que organização e foco são fundamentais para o sucesso de uma rede social.

Pensando em aplicativo, o Youtube foi a vedete de 2006. Mais um projeto criado por dois jovens visionários, escondidos em um “bunker”. Uma idéia sensacional, uma aposta audaciosa e Chad Hurley, Steve Chen e Jawed Karim ficaram ricos.

O game online Second Life chamou bastante atenção. Possui um modelo interessante: uma rede social mais viva e menos gélida que as demais. Um laboratório para a vida real que transforma o internauta no seu alterego. Indústrias de vários setores perceberam sua força e tentam aproveitá-lo com instrumento de branding.

Será que em 2007 a web mobile decola? Colocaria algumas fichas nessa aposta.

Conclusão

No ano passado a internet invadiu o mundo real. Mas, dentro da velocidade dos acontecimentos, isso já é passado. 2007 promete ser mais um grande ano e inicia com usuários muito mais engajados e preparados para navegar em mares mais remotos. Muitas guerras comerciais e concorrências entre os principais “players” do mercado deverão esquentar ainda mais o ano.

Assim, a vida virtual se aproxima cada vez mais da vida real e a convergência pode ser solidificada em 2007. A internet, desde 1994, vem trilhando uma história de sucessos, fracassos e grandes desafios. O usuário conquistou o merecido lugar ao sol e certamente conquistará muito mais. Afinal o que seria da internet sem aqueles que dão vida à ela? [Webinsider]

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Sobre o Autor

<strong>Diego Cox</strong> (dcoxbr@gmail.com) é analista de produtos sênior na <strong><a href="http://globo.com/ "rel="externo">Globo.com</a></strong>, publicitário e mantém um <strong><a href="http://www.reflexoesdigitais.com.br/ "rel="externo">blog</a></strong> focado em comunicação digital e internet.

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    Publicada em: 11/01/2007 2:05
    Impresso em: 28/11/2009
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