Importando design: minha sandália vai ser iraquiana
30/12/2006 17:15Por:
Opinião: nosso amigo ficou incomodado ao saber que a Grendene não contratou um designer brasileiro para criar uma linha de sandálias. Você concorda?
Nosso país é imenso. Temos um conjunto de diversificação geo-cultural que vai da paçoca ao chimarrão. É cachoeira, pantanal, floresta, mar, sertão. Somos vários dentro de um só! Isso é bom? É ótimo. Temos à disposição inúmeras fontes de inspiração. Basta olhar para o lado. Ou pegar um avião.
Mas com esta diversificação, não poderia deixar de existir diferenças. Culturais, econômicas e visionárias. O governo tentou explorar essas diferenças, incentivando o design em 1996 com o PBD (Programa Brasileito de Design), na época, o governo FHC. Um estímulo para cada região explorar suas características, aumentando a exportação e colaborando com os empresários de cada região.
Design virou “item de qualidade”. Que levem a marca Brasil! Parabéns pela iniciativa. Bons resultados surgem a cada ano. Mas e aí? Precisamos de mais. Muito mais. Principalmente dos empresários. Precisamos que eles tenham consciência! Em uns nem existe. Precisamos de investimento local! Não só do governo. Mas da iniciativa privada também.
O designer é uma figura extremamente necessária para a empresa e para nossa economia. Acho esquisito eu me enquadrar para pagar imposto, mas legalmente minha profissão não existir. Faço parte da economia ou não?
Acho esquisito, e fico indignado, que uma empresa como a Grendene, contrate uma arquiteta iraquiana para desenhar suas chinelas! E ainda: vai ganhar participação no lucros, deixando-as caras. Não tiro o mérito da Sra. Zaha Hadid. Uma excelente arquiteta! Com obras desconstrutivas maravilhosas. Mas é um absurdo! E o nosso Programa Brasileiro de Design? O governo incentiva de um lado, cobra imposto de outro, e o empresário, o industrial contrata profissional de fora (não é a primeira vez). Não vamos falar aqui de cultura global que atravessa fronteiras. Isso é utopia.
Nosso país precisa crescer de dentro para fora. Não sou xenófobo, longe disso. Que tal se os empresários, todos eles, tivessem um incentivo a apostar nos designers de sua região, do seu país. Imposto, lucros e descontos devidos a de quem é de direito. Nós podemos realizar qualquer projeto sem problema. Temos criatividade, qualidade, formação e técnica. Abram os olhos. Respeito não se exige, se conquista! [Webinsider]
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