Negócios - Tecnologia

Empreendimentos e tecnologia unem universidade e mercado

06/11/2006 20:08

Por: André Furtado

Conheça os projetos vencedores no Desafio de Empreendimentos em Tecnologia, realizado nos EUA, e como a aliança entre mundos distintos podem mudar a sua vida.

Não é raro encontrar polêmica quando o assunto é o fluxo de conhecimento entre universidade e mercado. De um lado, pesquisadores e estudantes são alvo da desconfiança que taxa seus trabalhos como “invenções mirabolantes de laboratório”. Do outro, a avidez por resultados práticos que garantam viabilidade e retorno de investimento estereotipam o mercado com um caráter mercenário.

Entretanto, para o bem da ciência (e também do mercado…), observa-se que a questão está sendo revisitada pelos empreendimentos emergentes em TI. Seja pelo alinhamento da iniciativa privada com o mundo acadêmico, ou pela demanda da sociedade por inovação e informação, a verdade é que empresas e pessoas adotam cada vez mais (rápido) as idéias produzidas em centros de pesquisa – mesmo quando não sabem disso.

O Desafio de Empreendimentos em Tecnologia 2006, realizado em outubro pela Intel e a Universidade da Califórnia em Berkeley, nos EUA, foi um belo exemplo do que pode ser realizado com a união entre universidade e mercado. Foi uma competição onde estudantes de todo o mundo foram desafiados a alinhar o espírito criativo e inovador com a capacidade de construir um empreendimento viável, consolidado em um Plano de Negócios.

Uma equipe formada por americanos e africanos ficou em terceiro lugar no desafio e apresentou um dispositivo, do tamanho de um microondas grande, capaz de gerar água potável a partir da umidade do ar. O engenho, alimentado por energia solar, é capaz de produzir centenas de galões de água potável com apenas poucos kilowatts. A África é o mercado-alvo inicial do empreendimento, não sem razão: em muitas cidades de lá, várias pessoas morrem a cada minuto por causa da falta de água potável.

Empatada em terceiro com os afro-americanos, uma equipe da China apresentou uma nova tecnologia (patenteada, obviamente) para a construção de chips LED (Light Emitting Diode), que são uma fonte alternativa para iluminação e decoração baseada em luz. Como se já não bastasse a decoração megalomaníaca em cidades e eventos chineses, a proximidade dos Jogos Olímpicos de Beijing em 2008, assim como o Shanghai World Expo em 2010, são um terreno fértil para o crescimento do empreendimento.

Em segundo lugar, um grupo de indianos apresentou uma tecnologia (na verdade, uma biotecnologia) que permite atribuir ao papel comum propriedades higroscópicas, isto é, a capacidade de absorver a umidade da atmosfera e de assim permanecer, úmido, perpetuamente. As aplicações de tal feito são inúmeras, contemplando áreas desde a Medicina até a capacidade de criar flores artificiais muito mais realistas.

Por fim, o primeiro lugar da competição ficou com uma equipe da própria cidade de Berkeley, focada na produção de bio-combustíveis. No desafio, eles apresentaram uma tecnologia capaz de criar biodiesel com uma impressionante economia no custo de produção, cerca de 100 vezes menor do que as abordagens atuais.

Brasileiros também participaram

O Brasil foi representado na competição por duas equipes. A primeira, de São Paulo, apresentou soluções para o resfriamento de aparelhos eletrônicos (principalmente notebooks) baseada em água, destacando vantagens como pouca geração de barulho, pouco consumo de energia e tamanho extremamente reduzido do dispositivo de refrigeração.

A segunda equipe foi de Pernambuco (veja aqui, da qual faço parte) e mostrou um conjunto de serviços e sistemas para proporcionar novas oportunidades ao turismo. Em destaque, a aplicação do conceito de web 2.0 ao domínio turístico, sugestões de um agente virtual baseadas no perfil específico de cada turista e, por fim, a possibilidade de permitir que familiares e amigos acompanhem pela TV Digital vídeos e demais conteúdo postado em tempo real pelo turista.

As possibilidades de colaboração entre o universo acadêmico e o mercado de TI são imensas. Seguindo a receita de unir criatividade e viabilidade, com muitas pitadas de inovação, assim surgem os empreendimentos que mudarão nosso modo de viver, pensar e interagir nas próximas décadas. [Webinsider]

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Sobre o Autor

<strong>André Furtado</strong> (andrewilsonfurtado@yahoo.com.br) é doutorando em Ciência da Computação pela UFPE. Estudante embaixador da Microsoft, campeão nacional/mundial da competição Imagine Cup, consultor-sócio do projeto MyTV e líder do grupo de usuários Sharp Shooters.NET e mantém um <a href="http://thespoke.net/blogs/afurtado" rel="externo">blog</a>.

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    Publicada em: 06/11/2006 20:08
    Impresso em: 28/11/2009
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