Digg, alternativa light ao Slashdot, segue avançando
03/10/2006 11:58Por:
Site de posts colaborativos cresce à altura do Slashdot. A moderação também vem dos leitores e os conteúdos mais votados ganham destaque. Propostas são semelhantes, mas posicionamento do público é bastante diferente.
O Digg um site onde as próprios leitores enviam as notícias e decidem quais serão exibidas na capa, sem qualquer intervenção externa. Ou seja, quem faz o conteúdo são os próprios usuários. E saem coisas maravilhosas.
É difícil de acreditar, mas em pouco tempo a popularidade do site superou o New York Times online e vem duplicando de tamanho a cada dois meses. Em menos de um ano foram lançadas três versões, apareceram novas categorias, novidades do DiggLabs e muito espaço na mídia. Tudo isso com uns poucos servidores e uns doze funcionários.
Os usuários não são pagos, mas vasculham a internet inteira em busca da melhor notícia para que sejam votadas e “subam” para a capa. Essas notícias vêm de canais de notícias, blogs ou páginas pessoais. Uma vez destacado na capa, esse site recebe dezenas de milhares de visitas. O usuário que postou a notícia não ganha nada (a não ser que tenha postado uma notícia de seu próprio site) e quem votou para que ela fosse enviada a capa também não. São mais de 1 milhão de colaboradores buscando classificar o que é bom ou não naquele mundo de links.
O fenômeno que impulsiona o Digg é também uma vitória de bloggers e outros geradores de conteúdo anônimos. Um artigo pode ter projeção equivalente à publicação de um grande portal; basta que tenha conteúdo de interesse aos usuários. Muitas vezes o autor do conteúdo destacado nem sabe que está sendo divulgado no Digg, o que pode derrubar servidores de pequenos sites não preparados para tantos acessos repentinos.
Há quem diga que este é um modelo ultrapassado, pois o Slashdot usa há alguns anos um sistema parecido. Não vejo dessa maneira. Existe essencialmente uma enorme diferença entre os dois: o Digg é simples, o Slashdot, complicado. Simplicidade é tudo.
Votos elegem os melhores conteúdos
Há sempre discussão sobre o excesso de conteúdo na internet. O tempo disponível diminui e somos expostos a mais informações. Como saber o que é realmente relevante? Nesse contexto, um site que consegue organizar os conteúdos de forma eficiente, a partir das opiniões dos próprios usuários, atende essa demanda. Não é de se estranhar o sucesso.
Redes sociais
Não é verdade que o Digg se baseia totalmente em conteúdo: o aspecto social do site é muito forte. Existe uma disputa entre os usuários para saber quem traz notícias mais relevantes; há um sistema de comentários bem movimentado e até mesmo perfil de usuários.
Diz a lenda que a Netscape.com meses atrás teria tentado atrair, com a oferta de US$ 1.000 mensais, os melhores postadores para um site clone do Digg que desenvolveu. Não funcionou.
Os problemas
O Digg também enfrenta problemas. Recentemente teve que lidar com denúncias de manipulação da posição das notícias, em questões envolvendo concorrência entre empresas. Grandes grupos fechados de usuários também tentam controlar os destaques da capa, agindo em bloco para promover notícias de seus interesses. A administração do Digg procura neutralizar este tipo de ação com a utilização de novos algoritmos.
E fica a pergunta: um sistema tão democrático e utópico estaria sujeito a ser corrompido por grupos com interesses diversos?
Alternativas brasileiras
No Brasil o fenômeno Digg ainda não pegou; estão nascendo agora as primeiras iniciativas, mas nenhuma ainda emplacou propriamente. Muitas delas pecam nos aspectos mais básicos, outras são promissoras. [Webinsider]