Criação

Políticos praticam o pior marketing na internet

11/07/2006 12:16

Por: Raphael Perret

Antes, correntes e vírus. Hoje, a campanha eleitoral invade nossas caixas postais, scrapbooks de Orkut e comentários de blogs com mensagens não de anônimos, mas de seres virtuais com nome, foto e preferências.

O tempo passa, o tempo voa e o uso da internet na campanha eleitoral está cada vez mais intenso. O tema já foi discutido em 2002, foi muito discutido em 2004 e, muito provavelmente, será extremamente discutido em 2006.

Estão sabendo do blog do Pero Vaz de Caminha? Seu objetivo é fazer antipropaganda do candidato ao governo do Estado do Rio de Janeiro pelo PMDB, o senador Sérgio Cabral Filho, através da publicação de notícias negativas à imagem do atual líder das pesquisas. Cabral, obviamente, não gostou e pediu ao TRE a retirada do ar do blog.

Os autores da “brincadeira” não desistiram e hospedaram o site na Croácia. Em vão, porque, agora, a mensagem que aparece no endereço divulgado é “Removed (under criminal investigation)”. Ontem à noite, o novo endereço do blog era norte-americano.

Supõe-se que a iniciativa tem o apoio de um político concorrente, consciente do poder da guerrilha virtual. Onde está a verdade? No Orkut talvez não. Lá existe um perfil e uma comunidade relacionada a Pero Vaz, onde proliferam mensagens, em diversas comunidades não necessariamente políticas, de perfis evidentemente falsos divulgando o blog e “denunciando” a censura.

Em nome da política, o marketing tem mentira

Antes, correntes e vírus. Hoje, é a campanha eleitoral cuja retoricazinha marqueteira invade nossas caixas postais, scrapbooks de Orkut e comentários de blogs. Provenientes não de anônimos, mas de seres virtuais com nome, foto e preferências.

Um inteligente artifício: o candidato e seus asseclas podem fazer sua propaganda através de pessoas diferentes (e inexistentes), evitando o desgaste da própria imagem e atribuindo ao discurso uma suposta legitimidade, porque passa a falsa impressão de ter sido incorporado por vários membros do povo.

Está claro que a internet e todos os serviços nela disponíveis tornaram-se ferramentas agressivas dentro da guerra eleitoral. Foram lapidadas e são manuseadas de maneira mais objetiva. Candidatos e partidos políticos começam a compreender a rede, fugindo do lugar-comum da simples existência de uma página na web.

O que é abuso e o que é permitido?

O caso Pero Vaz foi um exemplo microcósmico neste ciberespaço infindável. Certamente não é um caso isolado e outros políticos já navegam e desbravam a internet em busca de votos.

Impossível que a legislação eleitoral atual, considerada mais rigorosa que antes, preveja todos os abusos que, certamente, serão cometidos na web. Porém, o que é abuso e o que é permitido? É proibido anunciar no seu próprio blog ou no seu perfil no Orkut o seu candidato de preferência? E manter um espaço na web atacando o adversário, faz parte do jogo ou é crime eleitoral? São dúvidas que surgem com a expansão do ciberespaço e que, lentamente, são debatidas e solucionadas. Acompanhemos. [Webinsider]

Sobre o Autor

<strong>Raphael Perret</strong> (raperret@yahoo.com.br) é jornalista, mestre em Informática e mantém o blog <strong><a href="http://www.butucaligada.com.br" rel="externo">Butuca Ligada</a></strong>.

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    Publicada em: 11/07/2006 12:16
    Impresso em: 28/11/2009
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