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Web 2.0: chega a hora de repensar conteúdo

23/12/2005 0:00

Por: Gilberto Alves Jr.

As informações geradas pelo seu projeto devem ser consideradas com a máxima importância. Esse conteúdo deve ser adequadamente definido e gerar serviços para o usuário.

No artigo anterior, sobre a internet ser uma plataforma (veja ao lado), dissemos que para começar um projeto web, as pessoas deveriam (além de tomar um café bem forte) primeiro pensar nas informações que o projeto levará ao público, depois pensar no programa que entregará este conteúdo.

Neste artigo vamos trazer algumas reflexões sobre como seria o conteúdo de um projeto web a partir das convenções da Web 2.0.

Defina qual é o conteúdo

Por incrível que pareça, muitos projetos começam sem que os envolvidos saibam com muita certeza qual será o conteúdo. Entretanto, normalmente as pessoas vão até um site procurando uma informação.

Se não há um documento que defina exatamente qual será o conteúdo do projeto e as informações a serem transmitidas ao usuário, o objetivo do projeto não estará claro e é provável que alguém se perca no meio do caminho.

Esse documento será tão específico quanto for o conteúdo do seu projeto. No caso do Flickr, por exemplo, o conteúdo dele se resume em uma palavra: fotos. Tendo isso em mente, eles pensaram em como obter essas fotos, que seriam o conteúdo do projeto, e como mostrá–las ao usuário.

O Google tem como conteúdo toda a informação do mundo, e pretende organizá–la. Mas o buscador do Google é bem mais modesto, só quer ter como conteúdo todas as páginas da internet e entregá–las ao usuário através da busca.

Entende? Essa questão do conteúdo é séria mesmo. É preciso escrever em algum lugar de forma sucinta qual será o conteúdo do projeto.

Lembre–se: o conteúdo deve gerar serviços.

Na Web 2.0 a gente já não pensa em termos de publicação, mas de serviços. Publicação de informações é um serviço, sim – o Webinsider é um bom exemplo disso –, mas é só um entre os infinitos que poderiam ser ofertados. É importante ter consciência disso.

Um exemplo: O Google Local, o Yahoo Local e o MSN Maps são serviços gratuitos de localização e mapas. Basicamente este serviço não passa de entregar de forma eficiente uma informação: mapas. Mas os serviços que podem ser gerados a partir destas informações são muitos. Alguns exemplos: o mapa do crime em Chicago, mapa de bares, mapa de trânsito, entre muitos outros.

Um editor de textos web como o Writely é um serviço. Qual é a informação neste caso? Textos de qualquer tipo. Se o conteúdo fosse imagens ou planilhas, o serviço seria completamente diferente.

Então, na hora de pensar em um tipo de informação para um projeto, pense grande e descubra que serviços estas informações podem prestar e invista nestes serviços.

Pense sobre a forma como este conteúdo será gerado

Estando definido qual será o conteúdo, é hora de gerar este material. Agora você tem que definir como ele será gerado e isso é muito importante. Existem várias formas, veja algumas:

Sistema IPC. Esse é um sistema de criação de conteúdo muito utilizado por aí. IPC é uma sigla para “Isso é um Problema do Cliente”. Eu digo desde já que esse sistema não é muito recomendado, pois pode apresentar erros graves de redação, atrasar o cronograma, trazer prejuízos e vários outros bugs.

Webwriters. São redatores que trabalham especificamente na área de desenvolvimento de matérias e textos para internet. É melhor contratar webwriters do que jornalistas de mídia impressa - que podem não conhecer bem a linguagem web - porque os primeiros têm conhecimentos fundamentais para a eficiência de um projeto de conteúdo. Esta é a forma mais tradicional de produção de conteúdo (entre as formas sérias de se fazer isso).

A hora da participação

Alguns projetos que estão totalmente dentro do paradigma 2.0 como Flickr, Blogger, Orkut, del.icio.us, My.yahoo, Wikipedia etc. produzem praticamente 100% do seu conteúdo desta forma: através da participação dos próprios usuários.

Desta forma, estando o sistema de colaboração pronto, o conteúdo será todo gerado pelos próprios usuários, sem a necessidade de um webwriter.

Na web 1.0 já existia conteúdo colaborativo. Eram os guestbooks, fóruns etc. O problema é que essas coisas eram colocadas num site de qualquer jeito, sem consciência da importância da colaboração.

Mas o conteúdo colaborativo também pode ser parcial. Lojas como Amazon ou o Submarino sabem muito bem disso. O conteúdo de uma loja são os produtos, mas além das informações sobre os produtos inseridas pela própria loja, os usuários também podem escrever resenhas e avaliações. Eu mesmo nunca mais compro um produto na internet (a última coisa que eu comprei foi um chuveiro) sem ir antes numa loja virtual e ver qual é o mais vendido, o que os usuários dizem sobre esse produto etc.

Muitas campanhas de publicidade estão sendo feitas através de conteúdo colaborativo. Um exemplo foi o Nike 10k, onde os usuários que entravam no site da corrida respondiam à provocação “Eu corro porque:…”, e algumas frases interessantes – sabe–se lá se eram de usuários ou não - foram lançadas em outdoors.

Os sites de conteúdo estão acordando para esta realidade e dando ao usuário a possibilidade de comentar a notícia. Em alguns casos os comentários são melhores e mais ricos que a própria matéria.

Mas dá pra confiar nesses caras?

Eu sei lá, viu? Eu mesmo não confio muito nos usuários não… hehe (brincadeira). Mas o pessoal da conferência Web 2.0 confia, e muito, muito mesmo. Tanto que um dos principais preceitos deles é confiar no usuário. E como esse pessoal da Web 2.0 ganhou muito dinheiro com a internet, eu acho que é uma boa idéia dar um crédito para eles. Quem sabe não estão certos, só pra variar?

Há pouco tempo a Wikipedia - uma enciclopédia feita totalmente pelos usuários - passou por maus bocados por causa de uma informação falsa. A credibilidade deles foi abalada, mas logo veio outra notícia, onde a revista Nature considera a Wikipedia quase tão exata quanto a Enciclopédia Britânica.

A idéia é a seguinte: se alguns maus elementos vão falar besteira, há milhares de outros para corrigir aquela besteira e reescrever algo interessante.

Então, se você quer o “selinho web 2.0″ no seu projeto, a preocupação com a participação não pode faltar. Esta é uma forma fantástica de gerar conteúdo – e eu falarei mais sobre isso em outros artigos.

Programas que geram o conteúdo

Outra forma de gerar conteúdo é através de programas que façam isso automaticamente.

O melhor exemplo (se tratando de Web 2.0, sempre) é o Google. O Google tem um programa, um robô, que passa pela internet inteira pegando as páginas e colocando–as no seu banco de dados. Além disso, o tem um programa que avalia as páginas, para verificar qual é mais relevante na busca. Assim o Google reúne todo o conteúdo do seu sistema de forma automatizada.

A mesma coisa acontece no Google News. O sistema busca notícias automaticamente e relaciona as mais relevantes em um site.

Esta é uma forma muito inteligente de gerar conteúdo porque não depende de pessoas e consegue muito público - e resultado financeiro, é claro.

A importância do conteúdo

Neste artigo nós vimos que o conteúdo, as informações do seu projeto, devem ser considerados com a máxima importância. Esse conteúdo deve ser adequadamente definido e gerar serviços para o usuário.

Além disso deve haver um cuidado especial com a forma como o conteúdo é gerado. Não deixe isso de lado como um problema do cliente. Pense no que é melhor para o projeto: contratar um webwriter, trabalhar conteúdo participativo (lembrando–se de confiar no usuário), ou desenvolver programas que gerem o conteúdo.

Porém, além de definir e gerar um conteúdo relevante, é preciso organizá–lo, para que o usuário encontre facilmente o que precisa. No próximo artigo eu vou falar sobre como a organização das informações é tratada no contexto da Web 2.0 e do conteúdo participativo. [Webinsider]

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Sobre o Autor

<strong>Gilberto Jr</strong> (gilbertojr@gmail.com) é sócio da <a href="http://amanaie.com.br" rel="externo">Amanaiê</a> - startup com foco em OpenSocial - e mantém um <a href="http://prati.ca" rel="externo">blog sobre Web 2.0</a>.

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    Publicada em: 23/12/2005 0:00
    Impresso em: 28/11/2009
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