Comportamento

TV por satélite pirata: entrevista com o vendedor

19/08/2005 0:00

Por: Paulo Rebêlo (reportagem)

Conversamos com um fornecedor de cartões importados que fazem o decodificador do sinal do satélite funcionar sem pagamento e ainda abrem todos os canais pay per view. Veja como funciona.

Piratear o sinal da TV a cabo é relativamente fácil. Ao menos é o que dizem os técnicos consultados pela reportagem e o próprio coordenador antipirataria da ABTA, Antônio Salles.

Uma das fragilidades das operadoras a cabo é que a transmissão é analógica, e não digital, como a transmissão por satélite. A operadora descobre a gambiarra a partir das reclamações dos usuários sobre a qualidade do serviço. “Ao mesmo tempo, as empresas estão investindo em fiscalizações, mandando técnicos para averiguar as ligações e a infraestrutura,” revela Salles.

No Recife, a Cabo Mais promove as duas ações (fiscalização e campanhas), tentando legalizar os eventuais usuários ilegais que encontre pelo caminho. A empresa não revela, porém, a incidência desses casos. “Os piratas não oferecem material de qualidade, então deixam rastros e ruídos na rede. Aí a gente vai atrás,” diz a gerente de marketing e negócios da empresa, Poliana SantAnna.

Mesmo assim, a ABTA revela que as operadoras a cabo estão convertendo o sinal analógico para o digital, a depender da demanda ou necessidade. Assim, fica mais fácil rastrear e impedir a pirataria comercial. Levantamentos independentes mostram que somente no Rio de Janeiro pode haver um número de assinantes piratas três vezes maior do que os legalizados.

Segundo o gerente de marketing local da Cabo Mais, Caetano Fregapane, o índice de penetração pirata é de 2% a 18%, a depender da cidade. Em Pernambuco, 5% do mercado estaria tomado pelos usuários informais.

O consultor de marketing e webdesign, A.R.S, 26 anos, já recebeu a oferta mirabolante de um plano com todos os canais no edifício onde mora. Com medo de represálias, ele prefere não se identificar, apesar de não ter aceito a proposta. “Eu já conhecia o esquema e, confesso, fiquei tentado. É bem mais barato e a gente tem acesso a todos os canais, incrível. Mas fiquei com medo e não aceitei, continuo apenas com a TV aberta”, completa.

Em São Paulo, a TVA tem o número 0800–707–2350 para auxiliar no combate à pirataria de sinal, fraudes e venda de decodificadores frios. O trabalho conta com a parceria no combate a pirataria do Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic) e Distritos Policiais. As denúncias também podem ser feitas por e–mail acessando o site www.antipirataria. com.br.

De acordo com dados da empresa, há uma média de 255 denúncias por mês em São Paulo e na região Sul do País, dos quais pelo menos 70 casos foram solucionados durante os anos de 2003 e 2004.

Discurso das operadoras por satélite é frágil

Procurada pela reportagem, a DirecTV foi enfática ao afirmar que “desconhece a incidência de pirataria de sinal nos serviços oferecidos pela empresa”. Representantes da empresa, por meio de sua assessoria de comunicação, chegaram a recomendar que a reportagem procurasse conversar com as operadoras de TV a cabo, pois elas é que sofreriam com o mercado ilegal. “Nosso sinal é digital, por satélite, não tem jeito de o pirata burlar o sistema ou oferecer um serviço comercial ilegal”, dizem em comunicado oficial.

Na prática, porém, a verdade é outra. As operadoras por satélite estão igualmente sujeitas às ações piratas e, talvez, até de um jeito mais fácil de ser assimilado pelos clientes. O kit de assinatura dessas operadoras inclui uma antena de recepção e um decodificador de sinal (decoder), para ser instalado na televisão. Dentro do decodificador, há um cartão magnético pessoal, com um chip exclusivo para cada usuário. Caso a pessoa troque o cartão ou tente forjar um, o sistema não funciona e o sinal não é reconhecido.

O problema é que os piratas de plantão vendem cartões importados que funcionam em alguns decodificadores, liberando o acesso total à programação, incluindo Pay–per–View e canais especiais. O usuário não precisa nem comprar o decodificador e a antena, já que aparelhos usados podem ser adquiridos no mercado sem maiores obstáculos.

A reportagem localizou um pirata que vende o cartão importado por R$ 350 e o kit completo, com antena e decoder, por R$ 550. De acordo com ele, o sinal chega diretamente na antena e as operadoras não têm nunca como descobrir. Obviamente, ele não quis ser identificado. Confira a entrevista em seguida.

– Como funciona a pirataria por satélite?
– Importamos os cartões dos Estados Unidos. As operadoras só trocam de cartão a cada dois anos, em média, então o usuário nem precisa se preocupar. O cartão libera todos os canais e, se a pessoa não for assinante, nem precisa. Também vendo a antena e o decodificador à parte, usados.

– E não tem perigo de a operadora descobrir?
– Não, desde que você não ligue o telefone no decoder. O cabo telefônico fica plugado no aparelho para comprar pacotes Pay–per–View, mas o cartão importado libera tudo, então, não precisa.

– Então o cabo telefônico não serve para mais nada?
– Serve para a operadora monitorar o sinal e descobrir se você está usando equipamento ilegal ou tentando burlar o sistema.

– Que garantia se tem?
– Não tem garantia, mas o cartão funciona em todos os Estados brasileiros. Se não funcionar, o cliente devolve para a gente e devolvemos o dinheiro.[Webinsider] (com Folha de Pernambuco)

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Sobre o Autor

<strong>Paulo Rebêlo</strong> (rebelo@webinsider.com.br) é subeditor do <strong>Webinsider</strong>.

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    Publicada em: 19/08/2005 0:00
    Impresso em: 28/11/2009
[editor] vtardin@webinsider.com.br