Mobile - Relacionamento

Por que não cruzar o celular com os orkuts?

05/04/2005 0:00

Por: Newton Fleury

Salvo iniciativas aqui e ali, os serviços das operadoras ainda não abraçaram realmente a vida social online. Sobrepor redes sociais estruturadas a uma espécie de city guide no celular é uma idéia.

Eu sou do tempo em que “conhecer gente” na internet, no sentido que faz sentido pros jovens, era coisa de nerd ou de louco. Hoje, de nerd e louco todo mundo tem um pouco. Pelo menos um perfil no orkut e uma conta de instant messenger, quem sabe um grupo no Yahoo! e, vai lá, um blog ou fotolog.

A vida social online é cada vez mais importante e consome grande parte do tempo destinado às nossas diversas relações. A vida online, contudo, não é lá das mais sociais, limitada pela imobilidade do PC, confinada às paredes do quarto.

O paradoxo acima só será verdade por pouco tempo, é claro. A popularização do celular revolucionou a comunicação nos últimos anos e recentemente virou veículo de mídia, computador portátil, tocador de MP3 e outras funções a mais. Entretanto, estranhamente, não embarcou nossa vida social online.

Salvo iniciativas aqui e ali, os serviços ditos online das operadoras ainda não abraçaram a vida social online. O celular pode libertar a pessoa pra viver a vida online na vida real e adiciona novos elementos a ela: instanteneidade e localização.

A vida social, ela própria, é móvel. Hoje, baladeiro que se preza quase nunca vai para um bar ou boate específico. A balada é uma constante busca pela “a boa”, onde grupos de amigos trocam informações via ligações e mensagens de texto, numa rede de festas, bares e boates interligadas por redes sociais não estruturadas munidas de telefones móveis.

Sobrepor redes sociais estruturadas (os orkuts da vida) a uma espécie de city guide ou “qualé a boa online” e colocar isso no celular me parece uma idéia óbvia. Saber onde está aquela gatinha do Orkut, ver as fotos da festa da faculdade – enquanto ainda dá tempo de chegar lá! – faz muito mais sentido do que a maioria dos serviços frios e pouco interativos que estão por aí e que focam nas pirotecnias do celular (vídeo, capacidade de tela) e não no que ele tem de melhor: conectividade, instanteneidade e mobilidade.

Trazer a vida online pro celular não precisa de tecnologias de última geração. Não é necessário um GPS nem mesmo as bizarras e complicadas triangulações de antenas para definir posição. O serviço dodgeball, “city guide móvel social” presente em diversas cidades dos EUA o faz só com SMS. O usuário chega num lugar e faz um “check–in”, mandando o texto @nomedolugar para o número do serviço. Se quiser, anexa uma foto ou comentário. Suas configurações pré–estabelecidas na web controlam o nível de privacidade de suas informações dentro da sua rede social. O cara procura um bar, vê quem está lá, lê os comentários, vê as fotos e corre pra lá, porque a menina que está animada e curte rock´n ´roll dos anos 70 é amiga da sua prima. O guerreiro virou nerd em busca da balada perfeita. [Webinsider]

Sobre o Autor

<strong>Newton Fleury Filho</strong> (newtonfo@gmail.com) é jornalista e consultor em serviços de valor agregado para telefones celulares.

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    Publicada em: 05/04/2005 0:00
    Impresso em: 28/11/2009
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