O designer e o desafio de criar seu próprio site
18/01/2005 0:00Por:
Casa de ferreiro, espeto de pau: enquanto cria mil sites para clientes e amigos, o designer não consegue nunca se decidir sobre o seu próprio site. Ser simples? Experimental? E agora?
Trabalho com design para web desde seus primórdios no Brasil (lá pelos idos de 1996). Admito com relutância jamais criei um site próprio, onde pudesse abrigar um portfólio e trabalhos pessoais. Tenho apenas o endereço de uma página, com uma lista de links para sites que eu já fiz.
Agora novamente procurando uma oportunidade no mercado, cabe a reflexão. Por que para uma parte (a maioria…) dos designers é tão difícil criar um portfólio personalizado, ou um site pessoal para mostrar nosso estilo?
Se nos apresentamos com este ou aquele rosto (um site mais moderno e limpo ou, de outra forma, um confuso e experimental) sentimos que isso nos definirá perante o mercado como sendo… aquilo.
Imaginamos um possível cliente falando: “Ah, mas o seu site é muito colorido; queremos alguém com um perfil mais corporativo”. Ou então “Seu site é muito certinho, queremos alguém mais ousado, com design realmente experimental”. (Existe um certo pensamento corrente - e discutível - de que o designer só é realmente bom quando mostra desenhos experimentais. Por isso a profusão de sites multicoloridos, cheios de setas em diagonal,
gráficos vetorizados… Mas esse é um assunto comprido, fica para outra ocasião)
Talvez esta questão da visão do mercado seja real. As pessoas nos enxergam como nos apresentamos. Este é um dos motivos da existência da nossa profissão - criar identidade.
Ao mesmo tempo temos várias facetas. Seres humanos saudáveis estão em constante mudança e evolução. Nenhum design conseguirá abranger tudo isso.
Nosso lado profissional também muda e evolui. Assim, a solução seria trocar o layout do site constantemente. Mas a cada mudança podemos manter algo das versões antigas, para os visitantes reconhecerem o site como da mesma pessoa. São os “elementos de repetição” das teorias clássicas do design.
Quais seriam esses elementos? Justamente aquele “algo” que mostra nossa personalidade e estilo. Chegamos lá de novo.
Criar algo pessoal, que nos traduza como designers, nos obriga a uma boa dose de auto–análise. Uma tarefa e tanto! Por que parece tão difícil? Após alguma reflexão, cheguei a uma palavra: resistência.
Resistência em nos ver como somos, em mostrar a nossa identidade, em nos definir perante uma platéia. Somos criados (alguns, pelo menos) para ter um certo “pudor” em nos mostrar. Como, quando crianças, interrompemos a aula da professora para cantar uma música. “Isso não é coisa de criança comportada. Vai ficar depois do sinal no recreio”.
Em muitas profissões, a exposição não é tão necessária. Para o designer, essa questão é vital (essa situação vem mudando e cada vez mais todo mundo tem que aprender a lidar com o público e apresentar seu trabalho).
Talvez o melhor seja começar aos poucos. Nada de grandes pretensões logo de cara, sites de “tirar o fôlego” na primeira tentativa, revoluções da linguagem etc. Apenas estar lá. E trabalhar no site, pelo menos uma vez por mês.
Dizem que o primeiro passo é o mais difícil, justamente por se tratar do primeiro passo. O resto deve vir na base da inspiração e esforço. E claro, marcar o dia para inaugurar o site e mostrar para todo mundo.
Quando o meu estiver pronto, chamo vocês para irem lá ver… que friozinho na barriga!
[Webinsider]