Internet com i minúsculo
17/08/2004 0:00Por:
Escrever internet e web com caixa baixa quer dizer muita coisa... boa.
Enquanto revisava o artigo do Charles Cadé para publicar (veja ao lado), chegou a notícia de que a Wired daqui para a frente passa a escrever palavras como internet e web com caixa baixa. Tremenda coincidência, pois o texto do Charles toca neste mesmo ponto, que algumas vezes incomoda o redator e o editor de publicações.
Desde o início, mais de quatro anos atrás, adotei aqui no Webinsider uma padrão para as palavras novas: escrevemos internet com minúsculo (apesar do Word automaticamente trocar para maiúsculo), online sem hífen (as duas versões aparecem mesmo nos sites em inglês), e–mail com hífen…
Optei por estes padrões sem muito fundamento além do feeling (perdão pelo inglês). Mas algumas vezes senti certa insegurança.
Se por um lado tenho certeza que é melhor apagar do que deletar, falar sem fio do que wireless, e usar banda larga em vez de broadband, balançava um pouco cada vez que via um jornal ou revista importante escrever web, rede e internet com a inicial em caixa alta.
Por isso o alívio ao saber que revista Wired resolveu de hoje em diante adotar a mesma postura.
Que ótimo, pois é assim que fazemos há tempos. Por que internet seria com a inicial em maiúsculo, se televisão não é, nem telefone, nem correio, nem revista e jornal?
A mania das maiúsculas incomoda porque é típica de pessoal de informática e também de empregados de grandes empresas. É burocrático e pouco comunicativo. Se é importante, deve estar em maiúsculas, parece ser a lógica. O resultado é um texto cheio de acidentes, não uma estrada macia para a leitura.
(Outro hábito que combato é o ’s: o plural de PC deve ser PCs e não PC’s, que é errado em inglês e não existe em português. Mas isso é outra história.)
O editor de redação da Wired justificou mais ou menos assim: A partir de agora, não vamos mais escrever Internet como I maiúsculo. Ao mesmo tempo, Web será web e Net será net. Por que? Simplesmente porque não há nenhuma razão no mundo para colocar maiúsculas nestas palavras. Na verdade, nunca houve.
Estou com ele. Um pouco surpreso, pois acreditava que apenas meia dúzia de gatos pingados se preocupava. Também foi bom ver que a Wired sustenta o hífen em e–mail desde 2000, como o Webinsider.
A posição da revista é muito boa, pois deve influir no sentido da padronização. Afinal a internet já pode ser encarada com normalidade, o que a inicial maiúscula insistia em negar.
Só torço agora que seja abandonado para sempre em português o horrível internauta, que sugere não uma pessoa normal, mas um ser meio abilolado, de hábitos estranhos e antenas com molas estilo Chapolin. [Webinsider]