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Ontologias fazem portal corporativo avançar

01/07/2004 0:00

Por: Fernando Parreiras

O uso de ontologias permite organizar o conhecimento contido em portais em um formato mais intuitivo para o usuário. Uma nova geração de ferramentas e técnicas de gestão de conhecimento está emergindo.

As tecnologias empregadas atualmente na implementação dos portais corporativos ainda não exploram todos os aspectos da busca efetiva de informações pelo usuário. Uma nova geração de ferramentas e técnicas de gestão de conhecimento, baseada principalmente na próxima geração da web (a web semântica), está emergindo e a capacitação nessa área é fundamental para a competitividade das empresas nacionais.

Nos últimos anos, observou–se um enorme progresso na gestão semântica de fontes de informações heterogêneas. A peça central deste progresso é o modelo de ontologia. A aplicação de ontologias muda profundamente este cenário, apresentando outras formas de organizar o conhecimento e mudando a experiência do usuário.

Recuperação da informação em portais

Com a geração dos portais corporativos, as ferramentas de gestão de conteúdo ganharam mais recursos para suportar o gerenciamento das diversas fontes de informação das organizações. Entretanto os instrumentos de representação e recuperação utilizados não avançaram na mesma velocidade.

Abaixo, seguem alguns instrumentos utilizados nas ferramentas de gestão de conteúdo disponíveis no mercado atualmente:

Uso de ontologias na recuperação da informação

O uso de ontologias permite e representação de um determinado domínio de conhecimento, orientando a organização dos conceitos, e não ao tempo. Ao decidir utilizar este tipo de solução, alguns aspectos devem ser observados:

  • Criação da ontologia: sempre que possível, deve ser utilizada uma ontologia já existente para um determinado domínio. Existem, na web, repositórios especializados em armazenar ontologias definidas por um grupo formado por especialistas no assunto. Uma vez que já exista uma ontologia semelhante, o trabalho a ser realizado é estender esta ontologia, acrescentando os conceitos e relações pertinentes ao domínio em questão.
  • Representação da ontologia: existem, hoje, duas formas de representar as ontologias por meio de linguagem de marcas. A primeira é em RDF (Resource Description Framework) e consiste no uso de triplas (classe, propriedade, valor) para representar as relações entre os diversos conceitos. RDF possui limitações claras quando à possibilidade de inferência. A segunda linguagem é a OWL (Ontology web language) que se apresenta muito mais poderosa, utilizando a lógica descritiva para explicitação do conhecimento. No entanto, OWL ainda é pouco utilizada e existem poucas ferramentas e desenvolvedores capazes de lidar com esta linguagem.
  • Navegação semântica entre os objetos: a interface do sistema utilizada deve adotar recursos de navegação em grafos, onde, facilmente, o usuário tem condições de navegar para qualquer nodo, e situar–se facilmente sobre sua posição na teia.
  • Associação dos objetos aos nodos da ontologia: esta deve ser uma tarefa fácil e, para isso, a ontologia deve estar sempre disponível na tela do usuário. Contudo, além de associar um objeto a um nodo, deve–se associá–lo a outro objeto também. Desta forma, são estabelecidos dois níveis de relacionamento: um com a ontologia, identificando que aquele objeto é uma instância de um nodo da ontologia; outro com outro objeto, identificando que aquela instância se relaciona com outras instâncias.
  • Considerações

    A representação por ontologias revoluciona a experiência do usuário, organizando o conteúdo em formato de teia, assim como é representado o conhecimento no cérebro humano. Esta organização permite a navegação hipertextual no que diz respeito ao assunto. O usuário tem acesso com poucos cliques a todos os recursos relacionados a um determinado objeto.

    Implementar este tipo de solução em um portal, atualmente, pode ser uma tarefa árdua. O uso efetivo de ontologias ainda é pequeno, diante do grande burburinho feito sobre seu conceito. O amadurecimento de linguagens de lógica descritiva permitirá o surgimento de ferramentas mais poderosas, que facilitação a incorporação desta solução às ferramentas de portais. [Webinsider]

    Referências

    LEVY, Pierre. Tecnologias da inteligência.

    W3C OWL

    W3C RDF

    McGuiness, Deborah. Ontology Development 101: A Guide to Creating Your First Ontology

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    Sobre o Autor

    <strong>Fernando Parreiras</strong> é mestrando em Ciência da Informação pela ECI/UFMG e membro fundador do NETIC (Núcleo de Estudos em Tecnologias para Informação e Conhecimento). Mantém um <strong><a href="http://www.fernando.parreiras.nom.br" rel="externo">site</a></strong>.

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        Publicada em: 01/07/2004 0:00
        Impresso em: 28/11/2009
    [editor] vtardin@webinsider.com.br