Para traçar a Arquitetura de Informação
30/09/2003 0:00Por:
Duas abordagens básicas: de baixo pra cima e de cima pra baixo
Antes de falar sobre abordagens, vamos decidir a definição de Arquitetura de Informação que usaremos. Existem ao menos três definições: uma referente aos elementos que compõem a estrutura de um website, outra referente ao processo de organização destes elementos e uma terceira, que seria a profissão que lida com os dois primeiros.
Vamos falar hoje da segunda definição: o processo de Arquitetura de Informação.
Todo processo tem um começo (lista de requisitos), um meio (desenvolvimento) e um fim (a arquitetura ideal).
Gosto muito da divisão defendida por GARRET (2003) em seu livro The Elements of User Experience e a utilizo como base de pesquisa e trabalho. Em seus cinco planos para dividir o desenvolvimento de um website, o autor diz que um projeto parte de uma Estratégia, onde são definidos o público que utilizará o website e o que este público quer fazer com este e neste website.
Depois vem o Escopo, onde são listadas as características e funcionalidades que o site vai precisar conter para atender as necessidades do público ao efetuarem suas tarefas.
O terceiro plano é a Estrutura, onde fica a Arquitetura de Informação que iremos tratar.
Depois vem o Esqueleto, onde começam as definições da interface - o que entra aonde -, mas ainda sem uma estética definida. E por fim vem a Superfície, onde é então definida a aparência dos elementos do website ? se serão usados botões ou imagens, links sublinhados, imagens metafóricas etc.
Pois bem, dito isso vamos à Arquitetura de Informação propriamente dita, nosso terceiro plano.
Como já não é mais uma novidade, muito já se pesquisou sobre como fazer do processo de arquitetura de informação um fluxo perfeito para alcançar um fim tão desejado. Em várias literaturas já é possível encontrar defesas ferrenhas às duas abordagens ali do título. E é fácil, até mesmo quase óbvio, aceitá–las.
Se estamos desenvolvendo um produto para pessoas usarem (a Ergonomia já diz isso há anos ? leia também Usabilidade não nasceu ontem e tem história, ao lado), precisamos analisar as tarefas dos usuários para aquele sistema. A Arquitetura de Informação neste caso envolve criar a arquitetura diretamente de um entendimento dos objetivos do site e das necessidades dos usuários.
Essa é a abordagem Top–Down. Envolve métodos de Engenharia de Usabilidade, como Avaliação Cooperativa, Avaliação Heurística e Focus Group, por exemplo.
Mas analisar a tarefa não é discutir com a equipe, não é perguntar às pessoas que estão à sua volta o que fariam se…
É acompanhar pessoas que possuem o perfil dos usuários definidos na Estratégia e vê–las realizando uma tarefa. Isso parece fácil quando já temos parâmetros em outros websites e podemos analisar as pessoas ?navegando? neles. São os métodos da Engenharia de Usabilidade mencionados acima. É importantíssimo também. E temos várias técnicas para tal.
Mas só isso não é suficiente. No caso do e–commerce, por exemplo, vale acompanhar um usuário efetuando uma compra num supermercado de verdade. Ver sua lógica, como escolhe o produto, como caminha no mercado real, o que examina mas não compra, o que escolhe etc.
Em um site de notícias, por que não acompanhar o processo de leitura de um jornal? Como as pessoas pegam o jornal, como folheiam, o que lêem primeiro?
SHNEIDERMAN (1998) sugere que o envolvimento de usuários traz informação mais precisa sobre tarefas. ?Deve–se levar em consideração o efeito da interface no usuário, e solicitar sua participação para garantir que todas as preocupações estão se revelando cedo o bastante para evitar esforços contra–produtivos e resistências de mudança?.
A abordagem Top–Down é, portanto, focada no comportamento e necessidades dos usuários.
Como o processo lida com elementos que compõem um site propriamente dito, uma abordagem baseada na análise dos requerimentos funcionais e do conteúdo é fundamental. Essa é a abordagem Bottom–Up.
A abordagem Bottom–Up ajuda para uma organização da informação objetiva e imparcial, baseada principalmente nas características inerentes na informação em si. Foca em como o conteúdo pode ser descrito pelas características de cada unidade de informação no sentido de determinar a organização do conteúdo total do website.
Na coluna anterior contamos a história da Arquitetura da Informação e apontamos uma grande aproximação com a Ciência da Informação. E é exatamente aqui nesta abordagem que ela se aplica. Falamos de padronizações, de vocabulário controlado, thesaurus, itens muito conhecidos por bibliotecários, gerentes de conteúdo e cientistas da informação. Essa abordagem é que vai fazer com que o conteúdo seja organizado de acordo como a informação em si deve ser classificada.
Além disso, o envolvimento do usuário nesta abordagem permitirá também entender seu Modelo Mental com relação a essas características inerentes a informação. Uma técnica que é muito eficaz nesse sentido é o Card Sorting.
Uma técnica utilizada para entender como os usuários agrupam as informações de acordo com suas relações de característica e significância. O método gera ainda sugestões de nomenclatura, visto que os usuários participam rotulando esses grupos sob títulos que consideram eficientes.
Enquanto a abordagem Bottom–Up oferece detalhes importantes de como o conteúdo deve ser percebido, a Top–Down oferece uma arquitetura precisa ajustando o conteúdo existente.
É importante ter em mente contudo, que um website deve sempre acomodar mudanças e adições. ?Sendo assim, atingir um balanço entre as duas abordagens é a única forma de assegurar que o resultado final possa evitar armadilhas? (GARRET, 2003).
Na verdade é impossível tratar da Arquitetura de Informação sem passar pelas duas abordagens. De fato, uma não existe sem a outra
[Webinsider]
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Referências:
GARRETT, Jesse James. The Elements of user Experience: User–Centers Design for the Web. Indianapolis (Indiana), 2003, 2nd Ed. 189 p.
REICHENAUER, Arno; KOMISCHKE, Tobias. A Comprehensive Process Model for Usable Information Architecture Systems: Integrating Top–down and Bottom–up Information Architecture. In: Human Computer Interaction, International
Proceedings, 2003. LEA Publishers. Mahwah, New Jersey. Vol. 1, p. 223–227.
SHNEIDERMAN, Ben. Designing the User Interface. Reading (Massachusetts), Addison–Wesley, 1998. 3a Ed.. 639 p.