Comportamento - Relacionamento

Sexo virtual

08/01/2003 0:00

Por: Fernand Alphen

Um raciocínio singelo e sem censura a respeito dos relacionamentos pela internet.

Outro dia, a Veja publicou uma vasta matéria sobre relacionamentos virtuais. Era de se esperar que além de ser um assunto velho a análise fosse superficial, apesar das pesquisas idiotas que sempre ilustram esse tipo de conteúdo.

No entanto, no momento em que uma revista como essa dá o destaque que deu a esse assunto, o mínimo que se pode inferir é que quem estava de fora disso está completamente por fora do resto também. Em outras palavras e me perdoem o radicalismo, mas quem nunca tinha ouvido falar disso está em coma, quem se surpreende, no manicômio e finalmente quem faz cara de nojo, deve ser extraterrestre. A turma do eu–hein–deus–me–livre precisa se tratar.

Muito já se falou a respeito do que rola nesse tipo de relacionamento e para resumir a minha opinião eu diria que é quase sempre muito melhor, mais franco, mais honesto, mais verdadeiro e profundo começar um relacionamento pela internet. É também mais sadio, mais aberto, democrático e sem preconceito. Em suma, é tudo de bom.

Mas eu queria ir além e me perdoem a falta absoluta de censura e moralismo. A experiência do chamado sexo virtual também é interessante.

Tem gente que vai dizer que não é sexo, é masturbação. Sei lá. Acho que masturbação é sexo também. Beijo de língua também. Certas carícias também. Para continuar no estilo nu e cru, onde há emissão e/ou troca de líquidos, há sexo.

Pois bem, quem nunca ficou excitado com certos estímulos visuais? Há algo de errado nisso? Certamente não. É condenável? Tampouco. Agora imaginem a mesma coisa só que tendo do outro lado uma interação, visual, escrita, falada? Não parece uma evolução? Não parece mais gostoso? Vamos ser cem por cento analíticos: parece sim.

Se concordamos, vamos em frente no raciocínio.

É evidente que sexo com contato físico é infinitamente melhor. No entanto, se estamos de acordo que entre a excitação através de estímulo visual sem interação e o sexo físico existe uma etapa como descrita acima, podemos introduzir dois argumentos que a tornam irresistível, salvo para os puritanos e platônicos de plantão.

Em primeiro lugar é mil por cento seguro tanto no que diz respeito aos riscos afetivos quanto aos riscos físicos.

Em segundo lugar e mais importante, nem sempre é possível, por questões diversas, praticar sexo físico mas podemos afirmar com pouca probabilidade de erro que a vontade de exercitar as zonas erógenas é sempre maior do que a possibilidade de fazê–lo a dois (ou mais de dois). Portanto fazê–lo usando a etapa do sexo virtual parece ser a receita mais indicada e prazerosa, ao menos até inventarem outra coisa ainda melhor.

Acho que chegamos ao final do singelo raciocínio: relacionamentos virtuais são bons e sexo idem.

Pratiquem sem medo. [Webinsider]

.

Sobre o Autor

<strong>Fernand Alphen</strong> (falphen@fnazca.com.br) é diretor de Branding, Planejamento e Pesquisa da <strong><a href="http://www.fnazca.com.br" rel="externo">F/Nazca S&S</strong></a> e mantém o <strong><a href="http://www.alphen.com.br/" rel="externo">Fernand Alphen’s Blog</a></strong>.

Url original: http://webinsider.uol.com.br/index.php/2003/01/08/sexo-virtual/
    Publicada em: 08/01/2003 0:00
    Impresso em: 28/11/2009
[editor] vtardin@webinsider.com.br