Nas empresas, falta de backup é igual a apagão
13 de novembro de 2009, 10:55Blecautes e quedas de energia apenas acentuam um problema antigo: sem cópias de segurança, falhas aparentemente simples podem apagar toda a existência de sua empresa. Pesquisas recentes no Brasil comprovam o hábito.
Por
Beth Matias/Agência Sebrae
Estudo recente organizado pela Symantec revela que 79% das micro e pequenas empresas entrevistadas na América Latina declaram “estar satisfeitas ou muito satisfeitas com seus planos de recuperação de desastre”. Além disso, 82% delas consideram-se protegidas ou muito protegidas contra ameaças virtuais.
No entanto, o mesmo estudo mostra que 25% delas não realizam backups (cópias de segurança); 49% fazem backup apenas uma vez por mês; 50% não possuem um plano formal para recuperação em caso de desastres; 63% esperam perder informações importantes caso alguma coisa aconteça.
A média de incidentes de tecnologia para o segmento das MPE na América Latina é de dois desastres por ano para cada empresa.
A divergência entre as informações prestadas na pesquisa revela claramente a falta de informação do que é um sistema de segurança da informação no mundo dos pequenos negócios. “Muitos dizem que não investem na segurança por ser um produto caro. O problema é que a pequena empresa desconhece o tamanho do risco que corre”, diz Carlos Augusto Cruz, sócio da CTech Informática, empresa do setor de segurança digital.
Segundo Cruz, às vésperas de grandes datas, como o Natal, aumenta muito o número de tentativa de violações na internet. “É uma época em que todo mundo abre os arquivos com mensagens de empresas”. Por isso, ele faz um alerta: “Normalmente um antivírus não é a solução. É preciso fazer um plano de recuperação de desastres e já colocar no orçamento de 2010″.
Risco de morte
Relatório de spam da McAfee, publicado em outubro de 2009 pelo McAfee Labs, aponta que foram geradas mais de 150 bilhões de mensagens de spam diariamente durante o mês de setembro de 2009. Isso significa que, de todos os e-mails enviados no mundo durante todo este período, 95% era de spam.
Cruz adverte que “a indústria do cybercrime está cada vez mais especializada. Já não há mais e-mails com erros de português ou endereços que não existem. Os sistemas de banco e governo são seguros, mas o cybercriminoso entra nestes sistemas pela ponta mais fraca, o cliente”.
A maior parte das empresas no Brasil utiliza o internet banking para fazer pagamentos e transferências. Muitas empresas desconhecem formas de obtenção de dados e têm seus computadores transformados em “zumbis” – passando a ser utilizado para obter dados de outros computadores.
Mas não só a internet é um problema nos sistemas de segurança. A queda de energia, muito comum na capital paulista, pode ocasionar perdas de grande volume de dados.
Cruz cita como exemplo o caso de sua própria empresa. “Chegamos numa segunda-feira para trabalhar e a Ctech não existia. Todos os dados foram apagados. Como tínhamos um plano de restauração de desastre, na própria segunda-feira à tarde tínhamos todos os dados disponíveis”, garante.
Outro exemplo é a manutenção de servidores e sobrecarga. Segundo o empresário, uma grande empresa do mercado estava com servidor carrregado e o backup inadequado. “Um belo dia o servidor não ligou mais e a empresa parou. Não havia como trabalhar. Até o momento em que conseguiram recuperar os dados”, explica.



1° Paulo Roberto Elias Data: 13/11/2009 às 4:22 pm
Atividade:
Cidade:
Vicente,
Este problema, como você sabe, não é exclusivo das empresas. No ambiente acadêmico, ele chega a ser patético, e eu vivi uma experiência com isso que nunca mais esqueci:
Eu estava em Cardiff, fazendo meu doutorado, e um dos meus orientadores me pediu para cuidar dos micros no laboratório. Isso era início de 1990. Quem se lembra desta época sabe que os discos rígidos eram particularmente inconfiáveis, por causa do design MFM: com o tempo a cabeça de leitura perdia a geometria e depois o drive não lia mais nada. A gente lançava mão de uma ferramenta, do finado PCTools, e conseguia ajustar a geometria, até um certo ponto. Depois disso, era jogar o drive fora.
Pois bem: eu vi um 286 da época começar com este problema, e imediatamente mandei um memorandum a todos os meu colegas, e ao meu orientador. Um dia, eu encontro uma estudante senior, sentada, chorando na frente do micro. Ela havia ignorado o aviso e perdido a tese toda!
Depois disso, o meu orientador me autorizou a trocar de disco e de design, que era RLL, se a memória não me trai, e foi uma barra pesada re-adaptar aquele micro para o HD novo, porque o BIOS não tinha previsão para ele. Por sorte, era possível instalar uma controladora e anular o controle do BIOS sobre o HD. Meu orientador suou frio, quando viu o micro desmontado em caquinhos, mas no final tudo deu certo e ninguém perdeu mais nada no HD.
Agora, em empresas, isso aí é dose, é um tiro no pé!
E se alguém aqui tem ilusão de que ainda há qualquer controle sobre o sistema de fornecimento de energia neste país e tem certeza de que, daqui para a frente, não vai outros episódios como este último, boa sorte!
Ontem mesmo, Copacabana e parte da zona sul aqui no Rio ficaram às escuras a noite toda!
E o pessoal do governo, que parece que não tem mais qualquer tipo de escrúpulo, mandou o pesquisador do Inpe, que falou o óbvio, calar a boca. Afinal, o que é que o pessoal de meteorologia entende de rede elétrica? Hein?