China é o berço e o cemitério dos eletrônicos
28 de outubro de 2009, 22:46Quase tudo o que compramos de marcas famosos é feito na China. E as imitações também. Os menores custos de produção são apoiados por trabalhadores em condições difíceis. Devemos nos importar com isso?
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O que o iPod da Apple, um avião da Embraer, o novo tênis da Nike e o cesto de lixo do banheiro têm em comum? Em algum lugar do produto você vai encontrar escrito “Made in China”.
Quando você ganhar os presentes de Natal, procure saber onde ele foi fabricado. E é quase certo de que no mínimo 80% dos presentes passaram por mãos chinesas na fabricação.
Mãos de mulheres, homens e principalmente crianças que trabalham em média 15 horas por dia, sete dias por semana. Que vivem em abrigos construídos pelas empresas e pagam por isso. Pagam com seus salários de R$ 200,00.
Combinando o baixo custo de fabricação com o alto preço de venda, as empresas de eletrônicos principalmente, mas não somente elas, registram lucros recordes. As empresas são as marcas famosas com escritórios em Londres e Manhattan. Executivos do primeiro mundo, que sabem das condições de trabalho de da população chinesa, mas que precisam dar lucro aos investidores.
A mesma fábrica chinesa que produz o Playstation 3 também produz o concorrente XBox 360. A trágica ironia é saber que o operário que ajudou a montar o novo processador da Intel dificilmente vai conseguir ter um, nem que seja um mais antigo.
A China é a mais de uma década o país que mais cresce. É uma mistura aberrante entre o socialismo que coíbe a liberdade e o capitalismo que transforma cada habitante em uma peça do maquinário industrial. O vertiginoso desenvolvimento que ocorre desde os anos 80, tem como base o número de habitantes (o segundo maior do mundo) aliado a um esquema de educação que ensina obediência à hierarquia.
Apesar das notícias sobre o aumento do consumo na China, é preciso saber que grande parte ainda continua vivendo na miséria. O admirável mundo novo chinês ocorre para alguns milhões, mas a população é de bilhão.
Não poderia deixar de falar também nas falsificações made in china. Que são bem mais famosas do que as condições de trabalho. Para se ter uma idéia do estágio moral e industrial do país, você encontra a falsificação da falsificação. A necessidade insana de lucrar já escravizou corações e mentes do gigante asiático.
E sabe o aforismo, “o que vai, volta”? A cidade chinesa de Guiyu é o maior receptor mundial do lixo eletrônico. A água da região já esta completamente contaminada.
E o governo chinês? É corrupto até o talo. Apesar de todas as denúncias e pressões internacionais, faz muito pouco ou nada para tentar melhorar a situação. E ainda utilizam o poder econômico para vender uma China de maravilhas.
O outro terço da culpa é nossa, que compramos os produtos. Certo que não existe o que comprar que não tenha sido feito por lá, mas exigir uma atitude mais ética das indústrias, isso nós podemos. [Webinsider]
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1° Romeu Data: 29/10/2009 às 12:01 am
Atividade: Funcionário público
Cidade: São Paulo
Humm, mas estou vendendo os celulares da china aos montes na firma.
Também a nossa indústria nos dá tudo a prestação!
Cadê os celulares de 2 chips nacionais? Se o aparelho tem rádio não tem MP3, se tem câmera não tem rádio! Ai ninguém tolera e se incentiva a comprar da China mesmo!
Sem falar da TV digital…
Enquanto isso vou lucrando com o sofrimento alheio…
Conde-me se for capaz!