Gravando música em PCM em DVD-Video e DVD-Audio
13 de outubro de 2009, 21:43O formato do disco DVD é útil para se gravar, armazenar e copiar música capturada com qualidade elevada.
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Não é de hoje que, para uma enorme massa de usuários, a forma preferida de armazenar clipes musicais é alguma forma de áudio digital comprimido, e um exemplo notório disso é o MP3.
Quando não se deseja tamanho nível de compressão, por conta de uma necessidade maior de se garantir qualidade, os caminhos são bem outros. E ao nível do usuário, as opções mais recentes incluem arquivos PCM, tanto em DVD-Video quanto em DVD-Audio.
Histórico
As gravações digitais no formato PCM tomaram grande impulso na metade da década de 1970, e lá pelo fim desta década, as primeiras gravações em PCM foram disponibilizadas para o grande público, através do então ubíquo Lp de vinil. Trabalhos nesta área, vindos da BBC inglesa, tomaram corpo nos discos PCM da Denon, e logo depois uma série de selos foi adotando este método de gravação, com o uso de equipamentos variados.
Em meados do final de 1982, a Sony e a Philips anunciaram o lançamento oficial do Compact Disc, que foi a primeira mídia de leitura ótica com áudio PCM sem compressão (o videodisco da Philips era totalmente analógico). As especificações do Compact Disc foram literalmente ditadas pelo chamado Red Book, que prescrevia uma freqüência de amostragem de 44.1 kHz, com uma resolução de 16 bits. Esses valores não estavam lá por acaso: segundo o teorema de Nyquist-Shannon, a freqüência de amostragem deve ser o dobro do máximo de resposta de freqüência desejada, para a captura, conversão ou reprodução, no caso, de 0 até 22 kHz.
A presença do Compact Disc no mercado consumidor permitiu a este último realizar a gravação digital dentro de casa, não sem uma fortíssima reação de vários segmentos da comunidade de audiófilos, pelo mundo afora, que a classificaram como “mid-fi”, “serrilhada” ou “antisséptica”. Doug Sax, engenheiro de gravação e co-proprietário do selo Sheffield Lab, chegou a vender camisetas com o logotipo “Stop the digital madness” (“Parem com a loucura digital”), na tentativa de dar um freio no consumo de material digitalizado.
Em contrapartida, audiófilos e amantes de música, sem este tipo de preocupação ou preconceito, viram no CD uma maneira de ouvir música, com uma relação sinal/ruído acima de 90 dB, e linearidade na resposta de freqüência somente alcançada com os melhores equipamentos analógicos da época.
Polêmicas à parte, o CD chegou para ficar, e trouxe consigo uma série de inovações, que eram impossíveis de serem conseguidas com o uso do Lp: velocidade linear de leitura do disco constante e eletronicamente controlada, ausência de desgaste da mídia, alta precisão e reprodutibilidade de leitura da trilha, possibilidade de incluir subcódigos, para diversos fins, possibilidade de seleção das faixas sem tocar no disco, e, principalmente, ausência absoluta de ruídos de impulso, o tradicional “estalido”.
Evolução do PCM
O áudio digital evoluiu tecnologicamente, na medida em que novos processadores foram criados, de tal forma que seria inevitável uma transformação de padrões de codificação e reprodução.
Essa mudança, entretanto, não ocorreu da noite para o dia: o padrão de gravação PCM do CD, 44.1 kHz/24 bits, migrou inicialmente para o laserdisc (sucessor comercial do videodisco da Philips), o que permitiu que as trilhas sonoras em Dolby Stereo ganhassem uma nova vida. O Dolby Stereo PCM do laserdisc deu ao usuário a primeira chance de conseguir som multicanal e digital, com excelente dinâmica e qualidade.
Embora o PCM seja um método digital com características bastante definidas, ele pode assumir mais de um formato. As duas variações mais importantes, neste particular, são respectivamente a taxa de amostragem (em kHertz) e a resolução (em bits).
Com o advento do DVD, o PCM passou de 44.1 kHz para 48 kHz e 96 kHz, no que tange ao DVD-Video. Em ambos os casos, o sinal se refere a programas em estéreo (2.0). Embora o multicanal seja admitido, ele não é suportado no DVD-Video. Para o DVD-Audio, a situação muda radicalmente de figura: primeiramente, admite-se a gravação em 44.1 kHz, e seus múltiplos (88.2 e 176.4 kHz); admite-se também uma amostragem em 48, 96 e 192 kHz, dando assim total flexibilidade de processos de gravação e reprodução.
Diferenças entre o DVD-Video e o DVD-Audio
As informações para o DVD-Video e para o DVD-Audio estão contidas no mesmo disco, porém em pastas (“folders”) separadas: VIDEO_TS e AUDIO_TS. No DVD-Video típico, somente a primeira dessas pastas (VIDEO_TS) está ocupada, e qualquer leitor de DVD será capaz de ler o seu conteúdo. Para o DVD-Audio, existem duas possibilidades: a primeira, de um disco DVD-Audio puro, cujo conteúdo de arquivos estará necessariamente contido na pasta AUDIO_TS exclusivamente; a segunda, de um disco DVD-Audio híbrido, onde as duas pastas estarão ocupadas, com o mesmo programa musical, porém formatados de maneira diferente.
Note que o objetivo de um DVD-Audio híbrido é tornar o conteúdo musical compatível para leitura em qualquer aparelho para DVD-Video. E neste caso apenas o áudio gravado na pasta VIDEO_TS poderá ser reproduzido. Dependendo do conteúdo, a perda de qualidade poderá ser percebida ou não. Em tese, o DVD-Audio tem muito maior capacidade de resolução, em dois ou mais canais, mas em programas com apenas dois canais, se a resolução gravada for a mesma (por exemplo, PCM a 96 kHz/24 bits), a qualidade dos dois sinais é a mesma!
A tabela a seguir mostra as diferentes combinações de sinal PCM (amostragem versus número de canais), para DVD-Video e DVD-Audio:
|
Amostragem (kHz) |
DVD-Video* |
DVD-Audio*,** |
|
44.1 |
- |
1.0 – 5.1 |
|
48 |
1.0, 2.0 |
1.0 – 5.1 |
|
88.2 |
- |
1.0 – 5.1 |
|
96 |
1.0, 2.0 |
1.0 – 5.1 |
|
176.4 |
- |
1.0, 2.0 |
|
192 |
- |
1.0, 2.0 |
* número possível de canais; a resolução varia entre 16, 20 e 24 bits.
** no DVD-Audio, o LFE (“.1”) não tem limitação de freqüência, equivalendo portanto a um sexto canal; a notação exata seria “6.0”.
A taxa de transmissão, tanto do DVD-Video, quanto do DVD-Audio, está limitada ao máximo de 9.6 Mbps. Qualquer combinação entre número de canais, amostragem e resolução que exceda este valor, para ser gravada e reproduzida, tem que ser obrigatoriamente comprimida. O método de compressão mandatório usado para o DVD-Audio é o PPCM (“Packed PCM”), desenvolvido pela Meridian, com o nome de Meridian Lossless Packing, ou MLP. A tabela a seguir mostra a influência desta combinação, para o DVD-Audio:
|
Amostragem (kHz) |
Número máximo de canais |
Resolução (bits) |
Formato |
|
44.1 |
2.0 |
16 |
PCM |
|
48 |
5.1 |
16, 20, 24 |
PCM |
|
88.2 |
5.1 |
16 |
PCM |
|
88.2 |
5.1 |
20, 24 |
MLP |
|
96 |
2.0 |
16, 20, 24 |
PCM |
|
96 |
5.1 |
20, 24 |
MLP |
|
176.4 |
2.0 |
16, 20, 24 |
PCM/MLP |
|
192 |
2.0 |
16, 20, 24 |
PCM/MLP |
Qualquer combinação entre arquivos pode ser usada no mesmo DVD. É possível ainda separar programas de áudio por grupos. Isto é feito com base no fato de que o conteúdo de um DVD é basicamente dividido entre títulos e capítulos. No caso, os grupos são divididos por títulos e as respectivas faixas por capítulos. Isso torna o disco mais organizado, porém implica na seleção dos títulos por um menu ou, dependendo do leitor, pelo controle remoto.
Programas para autoração
De tempos para cá, qualquer usuário, mesmo leigo, pode autorar um DVD-Video ou um DVD-Audio, contendo exclusivamente um programa musical e de execução automática no leitor de DVD. Deve ficar bem claro, novamente, que a leitura da pasta AUDIO_TS é exclusivamente feita por um leitor dedicado, específico para reproduzir DVD-Audio. Com esta limitação em mente, o usuário pode decidir de que forma ele irá gerar o disco que lhe permita reproduzir o programa gravado.
Para gerar um DVD-Video, com até 96 kHz e 24 bits de resolução, existem programas gratuitos, de excelente qualidade. Um deles, o Lplex, já foi previamente comentado nesta coluna.
Para se fazer um DVD-Audio, a situação é um pouco mais complicada e com limitações financeiras óbvias. Embora existam programas gratuitos também, os aplicativos mais fáceis de usar são vendidos comercialmente pela Internet, alguns com preço muito alto.
O DVD-Audio Solo é um programa da Cirlinca, e de preço moderado. Ele pode ser baixado para testes e é facílimo de usar. Dentre as suas limitações, o programa não permite fazer um DVD-Audio híbrido. Para conseguir isso, é preciso desembolsar um pouco mais, na versão Ultra.
Para pessoas que não tem limitações financeiras, a Minnetonka distribui o Discwelder, cuja versão Bronze, a mais barata, também se limita a autorar DVD-Audio não híbrido. Para fazer discos híbridos, o investimento sobe para valores elevados, proporcionalmente aos recursos oferecidos pelas respectivas versões. Essas, entretanto, seriam mais indicadas para aqueles que se interessam mais pelo lado comercial deste tipo de mídia, não necessariamente o usuário doméstico.
A autoração de um DVD-Audio híbrido exige que a parte de DVD-Video seja autorada em um programa específico, o qual criará necessariamente uma pasta VIDEO_TS. Esta pasta é então importada pelo programa de autoração do DVD-Audio e gravado em disco no mesmo projeto.
Já a conversão PCM para MLP exige um programa dedicado, capaz de fazer a codificação exigida. Um desses programas é o SurCode MLP, mas sob o ponto de vista do áudio doméstico, o custo é proibitivo.
No lado gratuito e bom da vida, existem ferramentas generosamente oferecidas por programadores. Existe um projeto, com o nome de DVD-Audio Tools, dedicado a este tipo de disco. O pacote em si é um tanto complicado, mas existe uma variante do mesmo, com uma interface gráfica dedicada, com o nome de Adobeman’s DVDA GUI, que usa essa e outras ferramentas, para atingir o mesmo objetivo.
Uma ferramenta útil, para quem resolver mexer com DVD-Audio é o programa DVD-Audio Explorer. Ele permite extrair as faixas de áudio em qualquer DVD-Audio e ainda é capaz de indicar aquelas que estão protegidas por algum outro software, ou que contenham marcas d’água.
Reprodução multicanal de um DVD-Audio
É bom que se tenha em mente que as saídas digitais convencionais, chamadas de SPDIF, não são adequadas para reprodução multicanal em PCM. Para tanto, é necessário que se use um leitor com decodificação interna e dotado de uma saída multicanal analógica de 5.1 canais.
Uma outra e melhor opção é usar um leitor de DVD-Audio dotado de uma saída HDMI, e usando este cabeamento, para um processador externo (A/V receiver, por exemplo) capaz de decodificar PCM multicanal. A maioria desses equipamentos é capaz de aceitar e reproduzir resoluções altas, como 176.4 e 192 kHz, a 24 bits.
Aplicações
O uso de uma mídia como o DVD, para o amante de música ou para o audiófilo, tem como ponto principal a possibilidade de armazenar conteúdo de alto grau de resolução, em estéreo ou em múltiplos canais.
Para o audiófilo consciente da fragilidade física da sua estimada coleção de LPs, a remasterização pode ser feita facilmente hoje em dia, com o uso de um computador e programas dedicados. Uma vez capturada, a gravação analógica pode ser restaurada, para a retirada de ruídos, se o usuário assim o desejar. E finalmente, armazená-la com a melhor resolução possível, em um DVD-Video ou DVD-Audio, se um leitor estiver disponível.
Uma vez tendo a mídia de DVD gravada, ela pode ser copiada, para segurança do trabalho realizado. Mesmo a mídia comercial, tanto de DVD-Video quanto de DVD-Audio pode ser copiada, à guisa de se guardar uma cópia de segurança. Com o alto investimento que normalmente o usuário faz em música, a cópia de segurança é perfeitamente justificável.
Um outro uso, agora bastante em voga, são os serviços de download, para matéria de áudio de qualidade elevada. Diversos sites oferecem este serviço, mas é preciso que o usuário tenha meios de salvaguardar cada arquivo retirado, caso contrário ele precisará se munir do seu computador, toda vez que quiser ouvir determinado programa musical, coisa que não faz sentido. Passando o conteúdo para a mídia adequada, esta cumpre o seu papel de portabilidade, para ser levada ao melhor equipamento de reprodução possível, dentro da instalação doméstica. [Webinsider]
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1° Augusto Furtado Data: 21/10/2009 às 7:39 pm
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Eu costumava fazer algo semelhante com o DTS, porem meu BD player não reconhce só os arquivos de audio em DTS nem tampouco o meu aparelho de DVD. Vou tentar fazer esse procedimento em casa pra ouvir no meu receiver.
Parabens pelo artigo.