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Mídia interativa

Por que a TV digital não emplaca no Brasil

12 de outubro de 2009, 22:53

Conversores caros e complicados, áreas de sombra, poucas opções de canais e até a falta de interatividade atrapalham o caminho da TV digital no Brasil.

Por Marco Gomes

Iniciada em meados de 2007, a TV digital (DTV) no Brasil já tem dois anos e ainda engatinha, lentamente. Preço alto dos conversores, atraso no cronograma de implantação, não padronização da transmissão, perda de sinal e dificuldade de instalação são alguns dos empecilhos enfrentados pelos telespectadores.

A penetração da TV digital neste um ano de operação não atingiu as expectativas. Contribuiram para isto o preço dos conversores, as dificuldades de cobertura e a quantidade limitada de programas.

O preço dos conversores se mostrou um desafio para a popularização da TV digital no Brasil. Os set-top-boxes tiveram preço médio avaliado entre R$ 700,00 e R$ 800,00.

Teleco Consultoria

Com uma média de 3,5 usuários por aparelho, o Brasil tem 40 milhões usuários de TV, destes, apenas 250 mil, 0,3% do total, recebem o sinal digital implantado em 2007.

Concordo com Gustavo Gindre, um dos representantes da sociedade civil no Comitê Gestor da Internet no Brasil e integrante do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, a baixa atratividade da TV digital é causada pelo modelo equivocado adotado aqui.

O uso do padrão japonês de modulação, juntamente com a opção da nova tecnologia feita pelas emissoras, não oferece ao telespectador interatividade automaticamente integrada com o aparelho.

A única vantagem da DTV brasileira é a imagem com alta qualidade e, por isso, enfrenta concorrência de outras mídias que oferecem mais canais e funcionalidades interativas, como a TV por assinatura, IPTV e a internet.

“A TV digital aberta no Brasil é a velha TV aberta analógica, apenas com uma imagem melhor – e, mesmo assim, somente onde não há áreas de sombras”, nas palavras de Gindre.

Grandes oportunidades de transformações foram negligenciadas em por conta dos interesses dos radiodifusores e não há razão para que o cidadão deseje comprar um set top box.

Se quer serviços interativos, o usuário tem a internet. Se quer muitos canais, vai para a TV paga ou para a TV a Gato. Por essas e outras, a penetração da TV digital aberta ainda é baixíssima e não há perspectivas realistas da curva de adoção mudar nos próximos anos.

Mesmo nos principais centros urbanos a cobertura de antenas é deficiente, seja por características topográficas, comuns em áreas com acidentes geográficos como o Rio de Janeiro, ou por extensão de área e mistura de sinais, comuns em São Paulo.

Isso se deve, principalmente, pelo fato que as antenas, emissoras e receptoras, precisam ter visibilidade direta entre si para otimizar a recepção do sinal digital. Se há prédios, árvores ou outros obstáculos entre as antenas o sinal pode ser anulado.

A escolha e a instalação da antena são complicadas, podendo ser de diferentes modelos UHF, com ou sem uso de amplificadores, externos à residência fazendo uso de mastros para elevá-la, evitando obstáculos entre ela e a transmissora.

É preciso ficar claro que não existe fórmula mágica nem antena que sirva duas pessoas ao mesmo tempo, em nenhum lugar deste país.

A antena que funcionou muito bem na casa do seu vizinho do prédio do lado não irá funcionar necessariamente igual ou melhor na sua.

Paulo Roberto Elias

Após instalar a antena, a escolha do receptor é o novo obstáculo a ser vencido pelos usuários. Os modelos são variados, não padronizados, e a atualização de software só pode ser feita em uma loja autorizada.

Existem dois tipos físicos de conversores disponíveis para o mercado brasileiro, os externos, que são acoplados a TV que o usuário já tem, e o que vem já embutido na TV, recurso presente principalmente nos aparelhos mais modernos com tela LCD. O uso de conversores externos é mais comum porque o preço é mais competitivo, e, caso o modelo escolhido não seja satisfatório, a troca é menos dispendiosa.

A DTV brasileira aparentemente não teve tempo suficiente para um beta-test. Os chamados set-top boxes, que são conversores externos instalados para converter o sinal digital para o sinal que pode ser interpretado pela TV, constantemente estão incompletos ou vêm com bugs de fábrica.

É necessário reescrever o software embarcado em cada um e disponibilizá-los aos usuários, mas a atualização do firmware só pode ser feita em manutenções autorizadas pelo fabricante, dificultando o upgrade massivo.

Não existem conversores à venda hoje com funcionamento totalmente perfeito, e se dependesse das opiniões negativas divulgadas por vários sites na internet, o usuário indeciso não compraria nenhum.

Paulo Roberto Elias

A TV digital no Brasil ainda tem um longo caminho pela frente antes de se tornar interessante para ações interativas, principalmente porque o padrão japonês não traz interatividade integrada.

Além disso precisamos melhorar a distribuição do sinal e a qualidade do material transmitido, padronizar e amadurecer os set-top boxes, viabilizar sinal via satélite e multiprogramação, e, principalmente, baratear os conversores.  [Webinsider]
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Sobre o autor

Marco Gomes (eu@marcogomes.com) é fundador e diretor de inovação da boo-box e mantém um blog pessoal.

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Palavras-chave relacionadas a este texto: [ TV, vídeo ]

Comentários

22 pessoas comentaram o artigo "Por que a TV digital não emplaca no Brasil"

Leandro S. Data: 12/10/2009 às 11:48 pm

Atividade: Programador

Cidade: Ourinhos

E agora ministro H.Costa, o que SR. tem a dizer desta situação? Aqui em minha cidade nem ouvimos falar que o sinal virá para cá, e mesmo assim, sinal digital para assistir Xou da Xuxa ou Silvio Santos? Não dá né…..

marcio kriger Data: 12/10/2009 às 11:54 pm

Atividade:

Cidade: sao jose-sc

Mas nem nos EUA foi facil a transição
quem dira aqui no BRASIL onde tudo é mais caro.
enquanto não for obrigado as emisoras a transmitir vai ser assim.

Daniel Z Data: 13/10/2009 às 12:01 am

Atividade:

Cidade:

Acho simplesmente que o benefício não compensa o custo. Tecnologia boa é aquela que o consumidor não precisa se tornar refém do manual; é tecnologia simples e funcional. E estamos longe de conseguir algo simples e funcional na escolha e instalação de nossos equipamentos digitais de recepção de TV.

J. Data: 13/10/2009 às 3:19 am

Atividade:

Cidade:

Acho que o prezado Sr.,autor do artigo, talvez não conheça bem do assunto. Poderia se informar melhor e ver que muito do que diz aqui não é bem assim como afirma.

Tetsuo Shimura Data: 13/10/2009 às 6:47 am

Atividade:

Cidade: Belo Horizonte

Sem necessidades de efetuar cálculos de custo/benefício, qual é o sentido de adquirir um sistema digital com o nível de programas da TV brasileira? Como assinante de TV a cabo em sua versão básica, sou invadido por TV estatais (Senado, Câmara, STF…) e infernais TV’s religiosos, fazendo com que as TV’s mais “atraentes” sejam os teleshoppings; os Natgeos, UC são piores que os lixos apresentados nos canais abertos visto que são reprisados dezenas senão milhares de vezes. Então, comprar sistema digital seria para ver as mesmas caras em HD; um custo muito alto. Uma boa sugestão seria interatividade com a possibilidade de ver a Fórmula 1 com o som original da fonte, excluindo-se os narradores da Globo, principalmente Galvão Bueno com seus pobres comentários.

Vanderlei Resende Data: 13/10/2009 às 8:24 am

Atividade:

Cidade:

Ainda não consegui entender porque todos as emissoras de canais não disponibiliza a programação via satélite para recepção via antena parabólica e, porque não temos receptor disponivel para isso, quem mora em grandes centros tem outras opções de TV, quem usa antena parabolica geralmente não tem, esses sim é que irão compra TVs de lcd plasma etc para ver a tv aberta e impulsionar esse mercado esperamos que isso mude.

João Junior Data: 13/10/2009 às 8:26 am

Atividade:

Cidade: Goias

Como tudo no brasil, querem explorar e enriqueçer as custas do povo, um exemplo disso é o custo da Internet e das Ligações.

Os fabricantes e as emissoras não seguem padrão nenhum, só pensam em sugar do consumidor.

A Anatel tem muitas falhas, o Ministro pode ter a suas, mas a Maior Falha é de Carater deste Sanguesugas( Fabricantes e Forncedores de Serviços ).

Bruno Data: 13/10/2009 às 8:49 am

Atividade: Analista de Sistemas

Cidade: São Paulo

O que mais me “irrita” nesta situação, é de sempre persistirem no mesmo erro! Qual o método para a resolução de um problema? Detectá-los, desenvolver um projeto e em muitos casos abrir exceções e posteriormente colher os bons resultados. Se o problema é a falta de opção, porque não disponibilizar a multiprogramação? Por mais que a TV brasileira não tenha bagagem o suficiente, já trata-se de um desenvolvimento, porque os preços de conversores não são reduzidos? Falta pulso firme e parceria com uma empresa decente que esteja disposta a inovar! E o Ginga? Já estamos a 2 anos do lançamento e nada de ser lançado! será que não há profissionais competentes no brasil para desenvolver um software em 2 anos?? Quer saber, desligue a televisão e vá ler um livro!

@nandico Data: 13/10/2009 às 9:45 am

Atividade:

Cidade:

Texto animal! Parabéns por jogar essa luz sobre o tema.

10° Francisco Gutemberg Lopes Filho Data: 13/10/2009 às 10:10 am

Atividade:

Cidade: Duque de Caxias

Bom dia Srº Marcos Gomes e a todos os leitores.

Desculpe-me mais discordo deste Srº Chamado Gustavo Gindre e de seu coletivo intervozes que se julga dono da “verdade” em termos de Tv digital. O padrão japonês e o mais correto sim para o nosso país. É o mais robusto para vencer as dificuldades geográficas e topográficas. Agora desde que seja implementado corretamente pelas emissoras brasileiras. Instalação de antenas auxiliares conhecidas como galp failers nas ditas “áreas de sombra”. A falta de dicernimento na época do governo de entender que conversor e televisor não são a mesma coisa. Com essa decisão equivocada obrigou que a fabricação dos conversores fosse feita somente em Manaus. Anulando qualquer chance de incentivos fiscais por parte de outros estados. Nós não teriamos condições nenhuma de produzir um sistema autoctone. Falaram sobre a falta interatividade. Mais quem dispensou o middleware original do ISDB-T fomos nós. Para adotar um “revolucionário” middleware “Ginga”. Que até hoje nesta presente data não esta com sua última parte o “Ginga-j” publicada na ABNT. Sob a ótica dos detratores deve causar especie como o sistema esta se espalhando pela América do sul. Será que os chilenos são idiotas? Os argentinos são bobões? Os perunos incas ingênuos?

Portanto senhores críticos se há erros na implantação do ISDB-T é mais por nossa parte do que pela parte dos japoneses. Paremos com essa maldita mania de culpar os outros por nossos erros.

Moro em Duque de Caxias (RJ) e recebo muito bem o sinal digital.

11° Gerson Data: 13/10/2009 às 1:24 pm

Atividade:

Cidade: Manaus

Quem está gostando é a TV via internet, mas com conexoes na casa dos kbps, tá dificil…

12° @victorstossel Data: 13/10/2009 às 2:14 pm

Atividade:

Cidade:

Boa explicação sobre o assunto.

13° @TVDigitalBrasil Data: 13/10/2009 às 3:24 pm

Atividade: TV Digital Interativa

Cidade: Brasília

Acredito que erramos em diversos pontos. Mas tenho que concordar com o Francisco Gutemberg que o padrão japonês foi a melhor escolha para o Brasil, além da decisão de desenvolvermos o nosso próprio padrão de interatividade, o GINGA. Infelizmente, não é de uma hora pra outra que o preço do conversor irá abaixar.

O conversor brasileiro exige alguns componentes que nunca antes foram desenvolvidos no Brasil. Os custos de comercialização desses componentes ainda são altos, refletindo à demanda ainda pequena devido à evolução da cobertura do sinal e aos custos com infra-estrutura para construção desses componentes.

Novas fábricas estão sendo instaladas no país, novas leis e decretos estão nascendo, normas estão sendo aprovadas constantemente, pesquisas estão sendo realizadas. Além disso, comparado a outros países, estamos evoluídos sim. E peraí, a conquista do mercado latino americano é SIM um grande feito do nosso país, em conjunto com o japão. Temos muito a ganhar com isso.

Faço parte de uma empresa especializada em TV Digital Interativa e que pesquisa essa tecnologia desde 2005. Participamos de todo processo de decisão do padrão e do desenvolvimento de tecnologias interativas. E com certeza, só enxergamos evolução. Acredito que toda crítica é construtiva, mas também temos que trabalhar. Emissoras, fabricantes, desenvolvedores, academia, governo, poupulação.

14° Marco Gomes Data: 13/10/2009 às 3:47 pm

Atividade: Diretor de Inovação

Cidade: São Paulo

Que bom que estou sendo compreendido pela maioria.

Meu objetivo não, é, de maneira nenhuma, trazer críticas destrutivas para o enorme mercado de TV brasileiro, muito pelo contrário, quero é contribuir.

E minha sugestão pra melhoria já está no último parágrafo do texto:

“precisamos melhorar a distribuição do sinal e a qualidade do material transmitido, padronizar e amadurecer os set-top boxes, viabilizar sinal via satélite e multiprogramação, e, principalmente, baratear os conversores”

15° Eduardo Data: 14/10/2009 às 9:51 am

Atividade: Designer / Fotógrafo

Cidade: São Paulo

Posso dar um exemplo aqui que não foi comentado, possuo TV DIGITAL no meu carro, onde percorro todos os dias da ZL para a ZO, o sinal realmente se perde em muitos pontos e canais como GAZETA, BAND entre outros menos conhecidos não conseguem passar sua transmissão em ponto algum da cidade.
A questão da interatividade da mesma em casa é muito abaixo do que foi informado e seria oferecido a nós consumidores, pois não houve o investimento necessário e os valores para se popularizar este produto não foram os corretos.
Provavelmente no ano de 2010 deve haver novidades, pois em ano de eleição, copa do mundo e a economia voltando a sua normalidade, as emissoras podem e com certeza irão dar uma ênfase neste produto.

16° Stivy Malty Soares Data: 14/10/2009 às 2:53 pm

Atividade: SP

Cidade: São Paulo

Exelente artigo, Marcos,
Há mais de dois anos, quando discutia-se o projeto de implantação, escrevi um artigo aqui mesmo no Webinsider, dizendo que a TV Digital não é para agora, e que o melhor seria investirmos toda essa grana numa boa estrutura de Internet, com resultados muuuito melhores. (http://webinsider.uol.com.br/index.php/2007/05/03/tv-digital-vai-perder-na-luta-por-espaco-com-a-web/)

Recebi várias críticas na época, e hoje pergunto: O que mudou?
2015 era o prazo do Governo para zerar a comunicação analógica, e hoje reafirmo… PIADA de quem não conhece nada sobre o que está falando, leviandade e descaso com o nosso tempo.
Mas enfim… exelente ter lido o teu artigo mais de dois anos após eu ter escrito o meu, e ver que nada mudou.

Parabéns!
Abs,
Stivy

17° Nayara Data: 15/10/2009 às 6:01 am

Atividade:

Cidade: Belo Horizonte

Os grandes canais de tv do Brasil fizeram um lobby imenso para impedir que se optasse pela maior quantidade de canais, a favor
da melhor qualidade (como se ver Gugu, Faustão e tele-igrejas em alta definição fosse sinônimo de qualidade…) Atiraram no proprio pé… Ninguém comprou esse lixo de programação e a televisão vai cada vez mais para o buraco enquanto a população migra para a internet, o youtube principalmente…

Não farão falta, já vão tarde aliás.

18° Jefferson Data: 15/10/2009 às 5:03 pm

Atividade:

Cidade:

sinal digital com programação de lixo (faustao e afins) tem mesmo que não dar certo…

19° Gabriel Data: 16/10/2009 às 7:21 pm

Atividade:

Cidade:

Concordo com o Stivy Malty Soares.

A internet DESTROI a TV digital, tudo que a TV digital sonha em fazer, Na internet já tem (Interação,IPTV, Youtube, etc.) e sem precisar de TV LCD e conversor de R$ 500 pilas.

O que falta e ter conecxões em altíssimas velocidade por um PREÇO BAIXO e serviço de qualidade.

Tem gente que tem Internet discada que nem assisti mais televisão.

20° Lucas Data: 23/10/2009 às 3:00 am

Atividade:

Cidade:

Legal!

Lucas
email marketing
www.geekle.com.br

21° Zelia Santos Data: 24/10/2009 às 4:40 pm

Atividade: pencionista

Cidade: Rio de Janeiro

Gostaria imensamente de ter o conhecimento das pessoas que fizeram todos esses depoimento a respeito da TV DIGITAL.
Eu sonhava imensamente em possuir uma LED mas depois que li todos os comentários resolvi esperar para dois mil e desesseis, como posso investir num programa que ainda está nascendo? Moro em Bangú e o sinal digital está longe de cruzar meu caminho.
Muito obrigada a essas pessoas que realmente conhecem o que é tecnologia. Pois os nossos governantes fazem a gente acreditar no canto da Sereia…. É melhor esperar mais 7 anos e ver o que acontece.
Boa tarde a todos.

22° Reinaldo Data: 27/10/2009 às 10:14 pm

Atividade: Quimica

Cidade: São Paulo

Para min, hoje em dia é só internet e tv para assistir em dvd filmes alugados.Tv digital e anológica já se foram, que pena. Para quê assitir as mesmas coisas que passam na tv analógica. Eu aqui pretendo acoplar o computador na tv, para assitir os programas tvs por stream,ver videos youtube, notícias em tempo real,documentários e músicas. A tv digital terá tudo isso? nunca vai ter e te falo foi um tiro no pé, uma arma eleitoreira e finalmente um grande desperdício de dinheiro público.

Avisos
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