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As leis de Adam Smith diante da internet

08 de outubro de 2009, 21:05

Veja como a internet tornou obsoletos leis ecônomicas que governaram o mundo por 300 anos e como você pode se beneficiar desta mudança.

Por Pedro Superti

Esses dias estávamos conversando no escritório sobre como certas atividades rotineiras até pouco tempo atrás simplesmente estão sumindo de nossa agenda e habitos diários. Coisas simples como:

  • enviar um fax;
  • enviar um telegrama;
  • ir à locadora de filmes;
  • fila de banco;
  • pesquisar e comprar livros (usados principalmente…);
  • ir à loja comprar CDs;
  • telefonar para saber horários de ônibus e voôs.

E a lista poderia continuar por horas e faz pensar como algo que existe há dez anos (levando em conta que a internet ter realmente atingido a maioria dos brasileiros a partir de 1999) ter mudado hábitos de décadas.

O mais curioso é que a mudança afetou também os princípios da economia moderna que têm sido a base de nosso sistema financeiro há séculos.

Princípios da economia moderna

Você conhece a história.

adam-smith.jpg.

Em 1776 Adam Smith (escritor e filósofo nascido na Escócia) escreveu um livro chamado A Riqueza das Nações (Wealth of Nations), onde abordava as razões que seriam responsáveis por uma nação ser rica e outra pobre. Suas ideias permanecem importantes até hoje e são usadas por quase todas as nações desenvolvidas. Ele até figura nas atuais notas de 20 libras do Reino Unido (veja na imagem).

Algumas dessas ideias ajudam a entender como atribuímos valor às coisas, baseados em três pilares:

Capacidade de exclusão: o vendedor pode “excluir” você da posse do produto (como uma telecom que corta sua linha telefônica quando você não paga). O produto é complexo para ser replicado; então se você quer mesmo tê-lo, precisa comprar do vendedor.

Uso exclusivo: o produto não pode (na medida do possível) ser usado por mais de um pessoa. Se duas pessoas desejam usá-lo, você precisa comprar duas unidades.

Transparência: compradores podem identificar com clareza o que eles estão adquirindo, antes mesmo da compra.

Essas regras funcionaram por séculos, principalmente quando falamos de produtos físicos, como carros, frutas e roupas.

E com produtos não-físicos?

As leis de Adam Smith funcionaram que era uma beleza durante muito tempo. Até que em 1956 aconteceu algo fantástico nos Estados Unidos: o número de “trabalhadores de conhecimento” passou, pela primeira vez na história da humanidade, o número de “trabalhadores braçais” ou de “fábrica”.

Existiam agora mais contadores, professores, engenheiros, advogados, publicitários, consultores e afins do que trabalhadores clássicos como agricultores e metalúrgicos.

E qual a diferença do primeiro para o segundo grupo?

O primeiro trabalha com um produto intangível chamado “informação“.

Esse foi o marco do fim da era industrial. A era da informação acabara de nascer. E com isso, a demanda por informação estava mais alta do que nunca. E foi ai que os três pilares de Adam Smith começaram a balançar na base.

Veja bem… antes da internet, qualquer informação era paga. As indústria literária e a fonográfica cresciam de vento em popa. Os autores de qualquer pedaço de informação ou propriedade intectual eram (razoavelmente) pagos por sua criação. Impérios de mídia (televisão, rádio, jornais e revistas) foram criados. Claro,se você emprestar um disco ou livro para um amigo, ele teria acesso ao conteúdo sem pagar nada … mas você pagou.

Mas com o advento da internet, a casa de Adam veio abaixo.

Pensemos:

Capacidade de exclusão: conteúdo era fácil de criar e enviar para outras pessoas (você pode ter um site com acesso pago, mas dificilmente ele terá informação que não possa ser encontrada em algum lugar).

Uso exclusivo: Um e-mail é suficiente para enviar seu conteúdo para um mundo e meio.

Transparência: agora que você já tem acesso ao conteúdo, meio que perde a vontade de comprar, não? (Duvida? Veja o que o MP3 fez com a indústria de CDs das gravadoras).

De acordo com nosso amigo Adam, quando algo é controlável, pessoal e previsível ele teria (teoricamente) o máximo valor. Mas com a internet veio a explosão de e-mails, websites, foruns, blogs, vídeos e redes sociais e nunca se teve tanto acesso a conteúdo público e grátis (olha o que aconteceu com os jornais de papel depois da internet) - e mesmo assim, nunca se teve tanta sede de conhecimento quanto agora.

Hoje, a distância de um clique, você tem acesso a informação de qualidade de todo o tipo, geralmente disponibilizada por outras pessoas para qualquer um que deseje acessá-la.

Então… vivemos num mundo imerso em (e movido por) informação e que (graças à internet) tornou-se a prova viva que as leis econômicas de Adam precisam ser reformuladas e adaptadas, pois não são mais eficazes.

O futuro das leis econômicas

Agora chega a parte que vai dizer qual será o próximo modelo econômico que dominará o mundo, certo? Quem dera eu soubesse. E se soubesse, não daria gratuitamente aqui… venderia pelo menos, né? Mas não custa chutar e aqui vai o meu.

Em um mundo com muita informação, surge a escassez de outro recurso extremamente precioso para nossa vida moderna, que é a capacidade de prestar atenção.

Veja bem, se você tem um filho, ele ganha tanta atenção da família que pode ficar mimado. Se você tem dez filhos, enquanto vivermos em um mundo onde o dia continua tendo só 24 horas, eles nunca terão a a atenção de qualidade que um só filho demanda de um pai ou mãe.

Se no nosso dia lemos sobre dez assuntos diferentes, não é possível ler todos com a mesma atenção que se focasse em um só assunto e aprendesse tudo sobre ele.

Logo, a “atenção” que temos para distribuir entre os assuntos que são mais importantes para nós se torna o mais valioso “recurso” da sociedade moderna. Quem tem a capacidade de levantar e manter a atenção de outras pessoas tem a mais alta chance de ter sucesso em sua área de atuação.

A atenção rende ótimos frutos

E é por isso que atletas, atrizes, músicos e astros de TV têm as mais bem pagas profissões do mundo. Dúvida? Recentemente o jogador português Cristiano Ronaldo foi vendido para o time de futebol espanhol Real Madrid por R$ 257 milhões – o maior valor já pago por um jogador na história do futebol.

No dia de apresentação oficial do jogador para a torcida do Real Madrid, ele bateu três recordes ao mesmo tempo: maior número de camisetas vendidas, maior valor pago por um jogador na história e o maior número de torcedores presentes para ver a apresentação de um jogador (saiba mais).

É por isso que times mais ricos procuram comprar o passe de jogadores como Cristiano Ronaldo. Quando citam o nome dele na TV, as pessoas param para ver. As pessoas comentam. Assistem videos dele no Youtube.

Ele tem a atenção das pessoas. Atenção essa que as empresas (patrocinadores) estão muito dispostos a pagar um premium para ter um pouco dela refletida em suas marcas.

Nossa atenção determina o que aprendemos, absorvemos e sentimos. Nosso conhecimento e sentimentos determinam nossas decisões.

Imagine o poder disso! E você? Se arriscaria a chutar qual regra poderia ser a próxima a dominar o mundo ecônomico? Ao seu sucesso! [Webinsider]

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Sobre o autor

Pedro SupertiPedro Superti (pedro@pensedynamo.com) é diretor da Agência Dynamo, especializada em marketing de busca, SEO e em consultoria em links patrocinados e escreve no blog ParaoAltoeAvante.com.br.

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Comentários

18 pessoas comentaram o artigo "As leis de Adam Smith diante da internet"

Mauricio Ferreira Inojoza Jr Data: 08/10/2009 às 10:19 pm

Atividade: Dj

Cidade: Santo André SP

Graças a internet podemos emitir opniões, cobrar etc sem ficar tolido a um único grupo , corporação ou idéia. Parabéns pelo tópico.

Mauricio Ferreira Inojoza Jr Data: 08/10/2009 às 10:25 pm

Atividade: Dj

Cidade: Santo André SP

Quis dizer… sem ficar tolhido, Adj. Proibido, vedado, agora corrigido.

Ricardo Garay Data: 08/10/2009 às 10:44 pm

Atividade:

Cidade:

Prezado Pedro

A anos leio textos no webinsider e sinceramente se este não foi o melhor esta no topo de minha lista.
Sua percepção e suas colocações forçam a reflexão.
Parabéns.

Gustavo Fujihara Data: 09/10/2009 às 12:00 am

Atividade:

Cidade:

Não sou muito bom em História, mas… Adam Smith não era escocês?

Vicente Tardin Data: 09/10/2009 às 9:25 am

Atividade: Editor do Webinsider

Cidade:

Olá Gustavo,

obrigado, publicamos que era irlandês inicialmente e pela sua observação fomos revisar. Escócia.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Adam_Smith

Obrigado

Cesar Data: 09/10/2009 às 9:45 am

Atividade:

Cidade:

O novo mundo!

Sávio Data: 09/10/2009 às 9:59 am

Atividade: Consultor

Cidade: Cachoeiro de Itapemirim

“Veja bem… antes da internet, qualquer informação era paga. As indústria literária e a fonográfica cresciam de vento em poupa.” Não seria de vento em POPA ao invés de POUPA?

Sávio Data: 09/10/2009 às 10:02 am

Atividade: Consultor

Cidade: Cachoeiro de Itapemirim

“Então… vivemos num mundo imerso em (e movido por) informação e que (graças à internet) tornou-se a prova viva que as leis econômicas de Alan precisam ser reformuladas e adaptadas, pois não são mais eficazes.” Ao invés de ALAN, seria ADAM, certo?

Sávio Data: 09/10/2009 às 10:07 am

Atividade: Consultor

Cidade: Cachoeiro de Itapemirim

Desculpe, nem elogiei o texto. O conteúdo é ótimo e me senti a vontade neste tópico, já que sou estudante de administração.Só faltou falar das cinco forças de Porter, de Taylor, Fayol e por aí vai…
Brincadeiras à parte. Ótimo texto!

10° Vicente Tardin Data: 09/10/2009 às 10:24 am

Atividade: Editor do Webinsider

Cidade:

Savio,

obrigado pelos toques (poupa e Alan), já consertamos!

11° Claudio Costa Data: 09/10/2009 às 12:23 pm

Atividade: Vendas

Cidade: Teresina

Meus parabéns. Muito bom o texto. E muito útil também. Arrisco dizer que é o melhor que li aqui no Webinsider. Agora você criou um marco e vamos cobrar o mesmo nível em todos. Parabéns!

12° Felipe Vaz Data: 13/10/2009 às 11:56 am

Atividade:

Cidade:

Bom, um dos possíveis caminhos é o que as gravadoras hoje tentam fazer, criando uma escassez artificial (isto é, inventando uma escassez onde não há mais). Acho que não vai dar certo nunca.

13° Rafael Bandeira Data: 13/10/2009 às 4:16 pm

Atividade: Analista de Sistemas

Cidade: Belo Horizonte

Gostei muito do texto e concordo com o pessoal que este é um dos melhores artigos. Parabéns!

Só para acrescentar, talvez uma adaptação do mercado (não das leis de Adam) seja fugir das grandes massas como era antigamente na indústria. Acho que o conceito de “Long Tail” é uma evolução diante da presença da internet.

E ainda reafirmando seu pensamento, sempre digo a meus amigos: “Excesso de informação, causa perda de foco!”.

Grande abraço!

14° Antonio Max Data: 14/10/2009 às 3:42 pm

Atividade:

Cidade: Curitiba

Parabéns, excelente artigo!

15° Vilmar Data: 14/10/2009 às 8:07 pm

Atividade:

Cidade:

Mto bom o artigo. Parabéns!

16° PAULO RUBINI Data: 15/10/2009 às 6:01 pm

Atividade:

Cidade:

O mais legal da nova era é a perda do controle da informação de meassa pela midia.
A Globo que sempre controlou a informação ta vendo seu barco afundar. Não consegue evitar o avanço de Lula, por exemplo.

17° José Paulino Neto Data: 21/10/2009 às 1:22 pm

Atividade: jornalista e publicitário

Cidade: São Paulo

Pedro,

Texto-dedo-na-ferida: claro e objetivo.
E estimulante: dá link com o conceito de economia da atenção e com aquela ideia de que o que está em jogo é a mente do consumidor (Al Ries e Jay Levinson falaram disso).
Quanto a tua pergunta, nesses tempos de informação-chuchu (dá mais que na serra), o máximo que me ocorre é a tal da relevância, quer dizer, a info tem que significar alguma coisa pra alguém.
Em uma palavra, atenção …
Acho que você matou a charada.
Parabéns.

18° Lucas Data: 23/10/2009 às 3:03 am

Atividade:

Cidade:

Legal!

Lucas
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