Você vai dar aula e os alunos todos online
26 de setembro de 2009, 20:49É cada vez mais comum encontrar salas de aula como micros online para cada aluno. O professor apresenta seu conteúdo em PowerPoint e os alunos acompanham a aula.. e o Twitter, o e-mail e as notícias.
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As escolas estão implantando tecnologia, apenas para repetir o passado.
Léa da Cruz Fagundes, da minha coleção de frases.
Pode parecer estranho, mas vamos voltar para trás.
Digo isso pois dou aula para turmas fora e em laboratórios de informática e as primeiras rendem mais que as segundas. Não que não consigamos depois equilibrar o processo, mas é trabalhoso, por causa dos micros.
Acredite se quiser!
Note que não vou generalizar sugerindo o fim dos laboratórios, dos micros caros e das conexões de alta velocidade, que hoje são tão apelos de marketing nos cursos em geral, sejam de tecnologia, ou não.
“Tem um micro para cada aluno? Que bom!”
Nessa direção e para defender meu ponto de vista reproduzo de novo o mapa que fiz de nossas áreas de cognição e necessidades básicas para agir no mundo:

Precisamos de uma forma qualquer (linguagem) para falar de um determinado conteúdo, através de uma plataforma (suporte, ferramenta), a partir de conceitos pré-definidos, que podemos chamar de mentalidades ou ideologias.
Quando vamos para a sala de aula algum destes pontos serão abordados com mais ênfase.
Laboratórios de informática funcionam muito bem para a parte de baixo, nas plataformas; ali são imprescindíveis, pois o aluno precisa praticar o uso. Sem computador, esquece!!!
Nos outros, ao abordar questões de forma, conteúdo e conceitos dependerá muito, muito mesmo, de cada professor, mas a tendência é que o computador e a internet mais atrapalhem do que ajudem.
Explico.
Note que saímos das cavernas e chegamos à internet para nos conectar às pessoas. Uma necessidade humana de troca de ideias para avançar enquanto espécie. E entre nós, depois do mundo oral, em função da ocupação maior do planeta, colocamos um suporte, uma plataforma para viabilizar este contato: escrita na pedra, em manuscritos, em livros industriais, telefone, celular, tevê, rádio, internet, twitter, etc .
Toda tecnologia comunicacional, entretanto, não tem só o lado que aproxima. Sempre traz consigo algo que também nos afasta, pois coloca necessariamente entre as pessoas o limite do próprio suporte, que passa, em alguns casos, a ser uma barreira a ser superada.
É dialético, tem horas que é ótimo, outras não.
Não existe só bom ou só ruim, depende da situação, contexto, objetivo, etc… O Twitter é bom, mas desde que eu resuma em 140 caracteres. Eu me adapto, mas é um limite, como cada suporte tem o seu, que acaba definindo, de certa forma, seu uso e potencialidades.
Se está todo mundo na mesma mesa, tem sentido ficar twittando? Ou uma família ficar se falando pela MSN em casa, o casal discutindo a relação por ali?
O livro faz com que tenhamos contato com um autor de outro lado do planeta, mas exige silêncio, recato, criando uma independência e, por tendência, nos tornando menos interativos.
Uma palestra com o autor pode ser mais rica, em alguns momentos, pois há a interação, perguntas.
Um livro não permite nada disso. Desenvolvi a ideia mais aqui sobre livros e dificuldades interativas.
O rádio e a tevê trouxeram o mundo, mas tiraram o bate papo da família na sala. E a internet, por exemplo, veio nos ajudar – e muito – a nos encontrar a distância, formando grupos, reagrupando pessoas perdidas.
Mas, por outro lado, juntamente com o celular, nosso novo órgão humano, um problema do “desencontro presencial”.
Estamos ganhando um potencial enorme para encontros a distância e perdendo o jeito, que já não era essa bola toda, para quando estamos juntos.
É aquele caso de um cara que demora três semanas para marcar um almoço com o amigo e os dois ficam ali, comendo com o celular no ouvido, enquanto comem sem se falar. E chegam a conclusão que é melhor da próxima vez conversar um com o outro pelo celular do que marcar o almoço, deixando outro otário esperando!
A presença física é a mais rica das interações e nada vai mudar isso.
Permite todas as formas de interação humana (um-um, um-muitos, muitos-muitos) com a tecnologia da fala, que já está embutida em nós.
(E saiba: demoramos muito para desenvolver os músculos, articulações e ossos necessários para falar).
A fala presencial é a única interação que não exige suporte algum, nos libera e nos permite chegar aonde as outras plataformas não alcançam, pois envolve ainda outros sentidos, tais como outros sons, a imagem, o cheiro, etc .
E inverte todas as outras possibilidades interativas, (um-um, um-muitos e muitos-muitos), rapidamente.
Tem riquezas, assim, que qualquer outro suporte informacional não tem.
O encontro presencial em uma sala de aula, assim, se não é para ensinar a usar suportes, pode perder com computadores, pois pode colocar um jumbo aonde é lugar de um teco-teco.
E note que estou falando de turmas que o professor estimula a interação, no modelo Paulo Freire, muitos-muitos, com os alunos interagindo mais e mais. Qualquer tecnologia entre eles, atrapalha, dispersa, tumultua, pois passa a ser desnecessária.
Calma, o mundo pode ficar lá fora esperando enquanto estamos trocando presencialmente com os gadgets desligados, pois não faltará oportunidade para contarmos tudo que aconteceu logo, logo, quando voltarmos estar longes, diante da telinha.
Asssim, do que amadureço depois de aula de pós de Estratégia de Mídia Digital na Facha, toda em laboratório, um micro por aluno, é o seguinte:
- 1. Minhas aulas são conceituais – dispensam tecnologia;
- 2. Vou ver com o Nino, o coordenador, se ano que vem faço em um lugar sem Internet e sem micro;
- 3. Para este ano, por enquanto, vou propor aos alunos uma escala, assim: 50 minutos todo mundo totalmente off-line, monitor desligado e 100% focado no trabalho dos grupos ou com o professor. E 10 minutos, totalmente on-line para twittar, ver e-mail, fazer o que quiser, também 100% nisso. E voltar ao off-line.
(Não estamos na era do muitos-para-muitos?) E você o que acha disso tudo? [Webinsider]
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1° Valberto Data: 27/09/2009 às 3:01 am
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