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Comércio - Comportamento

Micropagamentos não decolam porque pensar cansa

28 de agosto de 2009, 9:57

A decisão de pagar ou não por um serviço, mesmo que muito barato, pode custar mais do que o benefício oferecido. Mais um argumento a favor do grátis com custo embutido.

Por Carlos Nepomuceno

As pessoas querem pagar por aquilo que é relevante, exclusivo e economiza tempo

Chris Anderson – da minha coleção de frases.

Saiu no Valor (link protegido por senha) a dificuldade das empresas aéreas em colocar a internet como serviço de bordo.

Quando as empresas não cobram, todo mundo quer usar. Quando cobram 1 dólar, ninguém quer. Estranho, né?

Pois no livro “Free”, do Chris Anderson, tem um conceito curioso: o custo cognitivo, a partir do Nobel de Economia Ronald Coase.

Segundo o autor, somos todos preguiçosos e não queremos ficar pensando muito para saber se algo vale centavos.

“A energia mental de decidir se a coisa toda vale $ 0,10 ou se cada ideia individual vale $ 0,01 não se paga”.

Ele diz, assim, que a ideia dos micropagamentos não se realiza por causa disso:

” É o pior dos mundos: o encargo mental de um preço maior sem um lucro correspondente”.

Ou seja, quando compramos algo gastamos neurônios e dinheiro. Tem que valer a pena para se entrar na transação, mesmo que seja para pagar 1 centavo!

O grátis elimina este custo cognitivo. E a pessoa vende para alguém algo, embutindo o preço do que é dado de graça, eliminando o custo cognitivo.

Modelos como a TV aberta e o rádio estão nessa linha. É isso. Que dizes? [Webinsider]

.

Sobre o autor

Carlos Nepomuceno (nepomuceno@pontonet.com.br) é professor, pesquisador e co-autor do livro Conhecimento em Rede (Editora Campus), coordenador do ICO, Instituto de Inteligência Coletiva e diretor da Pontonet. Mais dele no blog CNepomuceno e no Twitter.

Apoio:

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Palavras-chave relacionadas a este texto: [ TV, vídeo ] [ Vendas ] [ livros ]

Comentários

12 pessoas comentaram o artigo "Micropagamentos não decolam porque pensar cansa"

André Amaral Data: 28/08/2009 às 10:08 am

Atividade: Programador de interface

Cidade: Uberlândia

Concordo plenamente.

Marcio Toledo Data: 28/08/2009 às 10:14 am

Atividade: Designer e Fotógrafo

Cidade: São Paulo - SP

Excelente artigo! Assunto muito interessante.

Renato Medina Data: 28/08/2009 às 11:25 am

Atividade: Desenvolvedor

Cidade: Pinheiros/ES

Acredito que se pagasse R$ 1,00 pela tv aberta ela perderiam no minimo 60% dos telespectadores. rsrsrs

Acho que cabia até uma explanação maior sobre o assunto. Parabéns, Nepomuceno.

Lúcio Lima Data: 28/08/2009 às 1:04 pm

Atividade:

Cidade:

Concordo também. Mas o contraponto é muito importante. Lembro-me dos Bancos, que cobram tudo que nos oferecem, se utilizar ou não, mesmo em pequenas taxas. E somos prisioneiros deles. E muita gente acha que a beleza das instalações, o cash dispenser, o atendimento diferenciado, a internetbanking, é gratuito.

Artigo excelente!

Antonio Carlos da Cunha Data: 28/08/2009 às 1:18 pm

Atividade: Jornalista e arquiteto da informação digital

Cidade: Rio de Janeiro

Todos nós temos de fato dificuldade em dar valor às coisas e isto dificulta a decisão.
Exemplo comigo: na livraria o livro que eu queria custava R$ 78; não o comprei porque estava com dinheiro insuficiente no bolso: R$ 48.
Em casa, em livraria qualquer na web, encontrei o livro por R$ 31,92.
Por incrível que pareça, embora necessite do livro, ainda não o comprei e já se passaram duas semanas!!!
É possível que, no meu inconsciente, funcionou a problemática da valoração, isto é prevaleceu a minha dificuldade em determinar a qualidade ou o valor de algo para adquiri-lo.
É claro que se fosse de graça na web eu me apropriaria do livro imediatamente.
Só não vi que eu estava ganhando, pela web, mais da metade do livro de graça (R$ 31,92 em vez de R$ 78).
Aliás, vou comprar o livro já….
Ah, o livro é o “Não me faça pensar”, de Steve Crug.

Abraços a todos.

paulinho rocha Data: 28/08/2009 às 1:36 pm

Atividade: designer multidisciplinar

Cidade: santos

Sensacional a matéria.
Custo cognitivo é um conceito que definitivamente entrou pro meu repertório.

Acessem ! É grátis!

www.autorall.com

Claudio Alexandre Data: 28/08/2009 às 2:27 pm

Atividade:

Cidade:

Carlos,
obrigado pela matéria.
Eu tentei ler o livro do Chris Anderson mas não consegui por causa do Geobloking. Conhece algum link alternativo?
Novamente obrigado.

Carlos Pacheco Data: 28/08/2009 às 2:40 pm

Atividade:

Cidade:

Caro Carlos Nepomuceno, quero saber mais desse conceito que você está abordando nesse artigo. Por favor, escreva mais sobre o assunto.

Badah Data: 29/08/2009 às 6:30 pm

Atividade: Designer

Cidade: São Paulo

Genial!

10° suely de brito clemente soares Data: 30/08/2009 às 4:29 pm

Atividade: Cibertecaria, Profa./EaD, Palestrante

Cidade: Rio Claro, SP

custo cognitivo… nunca tinha pensado neste aspecto… por favor, escreva mais sobre o assunto… estou tentando encontrar algum exemplo que possa ser excecao a esta regra que vc esta apresentando… zzzzz… pensssssssando…

11° J. Pedro Ribeiro Data: 31/08/2009 às 7:12 am

Atividade: Designer

Cidade: Dublin

A matéria está ótima mas ficou muito resumido para um conceito tão interessante! Alguma sugestão de onde podemos achar mais detalhes sobre este assunto?

12° savio sabino Data: 31/08/2009 às 10:56 am

Atividade: programador

Cidade: guarujá

Muito bom o assunto.
Serviu para mim como alerta.
Pretendo futuramente criar um ambiente de venda de software como serviços (SAAS).
Claro que nesse caso os fatores são um pouco diferente e acredito que não terei problemas quanto a aquisição de receita (tomara que Deus me ajude né?).
Mas realmente foi importante a leitura deste texto para levar mais em conta o valor cognitivo da venda. O qual já tinha certa preocupação, mas não com tanto foco.
Quem sabe um dia não poderei compartilhar minhas experiências aqui.

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