Ainda sobre a leitura de livros eletrônicos
24 de agosto de 2009, 12:04Um dia você vai usar um e-book reader, provavelmente. O marketing é mais uma batalha de percepções contextualmente dependentes do que de produtos. Mas certos livros não vão ficar tão bem na versão eletrônica.
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Bacana o novo leitor de e-books da Amazon (foto). Lançado no início do ano, o Kindle 2 é bem melhor do que a primeira versão, mas… ainda não o quero, muito obrigado.
Prefiro o leitor da Plastic Logic, pois é touchscreen. Como os livros sempre foram, percebem?
E com méritos: aguentam tombos, torções e até água ou café. Fica o borrão, o engilhado, mas isto tem lá o seu charme, não é? São marcas de uma relação íntima, privada, pessoal.
Usar teclado para folhear, anotar e apontar texto não me proporciona a mesma experiência de ler um livro. Pelo contrário, me lembra trabalho. Talvez funcione para livros técnicos (= trabalho), mas não me imagino lendo “O Livro das Ignorãças” numa geringonça dessas. Para começar, pela textura. A capa do volume é rugosa e macia, num tom pastel. Lembra o toque de uma pele, ou de folha, ou de flor. Tem uma presença corpórea própria.
Ao tocá-lo, é como se eu estivesse na presença do autor ou de uma criatura dele, viva. Quase ouço a sua voz nos versos. Ainda na capa tem uma gravura colada, como uma foto num álbum impresso. Parece que foi ele mesmo que grudou a coisa. É um artesanato.
Isso para não falar nas “Memórias Inventadas”, do mesmo Manoel de Barros, que vem numa caixa, as folhas soltas mantidas juntas por uma fita com laço, ilustradas por desenhos da filha dele. É um troço muito pessoal, um tête-a-tête, uma sensação que não consigo imaginar nem no produto da Plastic Logic.
E como todos nós sabemos (ou deveríamos saber), o marketing é mais uma batalha de percepções contextualmente dependentes do que de produtos.
Vamos fazer assim. Posso até ler matérias curtas de revistas, jornais e blogs nos novos gadgets. Livros técnicos e apostilas também (será muito produtivo armazenar anotações, referências cruzadas e poder buscá-las rapidamente).
Mas o Manoel de Barros, o João Cabral de Melo Neto, o Machado de Assis e os outros da turma, eu vou encontrá-los em livros de papel bem desenhados, na sombra, com água fresca, talvez uma lápis para marcar frases geniais, e uma rede para me balançar. Estamos combinados? [Webinsider]
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1° Sérgio Lima Data: 24/08/2009 às 1:06 pm
Atividade:
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Matou a charada.
Eu também concordo que há livros e livros, alguns ficarão bem num leitor, ainda que eu jamais deseje um leitor dedicado, meu tablet dá conta disto enquanto eu ouço meus mp3…
E há livros que requerem o “contato físico” com a obra, se é que podemos dizer assim.
abs