Políticos nas mídias sociais: sem atos secretos
23 de agosto de 2009, 22:14Os candidatos terão que rever seus conceitos sobre o que é uma relação corpo a corpo em redes sociais. Quem tem telhado de vidro vai optar por ficar de fora dessas mídias.
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A Câmara dos Deputados aprovou recentemente texto básico da proposta de reforma na lei eleitoral. Entre as ratificações do texto está o veto ao uso de imagens e voz de adversários na propaganda política para presidente, governador, senador, deputado federal e estadual nas eleições 2010.
Mais do que isso, fica liberada a propaganda nos sites de relacionamento como Twitter e Orkut, além do uso de e-mails. Como era esperado, o texto veda a propaganda em qualquer portal de empresa ou da administração direta ou indireta da União, Estados e municípios. O projeto ainda será encaminhado à apreciação do Senado. Se aprovado e promulgado até o inicio de outubro de 2009, as novas regras eleitorais valerão para as eleições do ano que vem.
Vamos à discussão: será que os políticos que cometem os mais diversos “atos secretos” poderão se aventurar nas mídias sociais? No geral, quando pensamos em política no Brasil, particularmente, as coisas não cheiram muito bem. Será que os candidatos às eleições de 2010 terão coragem de enfrentar os eleitores no Twitter e em comunidades no Orkut? Imagine o Sarney: como ele poderia fazer uma campanha de reeleição pela web ao Senado com tanta gente falando mal de sua gestão anterior como presidente do Senado?
A maioria dos candidatos eleitos prova a cada dia que não podemos confiar nosso voto ao primeiro que aparece prometendo alguma coisa. Por isso, o lado bom da possibilidade de campanha de candidatos por meio de mídias sociais está na chance de troca, de interatividade, de podermos “despir” e conhecer mais de perto quem quer nossa confiança. Quem tem telhado de vidro, com certeza vai optar por ficar de fora dessas mídias.
Quando falamos de campanha 2.0, como já se prevê, os candidatos terão que rever seus conceitos sobre o que é uma relação “corpo a corpo” em mídias sociais:
Candidato do mundo real
- Apresenta uma campanha planejada, com localização e horário determinados;
- O discurso é produzido, editado e distribuído;
- A experiência do contato com o eleitor é previsível;
- O público é um consumidor passivo.
Candidato das mídias sociais
- Terá que estar aberto ao diálogo com qualquer um, de qualquer lugar (no planeta), a qualquer momento;
- O seu discurso deverá ser autogerado e distribuído gratuitamente;
- Suas experiências como candidato deverão ser colaborativas, baseadas nos interesses e nos relacionamentos dos eleitores e não em suas promessas;
- O candidato terá que ter como lei que o eleitor é agente ativo em sua campanha online e não vai aceitar respostas frias.
Quem se aventurar em uma campanha usando mídias sociais não poderá esquecer também:
O caráter exponencial e coletivo: a resposta que o Serra der a um eleitor poderá ser lida por milhares - e contestada publicamente;
A paixão: estar junto com outros por determinada causa é fruto de uma relação baseada na verdade do candidato - inquestionável. Se ele não for leal, pior para ele.
O valor: os candidatos verão que o valor do voto não reside no tamanho de uma comunidade, mas sim na quantidade de pessoas que interagem dentro dela.
Perfil: Não vai ser fácil engolir que um senador com “atos secretos” e perfil conservador está se aventurando pelo Twitter. Os candidatos deverão ser seletivos quanto às mídias para não cair no ridículo ou passar um ar de falso perfil. Já o internauta deverá ficar atento para saber se ele fala realmente com o candidato ou com um assessor de imprensa. Ou seja, você perceberá que cabe mais ao Sarney ter um blog do que um perfil no Orkut ou Twitter.
Cabo eleitoral: para as mídias que talvez não caibam ao perfil, os candidatos terão que lançar mão de “cabos eleitorais online”, responsável por identificar e influenciar “alfas” em seus redutos. Cabe ao eleitor ficar atento a esse tipo de relacionamento e aceitar ou não a abordagem.
Aprendizado: mais do que ganhar votos, se o candidato realmente for verdadeiro e fiel aos seus eleitores, terá a chance de escutá-los e aprender com eles, encorajando-os em relação à sua campanha.
Relacionamento: eleito, o candidato que souber usar as novas mídias terá que provar que realmente é merecedor da atenção daqueles que o elegeram. Prometeu, terá que cumprir e dialogar com seus eleitores via mídias sociais no pós-eleição. Do contrário, adeus reputação nas próximas votações.
Resumindo, se você vai sair candidato, fique alerta: o eleitor presente nas mídias sociais tem um perfil diferente do mundo offline. Ou ele odeia ou ele ama uma causa. Já você, eleitor, fique atento às promessas e saiba cobrar coletivamente seus direitos. [Webinsider]
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1° leonardo alves ferreira Data: 23/08/2009 às 11:49 pm
Atividade:
Cidade: São Paulo
É por essas coisas que nessas eleções só vou dar atenção a politicos que colocarem a cara a tapa na internet, um exemplo claro, eu seguia o senador Mercadante no twitter, mas depois do rodizio de pizza que arquivou os processos do Sarney vi que ele não compriu com a palavra e unfollow nele.